
Hoje, vendo uma reportagem no programa “Linha Direta” da Rede Globo de Televisão, sobre as vítimas do Césio 137 em Goiás. Toda a dor e sofrimento por que essas pessoas passaram; e ainda passam, poderia ter sido evitada por algo simples. Algo que, muitos de nós, temos com facilidade e não damos valor: Oportunidade.
Esse caso estarrecedor mostra claramente que o Brasil é um país que não se preocupa com seu povo. Enquanto políticos e administradores pensam apenas em engordar suas contas bancárias e enriquecer seus amigos e familiares, o povo amarga nas trevas da ignorância e na maldição da desesperança.
Pode-se imaginar que, casos como esse, não aconteçam mais. Mas isso é um grave erro. Coisas como esta estão ocorrendo todos os dias em nosso país. Vejam o caso da carne imprópria que foi enterrada pelo exército e, após um dia, foi desenterrada e devorada pela população próxima em “churrascadas comunitárias”; apenas porque aparentava estar em boas condições. Pessoas que morrem ao redor dos campos de provas das forças armadas em todo o território nacional ao “catar ferro velho”, desconhecendo ou ignorando que, aquele “ferro-velho” pode ser na verdade um explosivo ainda ativo.
Pessoas que se envenenam com produtos químicos porque invadem áreas cercadas e aparentemente abandonadas; mas que servem como depósito para estas substâncias. Crianças que nadam em estações de captação de água ou em grandes áreas de armazenamento e que são sugadas pelas tubulações; morrendo em seguida.
Nossos políticos populistas criaram em nosso povo, a cultura de que “pobre pode tudo”. Por que o sujeito é pobre ele tem que “se virar”. Ao invés de lhe darem instrução e cultura, sem contar meios e oportunidades de sobrevivência, relegam essas pessoas a viverem pior que os escravos do passado.
No passado, um escravo, custava ao seu dono cerca de R$ 1.500,00 mensais. Hoje, um trabalhador de baixa qualificação custa pouco mais de R$ 380,00. Um verdadeiro negócio da China.
Ao se negarem oportunidades aos seres humanos, tira-se deles a humanidade. Transforma-os em animais que lutam pela sobrevivência. Assim colocados, apenas pensam em se reproduzir e conseguir meios para seu sustento. Leis, áreas vazias e coisas, aparentemente sem dono, são um prato cheio para transformarem-se em dinheiro.
Vejam as pessoas que vivem ao redor dos lixões nas grandes cidades. Em São Gonçalo, estado do Rio de Janeiro, há pouco tempo, uma família se alimentava de restos humanos descartados irregularmente junto com lixo hospitalar. Percorra um desses lixões e você verá, facilmente, seres humanos alimentando-se em meio à imundície e da imundície.
Nas ruas do centro a noite; e até mesmo pelos bairros, vêem-se hordas de seres vagando, revirando latas de lixo e buscando seu alimento diário ali. Cães? Gatos? Ratos? Não. Pseudo-humanos abandonados por seu país a sua própria sorte.
Pessoas como eu e você, mas que por qualquer motivo não tiveram uma oportunidade de tornarem-se humanos. Nosso país maldito os transforma em bestas-feras, em seres de terceira categoria, cuja presença mesmo invisível, nos irrita e assusta.
O que queremos não é o “bolsa-isso”, ou o “bolsa-aquilo”. Queremos oportunidades.

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