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POLÍTICA, POLÍCIA, INCOMPETÊNCIA E AS COISAS QUE NÃO SE MISTURAM.





Aqui em nosso país, a segurança pública sempre foi tratada como “política de segurança pública”. Nada de errado nessa definição. Mas, o que se faz dela por aqui; é um verdadeiro atentado ao cidadão que vive sua vida dentro da lei.

Quando a política de segurança se transforma em “política na segurança”; o que vemos são fatos como os ocorridos em São Paulo ontem (16/10). O mais grave, é que todas as notícias sobre o caso (excetuando as veiculadas pela TV Bandeirantes) omitiram um fator dramático e, ao mesmo tempo, elucidativo sobre os fatos lamentáveis que ocorreram na capital paulista: Toda a confusão iniciou-se após elementos da Força Sindical que eram alheios ao movimento (inclusive o deputado Paulinho Pereira da Silva – o “Paulinho da Força”) incitarem o ataque à tropa de choque. A manifestação era ordeira e pacífica. Quando ficou sabendo que o governador receberia um grupo de policiais, Paulinho da Força e outros elementos da Força Sindical subiram no carro de som e, gritando palavras de ordem incitaram os policiais a avançarem contra a tropa de choque.

O episódio apenas demonstra o que a política pode fazer quando mal aplicada e o quão perverso pode ser um político que visa apenas obter um destaque pessoal momentâneo. Sabendo que nada o atingirá, já que tem imunidade parlamentar, o deputado comete um crime grotesco incitando a violência sem qualquer responsabilidade cívica. O mais triste disso; é perceber que os noticiários simplesmente omitem sua participação ativa no conflito.

Um outro acontecimento inacreditável coroou de “êxito” a quinta-feira da segurança pública brasileira: O seqüestro em São Paulo. Esta ocorrência já caminha para o quarto dia e a inacreditável entrega de um novo refém para o seqüestrador feita, pelas próprias mãos da polícia paulista, dá o tom de incompetência a ação que tem tudo para se transformar num desastre. Em lugar nenhum do planeta um negociador pode devolver ou fornecer um refém a um seqüestrador. Problema de treinamento? Burrice crônica?

Não, nada disso. Exatamente como o desfecho do caso do ônibus 174 aqui no Rio de Janeiro; mais uma vez, a ingerência danosa de políticos que temem a repercussão da ação correta a se tomar nesses casos: A eliminação do seqüestrador.

É muito lindo e maravilhoso quando tudo dá certo e todos se salvam. No entanto, no mundo real às vezes é necessário ceifar vidas. Ninguém quer que a polícia “saia matando”. Contudo, um estudo detalhado das ações do criminoso “in loco” e do perfil psicológico do mesmo, levantado através de entrevistas com parentes e amigos, pode ser decisivo para determinar qual o melhor “roteiro” a ser adotado em cada ocasião. Mas a polícia de São Paulo tem esse costume ridículo de tentar sempre “ganhar pelo cansaço” esses casos. E nem sempre essa é a melhor opção. O retrospecto não é positivo em casos de crime passional. Em vários casos em São Paulo, o seqüestrador eliminou a vítima; justamente por se sentir cansado e perceber que já não havia saída para a situação.

Exatamente como no caso do 174, quando o criminoso deu inúmeras oportunidades para um atirador de elite partir-lhe a cara, com total segurança, e nada foi feito. Proporcionou-se, então, aquele final infeliz para o caso. Esse caso de São Paulo se encaminha para a mesma definição. Tomara que eu esteja enganado. Queiram os céus que ao ler esse artigo, tudo já tenha se resolvido pelo bem e estas linhas assumam apenas o papel de pensamentos revoltados. Mas um seqüestrador que atira contra a multidão; descumpre a “palavra” e engana os policiais três vezes; está preparado com farta munição e gostou da “fama” (dando até entrevistas na televisão); deseja ser lembrado. E, nada melhor do que morrer e matar como um “mártir do amor”. A prioridade, nesses casos, deve ser sempre a vida dos reféns. E, esse rapaz, já forneceu inúmeras oportunidades para ser alvejado; encerrando-se assim, esse martírio.

Mas falta para as autoridades brasileiras o compromisso com o cidadão de bem. Falta em nossos políticos, o abandono dessa estúpida necessidade de agradar os organismos internacionais que adoram apontar “violências” em nosso país; mas fecham os olhos para barbaridades muito piores cometidas em suas próprias pátrias.



A criação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente); que transformou os menores brasileiros em uma tropa de elite para o tráfico e numa horda de bestas assassinas incontroláveis; a mentalidade de que bandidos cruéis e contumazes (com 40, 50 ou mais mortes “nas costas”) são “indivíduos recuperáveis”; e a hipocrisia reinante em nossa justiça, determinaram um salto fantástico em nossa criminalidade de alguns a nos para cá e uma vida miserável para os policiais e para os cidadãos de bem que devem penar nas mãos de facínoras.

Em qualquer lugar do mundo, esse seqüestro já teria terminado (após um ou dois dias de negociação ou nos primeiros disparos feitos pelo criminoso) e todos estariam seguros em suas casas. A postura equivocada dos políticos, o uso errado e politicamente influenciado de nossas forças de segurança; fazem apenas a criminalidade aumentar e os bandidos sentirem-se cada vez mais donos da situação e senhores de nossas cidades.

A polícia deve ser respeitada, amada pelo cidadão de bem e temida por quem está à margem da lei. Suas ações devem ser pautadas apenas pela técnica e pelo preparo esmerado de seus integrantes. A política deve ser banida da segurança e os maus políticos devem ser afastados do convívio da sociedade ordeira. O que foi feito ontem (16/10) em São Paulo por esses elementos da Força Sindical é algo além de qualquer compreensão e racionalidade.

Pense nisso.

OBS: Leiam este excelente artigo sobre como deve ser a segurança pública eficiente numa cidade moderna. Escrito por um especialista da área. (clique aqui)


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8 Responses to “POLÍTICA, POLÍCIA, INCOMPETÊNCIA E AS COISAS QUE NÃO SE MISTURAM.”

  1. Nogueira Jr. disse:

    Fontes conflitantes?

    O Governador José Serra não quis receber os grevistas pessoalmente, segundo: o presidente do Sindicato da Polícia Civil de Campinas e região, Aparecido de Carvalho ; o presidente do Sindicato dos Escrivães, Valter Honorato ; o delegado André Dahmer, diretor da Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo). O Governador aceitou receber um grupo para dialogar com o Secretario de Segurança. Eu pessoalmente fico com estas fontes, são muito mais confiáveis do que a mídia corporativa, abertamente partidarizada e já no limite da desonestidade! Enfim…

    Sobre o Deputado: deplorável, sem comentários, mas imaginar que: Delegados, Agentes e Escrivães da Polícia Civil foram induzidos, pelo tipo…

    No mais: o artigo esta perfeito!

    Em tempo: colocar a Policia Militar nas cercanias para deter pessoas armadas e irmãs na luta contra o crime, é um crime, desculpe o trocadilho! Um pelotão na Frente do Palácio e a imediata entrada de um grupo para o dialogo com o mandatário de plantão, não seria mais democratico, corajoso e humano?

    Abraços

  2. Rodrigo Piva disse:

    Episódio entrou pra história como mais um capítulo de um país incompetente. Nunca pensei ver duas polícias que deveriam trabalhar juntas, lutando entre si. E sobre a exigência do sequestrador em ter a refém novamente para se entregar e agora mantê-la presa de novo, atesta o despreparo de quem conduz a situação. Está ficando ridículo e se continuar assim vai terminar de forma trágica. Parabéns pelo excelente artigo!

    Abraços

    Rodrigo Pivas last blog post..Esculturas de Areia Impressionantes

  3. Olá Nogueira Jr!

    Me baseei numa entrevista fornecida por um delegado que é líder sindical
    (segundo o repórter) e que filmou a “tomada” do carro de som pelo Paulinho.
    O delegado (não me lembro o nome) gritava insistentemente para que ele não
    proferisse aquele discurso inflamatório.

    Evidentemente, não foi ouvido.

    As imagens gravadas pelo líder sindical e a entrevista com este delegado
    foram ao ar ontem no programa Brasil Urgente com imagens do próprio policial
    afirmando que a comissão seria recebida por Serra. Talvez, ele tenha se
    expressado mal pelo tumulto generalizado que ocorreu.

    Seja lá o que for, os fatos foram lamentáveis e esse senhor (Paulinho)
    deveria ser responsabilizado de alguma forma pelo ocorrido e banido de uma
    vez por todas da política brasileira.
    Obrigado pelas correções.

  4. Diego Moretto disse:

    O episódio do confronto de ontem foi o cúmulo do absurdo, literalmente. O país no caos da vioolência em q se encontra, com o tráfico e a bandidagem dominando os grandes centros e a defesa que temos, ao invés de nos dar proteção, acabam por se confrontar. Inaceitável! Assim como esta sendo esta novela do sequestro. Q palhaça toda é essa cara? Isso se não virar uma tragédia acabará de uma forma não menos ruim. Tudo esta errado..

    Abraço!

    Diego Morettos last blog post..O letal vírus chamado “crise econômica norte-americana”.

  5. Dragus disse:

    Pra completar a semana, o doente de Santo André quis terminar o serviço e matar todos na casa.

    Não conseguiu, agora a probabilidade é que daqui a alguns anos esteja solto por alguma brecha na lei.

  6. Victor LG disse:

    Esse fato correra o mundo, e mais uma vez prova que o Brasil é uma república de bananas.

  7. [...] desfecho trágico do seqüestro em Santo André, já previa o que aconteceu; a morte das reféns (aqui). Em outro artigo, escrito logo após o fato consumado; eu concluí com a constatação de que a [...]

  8. Paulo Chagas disse:

    Quanto ao fato da guerra entre policiais, isto não é novidade, já aconteceu em Brasília na década de 90.
    Isso vai continuar até o dia em que se tenha uma polícia estadual única.

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