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OS DIREITOS, OS HUMANOS, A HIPOCRISIA E A VERDADE.


A visão dos direitos humanos.


Uma notícia chamou-me a atenção hoje motivando esse post extraordinário; já que não costumo escrever aos domingos. Mas foi um acontecimento tão emblemático que, pode parecer exagero; talvez cause uma reação sensata dos homens que militam na área dos Direitos Humanos deste país.

Por uma corrupção da idéia central; o termo “Direitos Humanos” no Brasil tornou-se sinônimo de permissividade e de proteção à marginalidade. Os direitos do cidadão são, e assim deve ser, intocáveis e assegurados pela constituição e por um número enorme de regulamentos internacionais. A figura do “Homem da Lei” que mata impunemente, deve ser sempre combatida por toda a sociedade e pelos próprios policiais. E acredite, esse combate ocorre.

Infelizmente, pela mente tacanha e pelos interesses políticos imediatistas que rondam nossos palácios de governo. A defesa dos direitos humanos passou a ser uma arma eficaz no arsenal da demagogia geral. Inúmeras associações, ONG’s e entidades, proliferaram e se locupletam de recursos públicos através da bandeira dos “Direitos Humanos”.

A conversa é sempre a mesma após os tiroteios: “A polícia sempre entra aqui atirando”. Ou ainda: “Tava tudo em paz, aí o Caveirão apareceu dando tiro pra tudo que é lado”. Então, num instante a “sociedade organizada” lança a campanha: “Diga não ao Caveirão”. Pululam na TV, representantes dos tais direitos humanos, bradando que o uso do blindado é uma violência inadmissível. Um atentado contra as comunidades carentes e a “pessoa humana”. Centenas são arregimentados e promovem um “abaixo-assinado” visando a extinção do veículo. Nesse barco, certamente, colocam-se os usuários de drogas e pessoas com interesses (sejam quais forem) contrariados ou, simplesmente, alguém querendo aparecer.

A figura do blindado, negro adornado com a caveira, ou no caso da polícia civil: “O Pacificador”. É sempre usada por essas entidades como se fosse a mais pura abominação. Como se, em seu interior, assassinos sádicos e sedentos de sangue adentrassem as comunidades carentes para explodir as cabeças de crianças, velhos, inocentes e de quem mais passasse diante do veículo. Não importando que seja bandido ou não.

Graças a uma parte da mídia sensacionalista, a verdade vem aparecendo. Quando a TV acompanha as operações de perto; sempre vemos a chuva de balas que parte do alto e das posições estratégicas espalhadas pelos morros. O alvo; os policiais. Granadas, tiros dos mais variados calibres e bombas caseiras, atingem tudo e todos. Se surge algum ferido no conflito: Certamente foi a polícia. Retirem-se, pois os “Caveirões” e “Pacificadores”. Ordenem que os policiais subam as favelas de peito nu. Ou entreguem o governo logo ao tráfico e a bandidagem (se é que já não o fizeram).

Quanto à notícia que gerou o texto de hoje?

É esta:

O presidente do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (IDDH), advogado João Tancredo. Que também já foi presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ); e um dos maiores antagonistas dos blindados; sofreu uma tentativa de assalto quando saída da favela de Vigário Geral (RJ). Lá foi ouvir reclamações sobre o abuso e truculência da polícia na área. Motoqueiros emparelharam com seu carro e, como ele não parou, atiraram contra seu veículo várias vezes.

Mas calma, ele não sofreu nada. O carro dele é blindado.

Em terra que reina a hipocrisia, um velho ditado é mais popular que qualquer outra coisa: “A Farinha é pouca? Meu pirão primeiro”.


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17 Responses to “OS DIREITOS, OS HUMANOS, A HIPOCRISIA E A VERDADE.”

  1. Grijó disse:

    Assim como seu post poreja consciência, seria interessante que discussões sobre o assunto, em todos os níveis – escola, família, igreja, comunidades -, fossem desencadeadas.
    Não chego a demonizar os meios de comunicação quando resolvem veicular opiniões. Vejo mais o problema na falta de educação de um público que não consegue (ou não sabe) discernir o que testemunha.

    Como sempre, passar por seu blog é refletir.

  2. César disse:

    hunf…

    “direitos humanos” aiai…

    isso só serve pra aumentar a impunidade e faz os bandidos se sentirem seguros mesmo :/

  3. Para te ser muito franco vi uma reportagem hoje, sobre a guerrilha urbana no Rio de Janeiro.
    Onde o governador tinha feito um convívio com o governo federal de fazer obras de infra-estrutura nas favelas.
    Só que os bandidos mandaram um recado que o policial que entrar na favela vai morrer.

    Não sei até onde isso é verdade, mas a coisa da violência do RJ,e a hipocrisia esta fora de controle

    []s L.sakssiad

  4. Thays disse:

    Olha, não concordo com a generalização de que “direitos humanos” é desculpa pra ajudar bandido. Acho que parte da própria mídia tenta passar essa imagem pra tirar a credibilidade de trabalhos sérios.
    Mas assim como em todas as áreas além do trabalho sério tb tem trabalhos que não são baseados em uma reflexão mais aprofundada levando justamente a posturas contraditórias e hipócritas.
    Achei realmente um absurdo esse cara ser contra o uso de blindados e utilizá-lo sendo que teoricamente ele está menos vulnerável à violência do que os policiais que estão enfrentando traficantes no morro!

  5. João Felipe disse:

    Ridículo! Culpar a polícia pelo que ela é paga para fazer…

    O pior é pensar que dependemos dela para ter “segurança”. Acho que é utopia uma sociedade que não necessite de polícia.

  6. Rafa disse:

    Creio que os direitos humanos continuam a ser um instrumento importante para não nós cairmos ainda mais na barbárie.Todavia,concordo com o quanto o fato é irônico. Os direitos humanos deveriam servir como instrumento para combater a fome, a desigualdade e a baixa escolaridade. Desse modo ajudaria a coibir a violência.

  7. [...] Descubra a notícia lendo Visão Panorâmica. [...]

  8. Lembro bem do dia em que o famigerado seqüestrador do ônibus 174 foi morto “acidentalmete” dentro do camburão. As entidades de direitos humanos se inflamaram de um jeito que nunca tinha visto. O criminoso virou um mártir e os papéis se inverteram.

  9. Stella disse:

    Direitos humanos. O problema é quando somente os direitos “humanos” dos bandidos são defendidos. E os direitos do cidadão?

    O cidadão comum, que paga as suas contas, que trabalha como um burro de carga por 6 meses só para pagar a máquina estatal, curiosamente não tem direitos.

    Muito acertado o que o caro amigo diz sobre o locupletamento das ONGs, afinal elas recebem $$ do governo federal. Aliás, pouco vejo de seriedade nelas.

    Curiosamente elas sempre aparecem para defender os marginais, mas se calam quando crianças são arrastadas pelas ruas do Rio ou quando pessoas são mortas friamente por não entregarem seus celulares.

    Enquanto isso os “carentes” que moram no morro, que utilizam-se de TV a cabo pirata, não pagam energia apesar de “ferrarem” com a rede elétrica com seus gatos absurdos, não pagam pelo abastecimento de água. Geralmente tem TVs de plasma na sala e dormem e cama box!

    Na minha modesta opinião, quem não tem atitude de ser humano não pode ser considerado como tal, e portanto não pode se utilizar dos direitos humanos como cobertor para sua desumanidade.

    Animais devem ser tratados como animais. O garotinho arrastado… ESSE SIM TINHA DIREITOS HUMANOS QUE NÃO FORAM RESPEITADOS!

    Não estou generalizando. Sei que existem pessoas de bem nos morros. Mas também conheço famílias pobres que ralam as mãos no trabalho para poderem pagar um aluguel e viver decentemente!(e não sair invadindo propriedade pública de forma desordenada e ainda por cima abrigar traficantes!)

    Aos policiais do caveirão… quando pegar um desses marginais, atire. Mas não atire para o alto a esmo não. Atire na cabeça. Atire para matar. Atire como se atira em um cervo na caçada.

    Peço desculpas ao cervo! Certamente ele tem mais humanidade que o champinha ou os outros tantos que infestam as favelas do Rio.

    Quanto ao douto advogado… só tenho a lamentar o carro ser blindado!

  10. Eis um blog de conteúdo inteligente, articulado e que me consola de ter lido tanta besteira procurando por “seu texto” a falar por mim,rs. Isnt it ironic? bjos!

  11. Jarbas Silva disse:

    Perdoe-me se sair um pouco do tema, mas pretendo dissertar sobre direitos humanos em um âmbito mais geral.

    Direitos Humanos… Nunca gostei deles. E não é porque eu acredito na política da tolerância zero, mas sim, porque duvido de suas supostas boas intenções.

    No papel, os Direitos Humanos constituem um objetivo nobre que deve, sim, ser buscado ativamente pela coletividade humana. O problema é que toda teoria necessita de uma implatação prática, sob pena de se tornar uma mera quimera descritiva, um floreio poético.

    Os Direitos Humanos trabalham em torno do chamado “mínimo ético”, que seriam um conjunto de regras básicas as quais todos os povos deveriam atentar em suas relações.

    Ótimo… Mas o que é esse mínimo ético?? De onde depreendemos este limite??

    Durante meu curso de direito, fiz insistentes perguntas neste sentido aos meus mestres que militavam na área, sendo uma destas pessoas, inclusive, uma grande expoente dos DH. Infelizmente, obtive, quando muito, apenas tergiversações, sendo mais comum ser completamente ignorado o meu questionamento.

    Então, analisando melhor o procedimento, percebi que o minimo ético é definido da seguinte maneira: geopolítica. Imposição do topo para a base. Ora, é simples… Os países que, em conjunto, possuem maior força política, utilizam o SEU mínimo ético e o IMPÕE às outras nações, literalmente atropelando sua soberania neste aspecto.

    Não podemos esquecer que nossas opiniões são embasadas pela cultura onde nascemos. Práticas que são consideradas bárbaras em um determinado lugar são corriqueiras em outro. Vacas são sagradas na Índia, e aqui, cultuam-se os hamburgueres. A pena capital é abolida em certos países, enquanto é permitida – e com requintes de crueldade – em outros, e assim por diante.

    Não estou defendendo penas cruéis ou coisas parecidas. Apenas estou dizendo que NÃO EXISTE MÍNIMO ÉTICO! A generalização que os Direitos Humanos pretendem implantar é artificial, e pra fins práticos, uma abominação legislativa! É um tapa na cara da autodeterminação dos povos!

    E eu exemplifico com um tema que é atual nos dias de hoje: o terrorismo.

    Práticas terroristas são condenadas por todos como atrocidades, barbáries. Os Direitos Humanos, claro, capitaneiam este navio de imputação de culpa.

    No entanto… Onde estão os Direitos Humanos quando a questão envolve os crimes de guerra? Se o conflito é considerado “legítimo”, então, não ousam se pronunciar sobre o assunto.

    Mas existe agressão legítima?

    Pensemos em um caso hipotético de duas nações em guerra. Se a nação de menor poderio militar é invadida por um país belicoso, temos por certo que uma defesa direta promovida pelo exército da nação menos guarnecida resultará em sua iminente derrota. Nessas horas, o ser humano se adapta à sua realidade. Foi o que aconteceu com o exército japonês ao utilizar os kamikazes contra a poderosa marinha americana. Foi o que aconteceu no Vietnam com as táticas de guerrilha empregadas pelos vietcongues…

    E táticas terroristas podem, também, ser uma forma de defesa “legítima” quando seu país não encontra outros meios de se defender.

    Ou deveria a nação mais fraca se submeter pacificamente ao invasor apenas porque possui menos poderio bélico?? É certo que seu povo lutará com todas as armas para se defender, inclusive o terror.

    Veja que usei o legítima entre aspas, porque estou utilizando o termo dentro da acepção dos Direitos Humanos.

    O terrorismo tira vidas assim como ataques militares “legítimos”. E os bombardeios desinteligentes americanos demonstram que em AMBOS os casos, mortes civis ocorrem – talvez até mais no caso da invasão armada.

    Se os DH tutelam o direito à vida, porque apenas atuam contra o terrorismo…?

    Peço desculpas pelo salto lógico, mas vou concluir porque já escrevi demais:

    O DH é, em última análise, instituído pelas nações mais influentes detentoras de exércitos poderosos. Estas nações possuem os meios para repelir injustas agressões militares ao seu país, e as convenções de guerra asseguram que quaisquer eventuais conflitos se restringirão ao campo de batalha. Seu país está a salvo. O melhor exemplo disso são os EUA.

    No entanto, o terrorismo é um inimigo sem rosto e que não respeita tratados e convenções… É difícil combatê-lo, e exércitos não são tão eficazes neste combate. E, principalmente, o terrorismo cria o medo, que surte efeitos psicológicos mesmo sem se movimentar. É um medo em perspectiva projetado pelo eco de suas ações passadas.

    Então, por estes motivos, eu concluo isto:

    Aos Direitos Humanos, não importa a tutela da vida em si, mas sim, o CONTEXTO POLÍTICO no qual se desencadeou o evento MORTE.

    Por este motivo, sempre desconfiarei dos Direitos Humanos… Trata-se, como tudo mais em política, de um jogo de interesses revestido de uma roupagem humanitária.

    (tudo o que escrevi se aplica ao seu texto. A situação nas favelas é de franca guerra civil, de conflito armado… E os armamentos apreendidos com os bandidos denotam isso.)

  12. PAULA D. ESTRADA disse:

    Que discurso reacionário esse aqui de vocês, reacionário e fascista. O “Caveirão”, blindado e fortemente armado, que entra nas favelas e áreas pobres da cidade com o discurso do “combate o tráfico de drogas”, na verdade agem assim para implantar o medo e não garantir segurança. Os policiais podem efetuar disparos e intimidar a população sem serem identificados, os alto-falantes do veículo, além de assustar, ofendem os moradores e moradoras das favelas, as mocinhas, os velhos e as crianças, ninguém é respeitado, alem disso, posteriormente a uma das “caçadas humanas”, desfilam pelas comunidades com corpos dos jovens assassinados presos nos ganchos do veículo. Aceitar o uso do Caveirão é aceitar o discurso e a desculpa para as execuções sumárias, tiroteios indiscriminados e outros abusos cometidos por forças policiais nas favelas contra os pobres. As favelas estão virando campos de concentração, o que está acontecendo lá é um bárbaro “etnocídio”, e os meios de comunicação (leia-se organizações Globo) apresentaram a violência policial como uma medida necessária, uma estupidez. Eu pergunto: o comércio de drogas foi desmontado? A polícia invade as casas, rouba e mata inocentes, o secretário de segurança diz na maior cara de pau que “quem não era bandido virou” e o que se vê são até crianças, assassinadas com requintes de crueldade, crianças sendo degoladas diante das mães, pode-se combater o crime com crimes…? É isso que vocês todos, muito polidos e intelectualizados, estão defendendo? O máximo que se consegue com essa atitude é o medo e a revolta, vocês acham que isso vai dar coisa boa no futuro? O irmão de uma criança degolada vai aceitar isso como um fato normal, corriqueiro? Como vamos cobrar civilidade e humanidade a quem tratamos com desumanidade por séculos…? Os moradores se encontram no meio do tráfico e da polícia, e a polícia é muito mais violenta do que o tráfico: invasões de domicílio, degola de crianças, roubos , mete a bota porta e invade residências como se fosse casa de ninguém. Quando a PM vai agir assim na zona sul, nas áreas nobres do Rio de Janeiro? Gostaria de saber. O “caveirão”, que vive circulando nas favelas do Rio, percorre as ruas da zona sul do Rio de Janeiro, os bairros de elite? Não se pode naturalizar essa situação de criminalização da pobreza. Uma parte da população, e vocês aqui se encontram, apóia esses métodos abomináveis, porque está tendo suas cabeças feitas pelos grandes meios de comunicação de massa, a Globo principalmente, passando a achar que “se é bandido, merece ser torturado ,se é bandido tem de ser morto”, mas a constituição não contempla pena de morte, muito menos sem julgamento. Aí vem vocês atacarem quem luta pelo direito desses cidadãos pobres, uma minoria, que não tem acesso aos grandes meios de comunicação de massa e são desqualificados por eles como “aqueles que defendem bandidos”, como foi dito aqui, e não podem se defender. Temos de pensar por que a mídia reforça isso, a quem estão servindo quando afirmam que “direitos humanos” não devem ser estendidos aos pobres, que nunca foram considerados humanos na nossa sociedade. A quem interessa produzir “territórios perigosos”, que são os territórios onde residem os pobres, como se toda a pobreza fosse bandida, criminalizando a pobreza? E que “bandidos” são esses que lá estão, que não saem da comunidade para comprar fuzis na Rússia, nem pasta de coca na Colômbia e a riqueza gerada pelo comércio ilegal não fica na favela? Isso ocorria na África do Sul, durante o regime racista do Apartheid: campos de concentração, comunidades consideradas perigosas foram cercadas, em nome da “qualidade de vida” de uns poucos, muitos precisam ser reprimidos. Em nome da qualidade de vida das elites cariocas, que são as produtoras da miséria e mantenedoras do crime (seja como viciados, seja como “importadores de armas”), a pobreza tem de ser exterminada, pois não há emprego para todos . O dito Estado de bem-estar social cada vez é mais mínimo e Estado penal é fortalecido e amplo. É o Estado penal, repressivo e punitivo, que está vigendo aqui no Rio. A socióloga e filosofa Marilena Chauí sempre diz que: antes eram os comunistas, depois os terroristas, hoje são os traficantes que são usados para justificar a repressão, e as elites aceitam, elas que são as maiores usuárias de drogas e negociantes no comércio elícito de armas, e o que é pior: acham isso natural. Esse individualismo, é a maior pragas do capitalismo, porque desconstrói a gentileza e a solidariedade para com o próximo, é o que se vê aqui, neste discurso facistóide, além do mais quem está certo é o rapa:
    A minha alma está armada / E apontada para a cara do sossego
    Pois paz sem voz / Paz sem voz
    Não é paz, é medo
    P.S.: Vocês devem estar se perguntando como sei disso tudo: sou professora na comunidade dos “Macacos” e na do “Alemão” (município e estado respectivamente).

  13. grandfather disse:

    … SABEMOS QUE TODA A COCAÍNA, MACONHA E AS ARMAS QUE O TRÁFICO USA, PASSAM PELAS MÃOS DOS POLICIAIS (PM E CIVIL), QUE AGEM COMO GAROTOS DE RECADO DAS ELITES,ALIMENTANDO A PERVERSIDADE QUE ESTA SITUAÇÃO ENGENDRA.

    PARABÉNS PAULA, ALGUÉM PRECISAVA LHES DIZER ISSO, ABRAÇÃO!

  14. Direito de resposta:

    Olá Paula!

    Tenho certeza de que quando a polícia chega nas favelas é recebida com flores e gritos de “VIVA!”.

    Se assim fosse, não seria necessária a presença do caveirão e nem de nada do gênero. Também se os moradores denunciassem as quadrilhas seria fácil efetuar operações localizadas e precisas.

    Talvez, de tomarmos como exemplo uma das favelas que não tem criminalidade porque é sede da unidade de treinamento do BOPE, seríamos muito mais justos. Lá, cogitou-se em retirar a unidade do local. Os moradores “em peso” solicitaram a permanência.

    O que ocorre, é que é muito fácil postar-se ao lado dos discursos de “direitos humanos”. A grande realidade, é que o tráfico é sustentado e mantido tanto pela conivência dos moradores quanto pela classe média e alta que, com sua hipocrisia, dá o suporte econômico as quadrilhas.

    Se existem excessos, e certamente existem, devem ser combatidos e expurgados. Mas através de denúncias, deixar-se as favelas como território livre para o tráfico não é a solução. Você deveria perguntar as centenas de famílias expulsas de suas casas ou com filhas obrigadas a se prostituírem para o tráfico, se elas acham a intervenção da polícia inadequada e a “paz” proporcionada pelos traficantes adequada.

    O que deve acabar, não é o caveirão, mas sim a mentalidade de escravo que norteia nosso povo. Submete-se a qualquer abuso, seja de que lado for, e se cala. Aceita tudo e sabe apenas reclamar e choramingar. Esquece que o poder está com ele mesmo e que unido, é mais forte do que qualquer coisa.

    Então você pode dizer: “Se denunciarem e agirem serão mortos.”

    Sim, se abrirem suas bocas nas favelas sim. Mas e se ligarem de um tel público, anonimamente em uma parte distante da cidade? Você acha que o tráfico tem escutas e espiões em toda a parte? Acha que os moradores são seguidos um a um pelas ruas; tendo seus movimentos vigiados a cada passo? Claro que não. Não o fazem porque se locupletam do tráfico, através de gatos disso e daquilo e outros “benefícios”.

    Quem cala consente e é conivente com a bandidagem.

    Quanto a tortura de bandidos, sou contra. Eles devem ser eliminados do convívio da sociedade e, se resistirem, exterminados imediatamente. Se você acha um absurdo, pergunte as milhares de famílias de vítimas que se avolumam diariamente. Pergunte as famílias das estupradas, das assassinadas em tenra idade por um tênis, um celular ou dez ou vinte reais que traziam em suas bolsas. Pergunte a essas centenas e milhares de famílias enlutadas se elas tiveram “a cabeça feita” pela Rede Globo.

    Sinto informar-lhe, mas discurso reacionário é o seu, que opta pelo caminho fácil dos “coitados”. Opta por repetir frases feitas e “bombásticas” em prol de uma realidade distorcida e irreal.

    Abusos são cometidos. O famoso “pé-na-porta”, como você diz, é um mal real. Mas se a vítima fizesse sua voz ser ouvida, isso acabaria.

    Se a população das favelas não se prestasse a trabalhar como massa de manobra em seus “protestos” com vandalismo e a serviço dos traficantes, os bandidos não infestariam as comunidades.

    É como você diz em sua “frase feita final”: “Pois paz sem voz / Paz sem voz
    Não é paz, é medo.”

    Você mesma disse: Quem se cala e se omite tem medo.

    Então, não me venha falar de reacionarismo, não me venha falar de violência. Por onde caminho; se vejo um ponto de venda de drogas, consumo ou irregularidades, vou ao tel público longe de onde moro e denuncio anonimamente. E logo, logo a “farra” acaba. Assim, minha comunidade vive em relativa paz.

    E você? Que bate no peito orgulhosamente dizendo trabalhar na favela? Faz a sua parte como cidadão ou é apenas mais uma omissa com um discurso bonito?

    Aqui é uma tribuna de debates, sua opinião é importante e respeitada. Contudo, julgar reacionário algo que é reflexo da mais pura realidade, é uma infantilidade sua.

    Se os bandidos não recebessem a polícia com tiros, não seria preciso um veículo blindado. Se a comunidade fizesse a sua parte e não se omitisse, não seria necessário efetuar grandes operações nas favelas. Se o povo não tivesse a mentalidade de escravo que tem, os bandidos não criariam seus “feudos” levando a morte e a destruição a centenas de pessoas

    Enfim, a culpa é de todos e de cada um. Minha, sua, do favelado e do governo. Cabe a nós, fazermos nossa parte e mostrar que sabemos o que realmente significa a palavra cidadania.

    PS: Como sei disso tudo? Trabalhando com as vítimas e em diversas favelas do Rio. Não moro na Barra e nem fico num escritório com ar condicionado. Vivo nas ruas e vejo a realidade, não discursos politiqueiros.

    Um abraço, obrigado pelo seu comentário e seja sempre bem-vinda.

    A. Maximus

  15. Grandfather

    Olá Grandfather

    O que você diz, é sabido, publico e notório.

    Contudo, se você tivesse lido o texto do artigo, saberia que o assunto abordado não trata absolutamente da defesa de policiais ou da visão de “inocentes”.

    O artigo trata da hipocrisia dos defensores dos direitos humanos que lutam contra o “caveirão”; quando, eles mesmo, andam pelas cidades pilotando seus carrões blindados.

    Se confiam tanto assim no que pregam, porque não usam caros comuns? Porque sabem que a realidade da bandidagem é essa, atirar primeiro e pensar depois.

    Então meu caro, antes de expressar sua opinião, imagine-se lo lugar dos que combatem a marginalidade e pense que se te dessem a ordem de entrar numa favela para salvar alguém ou prender um marginal, se você preferiria ir “de peito aberto” ou num veiculo blindado. Afinal, as pessoas que você enfrentará, não lhe atirarão flores…

    Se desejar, coloquei um pequeno texto (que já enviei por e-mail à Paula com a minha visão dos fatos) lá nos comentários do blog.

    De qualquer forma, o fórum aqui é livre e sua opinião mesmo diferente é respeitada e querida.

    Obrigado por seu comentário e seja sempre bem-vindo.

    Um abraço.

    A. Maximus

  16. joão tancredo disse:

    Não costumo responder comentários na internet por entender ques estas refletem a livre manifestação de pensamento.

    Continuarei sem responder.

    Todavia, acho que um esclarecimento se faz necessário: meu carro foi blindado em razão da existencia de inúmeras ameaças que vinha sofrendo em razão de nossa atuação no combate à política de confronto defendida e sustentada pelo governo do estado, que culminou com a morte de João Roberto (uma criança de 3 anos).

    Quanto ao fato ocorrido no dia 19 de janeiro, o que se apurou até agora é que os tiros disparados em direção a minha cabeça foram disparados pelos autores das mortes que fomos apurar.

    Esclarecidos, penso que agora as críticas sejam ao menos fundamentadas.

    Muito obrigado

    João Tancredo

  17. Olá Sr. João Tancredo!

    Em primeiro lugar gostaria de agradecer a sua participação.

    E depois, como o senhor menciona, (e eu acredito) sua atuação deve mesmo manter sua vida em constante risco e (como todos) o senhor tem pleno direito de exercer todos os esforços para a sua proteção e de sua família.

    A crítica existente no artigo, não se refere ao fato de (graças a Deus) nada mais grave ter ocorrido. A crítica se dá ao fato de que há muita “agitação” na questão do uso dos blindados pela polícia. Mas, como vemos diariamente, eles são um fator salvador de vidas e são essenciais ao desempenho das funções da polícia hoje. Especialmente no Rio de Janeiro.

    Como podemos perceber, ao assistirmos as reportagens exibidas nos programas policias na TV (com farto fornecimento de imagens). Aquela velha “história” de que um bando de animais sedentos de sangue invadiam as favelas atirando para todos os lados e invulneráveis graças ao “Caveirão”; não é bem a verdade.

    Animais e carniceiros (assim como elementos despreparados) existem na polícia; e ninguém seria irresponsável a ponto de negar tal fato. Contudo condenar o uso dos “Caveirões” é muito fácil quando não se tem que encarar fuzis e armas automáticas.

    Como o senhor mesmo disse, sua vida foi salva pela blindagem, E entendo que esse episódio possa ter influenciado seu pensamento subseqüente.

    Da mesma forma que repito: graças a Deus, sua vida foi salva; devemos também permitir que os policiais tenham ao seu lado a mesma proteção. Pelo menos quando em ação. Já que não dispõem de meios para blindarem seus veículos.

    Os desvios de conduta do policial; devem ser punidos com rigor até maior do que os crimes cometidos por bandidos comuns. Em minha opinião, é claro. Contudo, eliminar os blindados é um erro e uma potencialização do poderio dos traficantes.

    Sabemos muito bem que as associações de moradores, os moradores e todos que vivem e convivem em torno das favelas são coniventes com a bandidagem. Muitas vezes não porque desejam ser. Mas porque são obrigados a agir assim para que possam viver. Por isso mesmo, antes de considerarmos 100% verdadeiro tudo o que é dito (por ambos os lados), devemos nos ater aos fatos. Pois, como alguém disse: “Numa guerra, a primeira vítima é a verdade”.

    E nisso todos concordamos.

    Achar que apenas com “o social” refrearemos a marginalidade é um erro grave que já foi cometido por vários governos. Achar também que só com a violência resolveremos o problema, também é uma ilusão. Queremos poder andar elas ruas; queremos poder ir a um cinema, a uma boate a uma festa sem que traficantes e bandidos armados (ou policiais despreparados) nos matem. E a atual política de criminalizar apenas as ações policiais e favorecer o criminoso como se ele fosse uma “vítima” infeliz da sociedade, é danosa para todos. Se isso fosse verdade, todos os pobres e desvalidos seriam ladrões e traficantes; e todos os ricos seriam honestos. Mas sabemos que a realidade é cruel e bem diferente.

    Um exemplo clássico dessa visão paternalista e errônea é o ECA. Basta analisarmos o estrondoso crescimento do número de menores infratores após a aprovação do estatuto. Um “avanço” segundo as entidades assistenciais.

    O problema da violência deve passar antes de tudo, por uma reforma em nossa polícia e em nossa sociedade. Pelo combate real e massivo a corrupção policial e aos sinais de riqueza aparentes: como soldados PM’s que dirigem carros importados (por exemplo).

    Como é possível que ninguém note, quando os estacionamentos de alguns batalhões e delegacias são recheados de verdadeiras “fortunas sobre rodas”?

    Mas isso, nenhum político quer… Infelizmente.

    Para eles, uma sociedade que questione, pense e opine; é uma ameaça intolerável.

    Convido o senhor a participar aqui neste fórum, sempre que sua agenda permitir. E agradeço que tenha disponibilizado seu tempo, num dia de paz com sua família, para vir aqui e levar uma luz aos fatos.

    Se mais pessoas tivessem essa coragem e hombridade, nosso país seria um lugar melhor. Pois nossas autoridades poderiam se inteirar melhor sobre o que anda pela cabeça da população.

    Obrigado, mais uma vez.

    Seja sempre bem-vindo.

    Arthurius Maximus

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