
Recentemente fomos brindados por mais uma, das inúmeras, frases feitas de nosso amado presidente “Barbudinho da Silva”: “O brasileiro é o único povo que fala mal de seu país”. Comentários jocosos à parte, essa declaração reflete o pensamento da maioria dos políticos de nosso país sobre o povo que representam. Para eles, temos que agüentar as mazelas; a roubalheira; a falta de serviços básicos como saúde, segurança e saneamento; a gigantesca falta de oportunidades e a esmagadora carga de impostos. E bater palmas.
A que se deve tamanho escárnio? A que se deve a total certeza da impunidade que, aquele político apanhado em mil esquemas e com as calças na mão, parece demonstrar na televisão? A que se deve o aumento frenético dos impostos, quando sabemos que grande parte deles é sonegada ou desviada, e que seria muito mais simples combater isso? A que se deve aposentadorias tão baixas e a negação de direitos assegurados aos trabalhadores, pela previdência, quando eles ficam doentes e mais precisam de apoio?
Essas perguntas têm uma resposta simples e um sujeito comum: Tudo isso se deve a nossa passividade.
Tido como povo amistoso e cordial, os brasileiros, têm a fama de tudo aceitarem “numa boa”. As maiores atrocidades podem ser cometidas pelos governantes e pelas empresas. que o entendimento geral é: “Podia ser pior”. E aí, com esse pensamento retumbando na mente coletiva da nação, não se faz mais nada para combater a mazela.
Após o golpe de 1964, nosso povo foi doutrinado, manipulado e treinado a aceitar tudo o que vem de cima. Enquanto a Alemanha, após a segunda guerra mundial, virou uma república de “pontas de cigarro” (pois o povo empobrecido pela guerra catava as gimbas de cigarro dos aliados e com quatro gimbas, faziam um cigarro e revendiam); o Brasil ficou conhecido como a república do “Sabe-com-quem-está-falando?” Assim, qualquer autoridade, parente de autoridade ou mesmo conhecido de autoridade, quando era apanhado em um ilícito; soltava a famosa frase. Com o passar do tempo, essa frase entranhou-se tão profundamente nas mentes do povo que, para ele, nada mais adiantava fazer; ela tornara-se “uma verdade suprema e inquestionável”.
Ser um funcionário público, um deputado, um senador, um político em geral, um policial ou qualquer outra coisa ligada ao serviço público, transformou-se de forma de servir a comunidade à forma de servir-se dela em proveito próprio.
Ao ir-se a um posto do INSS, a primeira coisa que se vê nas paredes, é um cartaz contendo um dispositivo legal que diz: “Ofender ou agredir servidor público no exercício do cargo é crime previsto…”. Escudados nisso, os servidores tratam os segurados como verdadeiro lixo humano e se você levanta-se para reclamar é apresentado a este cartaz e intimidado por um segurança truculento. Ao invés de tratarem os segurados com respeito e dignidade.
Apanhados pela polícia federal em inúmeras falcatruas e desvios de conduta, políticos ao invés de unirem-se para depurar a classe e dificultar o acesso de picaretas ao dinheiro público, unem-se para votar rapidamente, dispositivo legal que impeça a utilização de algemas em “autoridades” presas.
Aproveitando-se do povo crédulo e cordeiramente manso, aprovam aumentos salariais e de verbas várias vezes superiores à inflação; logo após negarem um aumento no mesmo índice da inflação aos aposentados, sob a alegação que o tesouro público não teria verbas.
E nós, o que fazemos?
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