Eles vagam por corredores frios; dos mais puros mármores e granitos reluzentes; compenetrados em sua seriedade e altivez exacerbadas, vagam pelos interiores de seus palácios superfaturados dispostos a tudo; certos de que foram predestinados a contribuir com seus excelsos poderes para que os maus paguem por seus pecados e os bons sejam salvos das agruras e das garras da injustiça. Por isso mesmo, se julgam dotados de poderes divinos e misteriosos. São capazes de ver além das aparências e perceber claramente o que vai pelo mais profundo e recôndito interior da alma humana.
Na Bahia, já se intitularam “acima dos seres humanos comuns”. Em outro estado, já se julgaram ofendidos por um mendigo aparecer diante de um de seus iguais vestindo uma roupa rasgada e um sapato furado; recusando-se a julgar sua demanda. Já apontaram seus dedos acusadores e ameaçadores para mães e pais famintos que, num gesto de desespero, roubaram um pedaço de pão; um pouco de manteiga; um sorvete ou um pouco de carne. Condenando-os a viverem no meio de traficantes e assassinos sádicos, por terem roubado para comer. Já clamaram indignados, diante da afronta inimaginável, de terem seus pertences roubados nas ruas; ao serem abordados por assaltantes que não demonstraram pudores diante de seus poderes divinos.
Envoltos em suas togas negras e anacrônicas, sentem-se transportados no tempo para uma era em que o ser humano era julgado baseado em suas posses e em seu parentesco. Não titubeiam por um único instante, em deitar a pesada clava de seu poder sobre os indefesos e miseráveis. Enquanto, ao mesmo tempo, adulam e favorecem os ricos e poderosos. Quando roubam, cometem crimes ou são apanhados em algum delito; o castigo máximo a que estão sujeitos é o de serem recolhidos as suas suntuosas residências e viverem, o resto da vida, recebendo os dividendos de sua desonestidade. Através de polpudas e vultosas aposentadorias e pensões.
Através de seus saberes místicos e insuflados pelos deuses, deturpam a realidade de acordo com sua vontade e com a conveniência do momento. Dizem seguir as leis. Mas, quando é de seu interesse, interpretam essas mesmas leis e as distorcem para acomodá-las aos seus desígnios egrégios.
Se você chegou até aqui e não sabe de quem estou falando: “Eles” são os juízes brasileiros. Quer saber o motivo disso tudo? Ora, amigo leitor. Se não bastassem os casos do Nicolalau, Paulo Medina (STJ), José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo Regueira, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, o juiz trabalhista Ernesto da Luz Pinto Dória e o procurador Paulo Sergio Leal (Operação Hurricane). Surgem agora esses últimos acontecimentos:
O recente caso Daniel Dantas onde o Ministro do supremo Gilmar Mendes de indigna por um corruptor e um ladrão ser preso pela Polícia. Curiosamente, os mesmos argumentos que ele usou para conceder o Hábeas Corpus para Daniel Dantas, não foram tão efetivos para o caso do punguista que tentou roubar o cordão do (mesmo) ministro na Bahia. Mesmo sendo réu primário, tendo residência fixa e não tendo antecedentes criminais; o “facínora sanguinário” que sequer conseguiu consumar o furto; segue apodrecendo atrás das grades. Quem sabe, se um milhão de dólares aparecesse…
Em outra participação de nossos “Deuses Olímpicos”; a chegada de Cacciola ao Brasil foi um festival de escárnio e de achincalhe a uma nação que já não suporta ser ridicularizada. Mesmo tendo fugido da justiça por oito anos e ser declarado foragido; constando na lista de prioridades em relação à caça de fugitivos pela polícia brasileira, o ministro do Supremo foi taxativo ao dizer: ”Que Cacciola estava tecnicamente certo” ao afirmar que não poderia ser chamado de fugitivo. O ministro continuou preparando o terreno para mais uma pizza ao comentar: “Vários gestos nossos têm diversos significados. Fazer algo no nosso convívio social pode significar uma coisa e, para a Justiça, pode significar outra totalmente diferente. Não estou prejulgando, estou apenas dizendo que várias leituras podem ser feitas a partir de tomada de posições, de iniciativas das pessoas”, (Fonte: Folha On-Line)
Como todo mundo sabe, Cacciola roubou milhões de dólares e tem uma fortuna incalculável no exterior. Não é à toa (pelas declarações do ministro) que Cacciola se diz “tranqüilo” e que “confia na justiça brasileira”.
A pergunta agora é: Até quando?
Pense nisso.

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[...] o artigo de hoje no Visão Panorâmica. Tags: Blog, cacciola, gilmar, panorâmica, supremo, visão Está entrada foi adicionada em [...]
Pode deixar, que ja estou pensando a respeito. O problema dos juízes e todo o poder do governo, é que eles em geral (toda regra têm exceção) interpretam as leis em favor a si próprios, o que é uma p#t@ sacanagem com o povo brasileiro. Até quando vamos ficar de olhos tampados para isso? Até quando o povo brasileiro vai ignorar seu poder de reivindicar, de dizer “Basta!” a esta merda toda?
Abraços
Arthurius, só tenho uma coisa para lhe dizer:
Palmas por esse texto.
Posso complementar o finalzinho?
Pois bem, eu complemento:
Pense nisso e faça alguma coisa.
O maior problema é que a população na sua grande maioria está mais interessada na novela da Globo, quem matou, quem traiu, outra parte dessa massa (que acertadamente Zé Ramalho compara com gado) está pensando se o São Paulo, se o Flamengo, se o ‘Curintia’ vão subir, vão cair…
Enquanto o povo não aprender votar e reclamar seus direitos nada vai mudar, nada.
É tudo uma questão muito simples e complexa ao mesmo tempo: educação.
Ainda serão décadas pra algo começar a realmente mudar nesse país e entrarmos ao mundo ‘civilizado’.
Pois é Mau!
Ao invés de só reclamar e se indignar, o povo deve entender a sua parcela de culpa em tudo isso e agir. Desejar mudanças sem mudar a si mesmo é impossível.
Um abraço e obrigado por seu comentário.