COISAS ESTRANHAS, TENDÊNCIAS E ESQUISITICES.

Atribuem a Charles De Gaulle ao visitar o Brasil disse: “Este não é um país sério”. Na realidade, isso nunca aconteceu; mas está marcado no folclore popular e político de nosso país. Mas, seja lá quem quer que tenha inventado essa estória; sem dúvida alguma foi profético. De lá para cá o Brasil além de não se tornar um país sério, tornou-se uma nação estranha e surreal. Onde o cidadão de bem e cumpridor das leis vive trancafiado atrás das grades e se vê proibido de sair à noite; enquanto os marginais e bandidos em geral dominam completamente o cenário das grandes cidades. Trafegando livremente onde quer que desejem.
Assim como nas célebres palavras atribuídas a De Gaulle, o Brasil transformou-se numa piada de mal gosto ao permitir que a honestidade passasse a ser sinônimo de vergonha e de imbecilidade; enquanto a corrupção e a (má) esperteza fosse atribuída a elementos “da mais alta estirpe” e reverentemente chamados de “Vossas Excelências”.
Se você duvida disso e se irrita ao ler essas palavras, o que dizer da decisão da Comissão de Valores Imobiliários de São Paulo ao punir hoje o ex-governador Lembo, por ter vazado informações sigilosas que levaram investidores da Nossa Caixa a auferirem lucros milionários? Ao invés de investigar-se a possibilidade de que algum parente, assessor ou pessoa chegada ao governador tenha se beneficiado com a notícia, deu-se a ele a ridícula “punição” de escrever algumas cartas dizendo que ele enganou-se e desconhecia as normas e regulamentos para a divulgação dessas informações.
Ora! Para onde foi o preceito legal que diz que o desconhecimento da legislação jamais será admitido como desculpa para descumpri-la? Por que não obrigá-lo a enviar as cartas, mas mesmo assim recolher a multa de R$ 100 mil reais? Será que se Lembo fosse “um homem do povo” teria essa benevolência?
O país pode ser chamado de sério, quando uma CPI que investiga os desmandos do sistema carcerário nacional; constata que os secretários de segurança e governadores não aplicam o que deve ser aplicado nos presídios e nem fazem a gestão correta dos mesmos e resolve indiciar a todos para que sejam punidos. No dia seguinte a publicação da notícia, o relator e os membros da comissão vêm a público e dizem que mudaram tudo. Indiciarão apenas a “Figura Jurídica do Estado”. Afinal, os políticos que lá estão não podem ser penalizados por décadas de abandono.
Muito sensato o pensamento. Aliás, devemos aplicar o mesmo raciocínio a todos os criminosos. Afinal, cometem-se crimes desde que o “mundo é mundo”.
O presidente da república vai a público e defende os recentes deputados, que já são réus em diversos processos, e estão envolvidos em mais um grande desvio de verbas referente ao PAC. Alega que “não devemos condenar antecipadamente”. E ele está certo. Contudo, não devemos condenar quando não há provas. E, além da ficha pregressa, há provas contundentes sobre o caso. Logo depois, em uma solenidade, o mesmo presidente que acabara de defender os corruptos declara que deve haver uma reforma eleitoral e que os candidatos “com ficha suja” não devem participar de eleições. O caso seria hilário se não fosse triste e demonstrasse com clareza o nível do jogo político a que nosso presidente se submete com fervor.
Um outro caso interessante e emblemático foi estampado com destaque nos jornais televisivos, na Internet e impressos; como se fosse algosobrenatural: “Turistas são assaltadas em frente ao Congresso Nacional”.
E eu digo: Você acha isso esquisito?
Pense nisso.
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Falta vergonha na cara desses safados que estão no congresso e na vida pública do país.
Abraço
Não sei se concordo com a colega acima. O judiciário é sim ineficiente e lerdo, mas acho que a principal causa de seus desmandos é a própria legislação cheia de lacunas.
As leis no BRasil são feitas por criminosos, para criminosos. Eu convoco os curiosos a darem uma lida principalmente na CF. É um festival de lacunas e “se”, normas em branco, omissões, etc.
Entulharam a Constituição de disposições sobre assuntos que não deveriam ser tratados (pelo menos não lá) e de quebra a rechearam de dispositivos falhos e dúbios.
Por que será?
Há muito tempo no Brasil o povo é um detalhe, que somente é lembrado em época de eleições. E o que preocupa é que este detalhe vem se tornando cada vez mais insignificante.
Até quanto ficaremos contando migalhas? Sei não…
Bom, este post dá mesmo para pensar o quão sãos de mente são os que governam os nossos países…
um abraço grande
Na verdade funciona muito bem, pois como disse Themis, as leis foram feitas de bandidos para bandidos, defendiadas pela Organização Amiga da Bandidagem, vulguo OAB, logo, como o povo só existe na lei na hora de perpetuar a sacanagem (pois quando não é ignorante é permissivo) e olhe lá.
Ah sim, também lembram do povo em ano de copa e na hora de aumentar tarifas e impostos.
O povo se contenta com pouco e, cada vez mais, o voto perde seu sentido.
A consequência disso é ascensão da corrupção no país…ser político, além de ser sinônimo de ladrão, também virou sinônimo de dinheiro fácil.