Sabe aqueles dias em que você não encontra nada que te inspire para escrever? Pois é. Hoje ia ser um desses dias para mim. Mas bastou acordar e ligar a televisão para ser devidamente apresentado, durante o café da manhã, ao verdadeiro festival de barbaridades e imbecilidades que todos os dias se derrama sobre o cidadão comum em nosso país.
O cardápio de absurdos, começa quando uma rede de televisão mostra uma reportagem sobre um acusado de um crime bárbaro, Gil Rugai (assassinou o pai e a madrasta que descobriram desfalques na produtora musical da qual era diretor financeiro), que goza de liberdade graças aos nossos juízes do STF que lhe concederam o direito de aguardar o julgamento solto. Curte sua liberdade a dois passos das fronteiras abertas entre Brasil, Argentina e Uruguai; na cidade de Santa Maria no Rio Grande do Sul.
Até aí, tudo bem. Nada mais normal que alguém acusado de crimes bárbaros com recursos financeiros ilimitados, provas contundentes contra si (como a arma do crime achada em seu poder) e bons advogados; não seja capaz de conseguir. Os “requintes de crueldade” se devem ao fato de ele sequer ter-se dado ao trabalho de comunicar à justiça que “estava de mudança” para bem longe de seu domicílio e para bem próximo da fronteira. O mais dramático nem é isso. Pois, como bandido, tem todo o direito de fugir e esconder-se para escapar de sua punição. O pitoresco da história toda; é que a reportagem exibida, “em primeira mão”, pela Rede Record de Televisão vá ao ar ANTES que o Ministério Público seja avisado do feito.
E o mais dramático é ver como promotores de justiça, em nosso país, podem ser dotados de “inocência infantil” exacerbada (assim como nossa justiça em geral). Ao ser “informada” ao vivo do ocorrido, a promotora do caso informa que pedirá a prisão do acusado “nas primeiras horas de funcionamento do fórum” e que “pede ao acusado que não fuja” e aguarde a prisão onde quer que esteja.
Chega a ser hilário ouvir uma imbecilidade desses durante o café da manhã. Cheguei a imaginar a cena. O camarada lá, a dois passos da fronteira aberta e não vigiada, acorda hoje bem cedo e recebe ligações desesperadas dos parentes que o estão ajudando (mostrado na reportagem); dizendo que a polícia “descobriu” onde ele está; pediu sua prisão e vai a sua captura. Ele, então, arrependido. Fica sentado em casa (a dois passos da fronteira e da liberdade final), examina sua conta bancária polpuda no “home banking” e simplesmente não faz nada até que “lá pelo final da noite”, a polícia bata em sua porta para prendê-lo.
Isso sim é que é acreditar no ser humano.
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“E o mais dramático é ver como promotores de justiça, em nosso país, podem ser dotados de “inocência infantil” exacerbada”
Isso quando o réu tem bastante dinheiro. Aí a justiça apresenta uma inocência infantil comovente.
E outra coisa. Quando é réu rico a justiça pede. Quando é um pobretão, a justiça “intima”.
adoro os teus posts, arthurius.
é verdade que nos esforçamos sempre muito, e é verdade também que o próprio mundo cruel, pode ser, igualmente, uma inspiração para escrever nos blogs…
um grande abraço.
Assistimos pasmos mães esquartejando filhos, quando não jogando-os janela abaixo ou mantendo-os presos servindo de escravos sexuais. Muitos crimes hediondos usados pela mídia para chamar nossa atenção. E o sistema judiciário nos garante o que? Qual criminoso se intimida? Qual se regenera quando sofre a pena? Qual seria uma pena justa?
Querem saber? Eu parei de ver esse tipo de notícia, pois me deixa pra baixo e me torna uma pessoa pior a cada dia. Quero acreditar em mim, quero acreditar no próximo, quero acreditar que o ser humano se importa. E que ele não quer apenas receber seu vencimento de servidor público ao fim do mês. Mas o que mais quero acreditar é que existem muitas pessoas que não aceitam essa situação e outras tantas que estão lutando com todas as forças para que isso mude.
HAHAHAHA…nada mais natural né? Talvez ele vá até a locadora pegar um dvd enquanto espera a polícia prende-lo. Tem coisas que só rindo mesmo né brother? PQP…..
Abraço!