
Que a justiça brasileira tem dois pesos e duas medidas bem diferentes para julgar os indivíduos que caem nas barras dos tribunais, todo cidadão brasileiro está careca de saber. Que uma “fala mansa”, um endereço nobre e uns carros importados na garagem fazem toda a diferença na hora de encarar “o homem da capa preta”; também todo mundo sabe.
O que agora suspeitamos, é que está sendo criada uma verdadeira rede de proteção baseada na “alegada” defesa dos direitos individuais (que nunca antes importaram tanto) para impedir que investigações de atividades de grandes financistas e de corruptores notórios tragam a tona alguma “figura honrada” de governos atuais e passados.
Mais uma vez, numa decisão que toma ares estranhos pela “zelosa” defesa de coisas que antes “passavam em branco” pelos tribunais brasileiros; a segunda turma de uma das nossas cortes supremas, mais uma vez, livra das garras da justiça alguns grandes empresários acusados de lavagem de dinheiro e de desvio de divisas. O russo Boris Abramovich Berezovsky e seus representantes, os iranianos Kiavash Joorabchian e Nojan Bedroud; além do pessoal do Corinthians que eram co-réus no processo.
Tudo porque o advogado do russo alegou que não pode “fazer perguntas” aos outros réus durante o interrogatório. Um detalhe: Tanto o russo quanto os iranianos estão foragidos desde que “assinaram um compromisso” afirmando que estariam presentes aos interrogatórios e durante o julgamento dos processos (que agora correm a revelia).
É interessante como criminosos procurados mundo a fora (são suspeitos de integrarem a máfia russa e procurados em diversos países do leste europeu); tem um tratamento todo especial da justiça brasileira que os cobre de regalias e aceita “a palavra de honra” de que ficarão aqui para serem presos ao fim do processo. Isso sem levar em consideração que eles fugiram até de suas próprias pátrias, para não serem presos, e vivem sob asilo na Inglaterra (apenas porque se apresentaram como “perseguidos políticos” do Irã e da Rússia).
O que mais revolta, é que mesmo os réus não tendo cumprindo “o acordo” e estando foragidos, ainda sim ganham regalias e gentilezas enquanto curtem no exterior a fortuna que lavaram aqui. Daria pena da inocência dos integrantes do nosso Judiciário, se não suspeitássemos que esta é mais uma das medidas que visa estabelecer jurisprudências especialmente feitas “sob medida” para a proteção futura de Daniel Dantas e sua corja de corruptos.
Acho que já passou da hora de um “aspone” qualquer, lá em Brasília; aproximar-se dos ministros do STF e do STJ e cochichar: “Chefe; já tá dando pinta!”
Pense nisso.
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Esta não é a primeira vez que nosso judiciário fica acreditando na palavra do acusado de que ele não vai fugir.
Engraçado que quando vai se julgar o habeas corpus do casal Nardoni todo mundo fica revoltado e quer justiça.
Isso é porque a corrupção e o estelionato já fazem parte de nossa cultura. As pessoas não acham que existe um crime real por trás disso.
Dmitrys last blog post..Trem bala na Califórnia livre de emissão de poluentes
Sabe o que vai acontecer provavelmente daqui a alguns anos? O Brasil se tornará inimigo da Interpol, por acolher fugitivos de outros países. Sei que ja acontece isso aos montes, mas aumentará absurdamente e visivelmente isso. Caramba, será q é tão dificil achar uma parte do judiciário honesta e que fale “uow, algo esta errado aqui. Precisa de Justiça!”. Chega a dar nos nervos, pq é tudo muito escancarado e hoje em dia não há preocupação nenhum em esconder esses crimes. Acho que realmente passou a fazer parte da cultura brasileira. Infelizmente.
Abração!
Diego Morettos last blog post..Virou Moda!
O Diego Moretto (do comentário acima) disse tudo. Principalmente quando disse que o Brasil pode virar inimigo da Interpol.
Será que quando se fala “Dois pesos e duas medidas” e para se referir a situações como essa?
E o pior nessa história do pessoal que usou o Corinthians para fazer lavagem de dinheiro, quem mais sofreu as consequências foi quem não tinha nada a ver com a história, que foi o Corinthians.
Luchos last blog post..A ajuda da blogosfera na hora de votar.
Sabe qual o problema? Em Direito, “nada é e tudo pode vir a ser”. Qdo vi a chamada do caso MSI tbém ñ contive o palavrão, mas o argumento da defesa, pelo menos para quem convive no meio processual, é válido e infelizmente deve ser analisado, afinal, depois de um regime Militar, a CF garantiu o chamado “devido processo legal”. Não podemos esquecer que esta foi uma das bandeiras dos movimentos anti-ditadura.
Cássio Augustos last blog post..Crise da Bolívia: