FADAS, DUENDES E A ESTÓRIA DO BOITATÁ.

Você é hipócrita?
Lendo um artigo escrito pelo juiz Siro Darlan, onde ele traça um paralelo entre o personagem “João Estrella” e o traficante “Tuchinha” do morro da Mangueira no RJ (um dos mais sangrentos chefes do tráfico que a cidade já viu). Percebo claramente como a visão deturpada e romanesca que certas autoridades, ligadas ao judiciário brasileiro, tem da criminalidade nas grandes cidades beira ao quixotesco e ao folclore.
Nesse artigo, o juiz acusa a sociedade de hipócrita e critica a todos por terem manifestado sua opinião contrária à liberação desse perigoso traficante, antes que tenha cumprido a sua pena. Beneficiado pela lei pró-crime brasileira, Tuchinha foi condenado a 43 anos por vários crimes e é investigado por outros mais. Tendo em sua conta vários homicídios que as investigações sem recursos, não conseguiram provar. E, com apenas alguns anos cumpridos, teve a liberdade garantida.
Para o juiz, Tuchinha, foi “injustiçado”. Ao tentar reintegrar-se a sociedade, com sua nova carreira de compositor se sambas e pagodes, o traficante foi execrado e visto com desconfiança. Tendo, por isso, sua reabilitação comprometida.
Meritíssimo, me desculpe, mas quando eu era bem criancinha; mamãe me ensinou a contar: “Meu filho; dois mais dois são quatro” – Ela, em sua sabedoria simples repetia e me ensinava. Mais tarde, já na escola, tive a confirmação de que ela estava certa.
Mas, lendo seu artigo, sinto-me tragado por um vórtice temporal e levado a um universo paralelo onde essa realidade matemática é elástica. Sendo possíveis milhares, se não milhões, de variações para esse resultado. E a física que conhecemos é mera lenda.
Vamos, então, nos ater as leis da física deste universo e somar juntos:
Tuchinha é libertado + Tuchinha ganha samba enredo da Mangueira + Mulher de Fernandinho Beira-Mar é homenageada pelo presidente da Mangueira + Descoberta passagem secreta do tráfico na quadra da escola + Denúncias de que traficantes comandam a bateria e a escolha da rainha da bateria da Mangueira = Tuchinha atuando.
Pode ser que, em sua visão magnânima e acostumada às mordomias do judiciário e aos inúmeros salamaleques e rapapés distribuídos em profusão; a liberdade do Tuchinha não esteja relacionada aos fatores da equação acima. E que toda a sociedade seja mesmo hipócrita e queira banir um assassino sanguinário e um marginal perigoso de seu seio. Se assim for, me incluo no grupo dos hipócritas com muita honra.
Ora meritíssimo, não estamos falando de batedores de carteira, estelionatários ou ladrões de galinha. Estamos falando de facínoras que não hesitam em matar centenas de pessoas apenas para garantir seu poderio. Estamos falando de sádicos e psicopatas que ordenam a morte de inocentes em algo chamado “microondas” (o corpo é preso a pneus, banhado com gasolina e é ateado fogo com a vítima ainda viva).
Animais como esses, mesmo que se arrependam, devem apodrecer em cadeias fétidas e escuras. Execrados e banidos da sociedade a qualquer custo. Pois, não é pelo fato de terem se arrependido, que devem ser perdoados de seus crimes. Pergunte a quaisquer das centenas de parentes das vítimas desses animais. Pergunte a mãe de João Hélio, se ela adora que o algoz de seu filho seja protegido pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Seu artigo, meritíssimo, lembra-me muito as lendas do Saci Pererê, da Mula Sem Cabeça, do Caipora e as Estórias do Boitatá. Meros contos folclóricos onde criaturas malignas perseguem os índios ou os caboclos na mata.
Enfim. Acreditar que criminosos dessa natureza são injustiçados pela sociedade, em minha opinião, é a verdadeira hipocrisia.
E você leitor, o que acha?
Leia o artigo aqui.
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Mas há um postulado constitucional que garante que todo indivíduo tem direito à integração social.
Claro que isso é balela, mas é um dos pilares da democracia moderna.
O grande problema é justamente esse: a democracia é sustentada pela balela.
Seu raciocínio é perfeito, mas qualquer tribunal dirá que é inconstitucional.
(Demorei para encontrar onde clicar para comentar. Geralmente fica embaixo do post, e aqui é em cima. Já estava desistindo quando achei).
E faço de tuas palavras a minha:
“Se assim for, me incluo no grupo dos hipócritas com muita honra.”
Eu também faço parte do grupo que tem orgulho de ser hipócrita neste caso..
Creio eu que direitos humanos devem ser para as pessoas de bem, não para assassinos, a história do ‘olho por olho, dente por dente’, ainda deveria ser aplicada, creio que a criminalidade diminuiria muito.
Eu me pergunto muitas vezes, até quando o Brasil ficará atrasado deste jeito?
Ele também culpa a condição desumana das cadeias pela não recuperação de presos. Toda pessoa esclarecida sabe como é a situação das cadeias em nosso país. Ele é desembargador e com certeza amigo de muitos políticos. É dever dele fazer uma forcinha para a construção de novos presídios, para melhorar o sistema carcerário. Sempre fui a favor de que os presos possam realizar trabalhos, como vemos em filmes presos limpando laterais de estradas, fazendo placas de carro. Acho que seria uma boa mão de obra para construir novos presídios. E esse trabalho valeria diminuição da pena.
A sua matemática sobre o morro da Mangueira é precisa. Minha mãe já dizia: “confiança não se compra, se conquista.” E esta é uma batalha que o Tuchinha vai ter que encarar a cada dia, assim como o Estrella deve ter tido desconfiança por parte das famílias tradicionais ao voltar para a sociedade.
Concordo que existe uma diferenciação no tratamento por conta da origem do criminoso, mas não podemos esquecer que são todos ex-criminosos. Não tenho como afirmar se os crimes de Estrella foram menores do que aqueles cometidos por Tuchinha e cada um terá sim tatuado na testa a marca de ex-criminso. Mas cabe a cada um lutar contra ex-conhecidos para conquistar a confiança da comunidade e da sociedade.
Mas a Justiça parece-me às vezes que está mais para fazer “in” que para fazer jus.
acho sim que o dito cujo deve ser solto. Café da manhã, jantar, televião, encontros íntimos. Qual o problema, se ele tambem é filho de Deus?
Confio plenamente no senhor Siro, pois com certeza, ele será o anfitrião deste elemento.
Um abraço.
Se vinga naqueles que tem os direitos tão suprimidos quanto você.
Matar e roubar não é mais tão ruim. No Brasil se prende mesmo quem não paga pensão e quem rouba galinha.
abç ^^