
A todo o momento ouvimos no rádio, na televisão e em todos os meios de comunicação, políticos com seus discursos ensaiados e bem treinados dizendo exaustivamente: “A educação é a prioridade de nosso governo. A educação está em primeiro lugar. A educação é a esperança de diminuirmos a violência”.
Após a apuração final das eleições, essas frases feitas, tomam sua verdadeira dimensão: a de palavras vazias. Em nenhum outro lugar do Brasil, essas palavras se tornaram tão vazias como aqui, no Rio de Janeiro.
Nosso prefeito, alcunhado pela mídia e pelo povo de “menino maluquinho”; dado a declarações e ações insanas e estapafúrdias. Criador do famoso neologismo “factóide” e dono de um invejável talento para o marketing. Sua administração apresenta resultados pífios, com inúmeras denúncias de mal versação dos fundos da prefeitura. Desvios de verbas da educação e da saúde para aplicações financeiras. Prefeito esse, que até bem pouco tempo, tinha como secretário de saúde um banqueiro. Nada mais incompatível.
Enquanto milhares morrem em hospitais sucateados, recheados de profissionais incompetentes e mal pagos. Milhões de reais que deveriam ser destinados a essa área são aplicados no “PAN”.
A mais nova artimanha do “menino maluquinho” foi uma investida contra a educação pública. Todos sabemos que as escolas municipais e estaduais são “um lixo”. Tanto em matéria de qualidade de ensino quanto em equipamentos e profissionais. Pseudoprofessores brincam de faz-de-conta, ao simularem ensinar crianças em todas as séries.
Reclamam que o salário é baixíssimo e, por isso, não podem se reciclar e se atualizarem. Ora, se o salário é baixo e estamos insatisfeitos, se somos competentes, o que fazemos? Damos um “pé na bun…” do empregador e vamos cantar para outros públicos. Porém como sabem que são péssimos profissionais (raríssimas exceções), ficam “moscando” no serviço público na base do “fingem que me pagam, eu finjo que trabalho”. Assim, formam gerações e gerações de analfabetos funcionais.
Tendo em vista que uma prefeitura recebe, pela quantidade de alunos que tem matriculados em sua rede de ensino uma verba de participação; nosso prefeito se viu preso a um dilema: Com os baixos índices de qualidade dos professores, aumentam o número de reprovações. Esse número aumentando, mais crianças ficam na mesma série por mais tempo. Isso, por sua vez, impede que crianças entrando em idade escolar possam se matricular e, conseqüentemente, façam chover mais uns caraminguás nas contas da prefeitura.
Com toda a sua energia e recursos, voltada para o ilusório “PAN”, o “menino maluquinho”, teve uma brilhante idéia: “Poxa vida, como não pensei nisso antes?”
Com uma lâmpada sobre a cabeça, ele sentou-se em sua escrivaninha e pegando sua caneta mágica de resolver problemas, criou um decreto extinguindo a reprovação e as avaliações durante todo o primeiro grau (área de atuação obrigatória das prefeituras). Com isso, num passe de mágica, ele resolveu vários problemas: primeiro, eliminou a necessidade de construir novas escolas para abrigar a massa de alunos que entra em idade escolar; depois eliminou a necessidade de investir no magistério. Pois se não há avaliação e reprovação, qualquer coisa pode ser ensinada que “tanto faz, como tanto fez”. Todo mundo passa de ano.
Os reflexos foram imediatos: Em escolas onde o número de professores era insuficiente, cartazes eram colados nas paredes solicitando que alunos fizessem trabalhos sobre matérias que nunca tiveram a chance de aprender. Em outras escolas, onde havia a falta absoluta de professores de matérias inúteis como física, biologia, português e matemática, essas matérias eram, simplesmente, retiradas dos boletins escolares. Assim podia-se “ir levando” o “exército mongol” (literalmente) até o segundo grau.
Graças à revolta popular e de alguns educadores competentes, a câmara municipal vetou essa lei absurda. Agora, tudo depende do bom senso de nossos vereadores para que derrubem quaisquer ações do “menino maluquinho” que visem ressuscitar esta aberração.
Pelo menos uma vez, políticos prestaram para alguma coisa.
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