
Quem é da minha geração (anos 60 e 70) certamente se lembra de uma época em que levar uns cascudos de pai ou mãe era natural e até cult entre a rapaziada. Broncas, cobranças e críticas eram distribuídos largamente e sem pudores na frente de visitas e de amigos. Muitos devem lembrar-se de que bastava um olhar meio atravessado de nossos pais e, instantaneamente, a compreensão de que tínhamos feito algo errado nos assaltava como um murro telepático.
Mães e pais eram obedecidos como se fossem seres superiores e mitológicos onipresentes e poderosos. Eles podiam nos desnudar em segundos, onde quer que estivéssemos e a qualquer hora. Eram super-heróis inatingíveis em sua maioria.
Meu pai, um camponês europeu, veio para o Brasil durante a segunda guerra mundial em fuga do flagelo que se abatia sobre a Europa. Apesar de seu país de origem ser neutro, essa condição não garantia que a sanha e a fome de Hitler por territórios e recursos se deteria às portas de uma boa oportunidade. Minha mãe, descendente de árabes e italianos, tinha em seus genes a efusividade dos italianos e a severidade dos árabes. Juntos, eles me criaram e construíram meu caráter com esmero e atenção. Pautado em seus exemplos de retidão e amor, cresci num ambiente saudável e repleto de proteção e carinho.
Nem por isso, escapei de levar umas palmadas e uns safanões, como todo ser humano normal. Aprontei muito na infância e adolescência. E uma passagem especialmente dolorosa (rs), foi quando fugi de casa para me aventurar. Tinha sete anos e atravessei quatro bairros tentando chegar à casa da minha tia. Capturado por um PM que suspeitou do gordinho andarilho, e (bons tempos) carinhosamente, conduziu-me pelas ruas e bairros até minha casa. Ao entrarmos na rua com a viatura policial (as clássicas joaninhas) toda a rua estava em polvorosa me procurando e minha mãe, aos prantos, era amparada pela irmã e por duas vizinhas. O PM me conduziu até em casa e pediu para que não me castigassem: “Ele é muito inteligente, trouxe a gente até aqui direitinho”. Minha mãe agradeceu, deu um café aos policiais e após um bate papo automático os acompanhou até a porta. Nesse momento, me deu um olhar… Foi o suficiente para que eu corresse e tentasse me esconder no banheiro. Para meu azar, a armadilha já tinha sido preparada e me dei mal. Nem preciso dizer o que aconteceu lá. Não é? O suficiente é dizer que hoje, tenho trinta e nove anos, e ainda me lembro de tudo em detalhes.
Trauma? Tristeza? Depressão? Recalque? Longe disso… amor. Sim, porque aquela surra, me fez ver o quanto eu era importante e fazia falta. Com meus sete anos, o mundo era atraente e a aventura de um mundo a minha disposição era sedutora.
Mas, por que essa “volta ao passado”?
Simples. Para dizer que nos dias de hoje, os pedagogos, os psicólogos e educadores querem fazer você se sentir um “lixo humano” quando pune seus filhos por algo errado que eles tenham feito. Dizem que dar uma palmada é a falência da educação. O carinho, a atenção e o “reforço positivo” devem ser a tônica entre pais e filhos. Talvez por isso, tantos jovens drogados, roubando e matando. Cometendo crimes hediondos e levando a violência cada vez mais para dentro das salas de aula.
A maior prova do que falo foi à atitude de uma mãe americana. Seu filho de 15 anos aplicou uma gravata no professor e foi suspenso da escola. Ao tomar conhecimento do fato, ela ficou irada e confeccionou uma placa que dizia: “Fiz uma besteira e estou pagando por isso”. Vestindo a placa, ela o obrigou a percorrer as ruas da cidade catando lixo e varrendo as ruas. Ela disse que fez isso para que ele aprendesse que suas ações, quando erradas, podem ter conseqüências. E algumas delas podem ser humilhantes. O garoto disse que, enquanto recolhia o lixo, as pessoas o olhavam com censura e foi perseguido por cachorros. Ele se sentiu humilhado.
Então, diga você, caro leitor. Ele agora não pensará duas vezes antes de fazer uma nova besteira?
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Acredito que a falência do sistema educacional permeia todos envolvidos. Pais que “passam a bola” para a escola e que não têm o compromisso com a educação de seus fihos, alunos que não sabem diferenciar tortura e escola, governantes incompetentes, individualistas, corruptos etc, professores que não percebem quer têm mais força que qualquer outra categoria de trabalhadores…