
Quem não gosta de um feriadão? Ainda mais na praia. O sol, a brisa marinha, o murmúrio das ondas derramando suas carícias nas areias brancas e escaldantes. Lindo, não?
Melhor ainda se toda essa paisagem maravilhosa for regada a muita mordomia, num hotel resort com todas as comodidades e confortos modernos. Serviçais dispostos a atender todos os seus anseios, caprichos e desejos mais extravagantes.
Para meros mortais, férias assim, só após muita ralação, anos de economia e privações. Atualmente, ainda há a provação de passar horas num aeroporto da vida esperando ser transportado, como se fosse um favor.
Mas, para uma pequena fatia de nossa sociedade, formada por semideuses divinos e intocáveis. Seres místicos acima do bem e do mal. Dotados de um senso absoluto de certo e errado; isso é garantido todos os anos e, o melhor de tudo, grátis.
Eles são tão magnânimos e poderosos que, ao serem flagrados cometendo crimes, não perdem seu emprego e suas altíssimas remunerações. São apenas convidados a aposentarem-se. um prêmio merecido após anos de mamatas, maracutaias e crimes de todo o tipo. Você já sabe quem são?
Ora meu caro leitor. Os juízes.
Recentemente temos o caso dos juízes e desembargadores envolvidos com a máfia dos bingos. Se forem condenados (as provas são muitas e variadas), certamente, terão o mesmo destino do “Juiz Lalau”. Que curte o “tormento” de estar preso numa magnífica mansão e gozando da fortuna que roubou livremente e, pasmem, recebendo uma gorda aposentadoria.
Em qualquer país civilizado do mundo, um funcionário público pego cometendo crimes, tem uma punição dura e exemplar. Além da prisão (ou morte se for na China), perde imediatamente todas as prerrogativas do cargo, sua pensão e quaisquer outras vantagens oriundas da função exercida.
Aqui, ainda são premiados com um aumento de salário. Pois o funcionário público ao aposentar-se ganha um “a mais”.
Por que comento tudo isso? Simples, para ilustrar o absurdo que ocorre a 14 anos e ninguém faz nada. Ninguém se levanta em face desta indignidade e falta de ética. Tudo porque, a coisa é feita meio que “na surdina”, para evitar-se ao máximo a divulgação do fato. O que poderia ser tão terrível?
Todo ano (há 14 anos) a Federação de Bancos (FEBRABAN), paga um “simpósio” em um hotel resort no nordeste ou em qualquer lugar paradisíaco brasileiro; para juízes e suas famílias (com absolutamente todas as despesas pagas), com a desculpa de que vão para um “CICLO DE DEBATES E ESTUDOS DE DIREITO TRABALHISTA”. O pacote que inclui as atividades de laser e alimentação, inicia-se pela manhã com o tal ciclo; a duração do encontro é de, no máximo 4 horas (raramente passa de duas) e sempre pela manhã. O evento, realizado no Hotel Serhs, o mais luxuoso do estado do Rio Grande do Norte – onde todos os participantes foram hospedados – foi aberto pelo vice-presidente do TST, ministro Milton de Moura França. Em discurso de 5 minutos, França falou sobre “ética” e “moral”. Na platéia, além dos magistrados e seus familiares, estavam representantes de bancos, advogados e convidados. Realmente para falar desses assuntos e após tudo isso, 5 minutos, são mais que suficientes.
Afinal, quando estiverem decidindo a vida de um pobre trabalhador, os meritíssimos poderão remeter-se aos dias agradáveis e ensolarados em um certo paraíso tropical e reduzirem o seu stress.
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