Nos anos de 1970, o seriado Guerra, Sombra e Água Fresca, era exibido nas tardes pela telinha e fazia a alegria da garotada. Inclusive a minha. A estória, baseada na verdadeira história do Stalag 33. O campo de concentração alemão considerado inexpugnável e de onde ocorreu a maior fuga de prisioneiros militares da Segunda Grande Guerra, retratada brilhantemente no filme “Fugindo do Inferno”.

    Por ser um seriado cômico. o líder dos prisioneiros, Hoogan e sua “patota”, divertiam-se em tornar a vida do sargento Schultz e do coronel Klink um verdadeiro inferno. Criando no campo uma rota de fuga para os prisioneiros aliados capturados e que fugiam de outros lugares por toda a Alemanha. As trapalhadas se sucediam e os alemães “batiam cabeça” sem entender como, se não havia fugas, os prisioneiros desapareciam ou aumentavam seu número como por um passe de mágica.

    Para evitarem problemas, os comandantes alemães “acomodavam” a situação e “iam levando” os americanos, com medo de acabarem na Frente Russa se algo fosse descoberto. Pois é, uma comédia bem bolada e engraçadíssima que, infelizmente, não passa mais na televisão.

    O que isso tem de importante? Ora! Caro leitor; aqui no Rio parece que o “Sargento Schultz” está no comando das forças de segurança e o “Coronel Klink”, com seu inseparável monóculo, comanda o governo.

    O país todo foi tomado pelas notícias dos intensos tiroteios e das baixas entre a população local nos combates dos PM’s contra os traficantes na favela da Vila Cruzeiro. Pois é, mais de cinco dias de combates ferrenhos. Armas e drogas apreendidas. Um policial morto, outros feridos e alguns bandidos abatidos além de vários inocentes baleados. Descobriram-se e destruiram-se “trincheiras” feitas pelos traficantes, para poderem atacar em segurança os policiais, removeram-se barricadas que impediam o avanço dos blindados e da tropa a pé. Enfim, uma operação bem sucedida e que estava prestes a dar um duro golpe na marginalidade local.

    Mas; sempre tem que ter um “mas”. O espírito do Coronel Klink baixou no secretário de segurança e os agentes da lei se retiraram. As barreiras policiais também. O próprio policiamento ostensivo na área foi abolido. Ou seja, após intensos combates e conseguir-se enfraquecer a posição dos meliantes; dá-se aos bandidos uma oportunidade de ouro para se armarem e se fortificarem. Recebendo reforços em munição, armas e soldados.

    Qualquer pessoa que tenha passado por um mínimo treinamento militar, sabe que o assalto a posições fortificadas é difícil e deve ser precedido de um corte dos suprimentos do inimigo. Martelando-se as posições inimigas e obrigando-o ao desperdício de munição. Bem como, efetuar-se um cerco na área e isolando o alvo de suas fontes de reabastecimento. Ao recuarem totalmente, nossos intrépidos trapalhões, dão aos traficantes a vantagem de refortificarem suas posições defensivas. Rearmarem-se e se suprirem de munição e armas. O intrépido barrigudo, ainda vem à televisão anunciar que, em breve, a polícia estenderá a operação para várias outras favelas do mesmo complexo. Ora, um claro aviso os traficantes para que se armem e estoquem munição. O resultado de tanta imbecilidade? Hoje, todos os jornais mostraram que estão de volta as barricadas, as trincheiras e os fossos que dificultam as ações de penetração dos policiais. Ou seja, o desespero, os mortos, os feridos e o prejuízo causado para o nome da cidade nos primeiros momentos desta ofensiva, foram desperdiçados. Numa próxima operação, tudo terá de ser feito novamente do zero.

    Resta a pergunta que não quer calar: Será imbecilidade, pobreza tática, incompetência ou conivência?

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