Visão Panorâmica

ESTUPIDEZ, BURRICE, ERROS E O ACOBERTAMENTO.

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Vivemos no país “gente boa”. O Brasil se preocupa mais em ficar “bem na foto” do que em buscar uma vida melhor para seus cidadãos. Sempre foi assim. E agora na “Era Lula” a coisa vem tomando proporções ridiculamente exageradas.

A política é recheada de interesseiros que desejam apenas se promover e, como crianças inseguras, buscam a aprovação de cada passo que dão dos organismos internacionais e das ONG’s. A ingerência desse “bom mocismo” na vida do cidadão comum e cumpridor das leis é tanta; que hoje em nosso país, criminosos da mais alta periculosidade e frieza bestial são considerados “anjinhos” que podem se recuperar e voltar a viver em sociedade.

Juízes que julgam primeiro o status social e econômico dos réus e, a partir daí, decidem a qual pena podem ser condenados ou se seus crimes são graves. O mais aplicado é a quase determinação de que um réu “endinheirado” e bem relacionado; sempre é considera de menor periculosidade. Mesmo em casos de homicídios ou de crimes como o de corrupção que causam, por tabela, a morte de milhões pela simples falta que as verbas desviadas fazem.

Essa preocupação patológica que os políticos têm em agradar aos “gregos e troianos”; faz com que nosso país acabe se transformando em uma terra de ninguém em matéria de leis. Condenações a longas penas são comuns e corriqueiras. Contudo, a desmoralização da justiça é tanta e o número de recursos e escapadelas fornecido são tão grandes que, invariavelmente, se der o azar de ser preso (mesmo condenado a 200 anos) um indivíduo cumpra no máximo 10. Isso é claro se não for primário e tiver bons antecedentes.

Num artigo que escrevi um dia antes do desfecho trágico do seqüestro em Santo André, já previa o que aconteceu; a morte das reféns (aqui). Em outro artigo, escrito logo após o fato consumado; eu concluí com a constatação de que a vida do criminoso foi preservada porque apenas ela interessava. (aqui)

Exatamente. Pois mais inacreditável que possa parecer, para os policiais que repetem a todo instante o mantra “devemos preservar a vida”; a pergunta a ser feita é uma só: “Qual vida deve ser preservada; a do refém ou a do criminoso?”

Ao assistir uma entrevista coletiva dada ontem (19/10) pelo comandante da operação; a reposta foi claramente dada (para quem sabe interpretar), sem querer, pelo policial. Ao ser perguntado se não deviam ter atirado no seqüestrador; ele deixou escapar: “Se tivéssemos atirado nele; vocês estariam nos cobrando…”

O verdadeiro carnaval em que se transformou o seqüestro, com a imprensa transmitindo diretamente de dentro de apartamentos vizinhos e ligando, ao vivo, para o celular do seqüestrador (que a todo instante dava entrevistas) e essa declaração do policial; refletem muito bem a posição da polícia paulista: Garantir que a imprensa fosse satisfeita e que o meliante saísse inteiro e sem um arranhão para que evitassem cobranças por parte da mídia e dos organismos de direitos humanos.

O que mais dói, é saber que se a vida das reféns tivesse o mesmo peso da do criminoso, ambas estariam hoje nos braços de seus pais; seguras e tranqüilas. Saber que o seqüestrador esteve por seis vezes sob a mira dos atiradores de elite para “um tiro limpo” que teria salvado a vida de Eloá e poupado os sofrimentos dos pais e das outras reféns.

Mas, a imprensa e as organizações de direitos humanos não poderiam ser contrariadas. Afinal, é época de eleição e seria muito constrangedor explicar a morte de um bandido para o mundo. Poderíamos ser chamados de país de Terceiro Mundo e que não respeita os direitos humanos.

Mas a morte de Eloá, para eles, era plenamente justificável. Pois até ofereceram outra refém ao bandido. Alguns podem dizer: “Ele era um “bom moço”; ele era calmo; ele não tinha antecedentes criminais”. No entanto, a partir do momento que pegou uma arma e ameaçou a vida de outras pessoas; sua própria vida deixa de ter importância em face à daqueles que ameaça.

O mais triste é que desse fato a polícia e os políticos não vão retirar lições. Pois, a mesma imprensa que participou ativamente com entrevistas e dando total destaque ao seqüestrador (que estava a todo o momento no controle da negociação), não cansa de elogiar a atuação “brilhante” da polícia e atribuir a morte de Eloá a uma “fatalidade”.

A única emissora que teve a coragem de buscar a verdade foi a Globo. Que buscou em um técnico especializado e num homem que treina a SWAT de melhor desempenho dos E.U.A. e de outros países; para que apontasse os erros graves e amadorísticos que ocorreram na operação. A burrice e o amadorismo com os quais o caso foi tratado foram claramente expostos quando os métodos empregados no caso foram comparados com o treinamento dado na terra do ”Tio Sam”. Por lá; os políticos também se importam com o que a imprensa fala. Mas, a vida do cidadão inocente, tem sempre mais peso do que a de um bandido.

Seja ele coroinha, bispo, Papa ou o próprio Jesus Cristo.

A coragem de defender a vida que merece ser defendida e o peito, para deixar os técnicos decidirem como agir, sem terem que pensar no que o político “X” vai achar se a ação interferir na campanha do momento; é a condição para que os bandidos tenham medo de delinqüir e sintam o peso de seus atos se o fizerem. A tragédia ocorrida em Sto André deve servir como lição. Pois enquanto a polícia paulista continuar se enganando achando que fez um “bom trabalho” e a imprensa local (por sentimento de culpa) fizer o mesmo e constantemente elogiar o trabalho realizado; outros casos, como o de Eloá, poderão se repetir. Afinal de contas, com o uma operação onde uma refém morre; a outra é baleada pelo seqüestrador e o bandido sai caminhando sorridente e feliz pode ser chamada de bem sucedida? Este acobertamento descarado dá nojo!

O trabalho policial deve sempre ser exclusivamente técnico. O criminoso jamais deve vir em primeiro lugar. A integridade dos reféns é soberana e suplanta tudo. Esses devem ser os mandamentos para um trabalho bem feito.

Só assim teremos paz.

Pense nisso.


OBS: Leia a excelente entrevista do especialista e veja o vídeo onde ele aponta claramente o que deveria ter sido feito para que o caso Eloá tivesse um desfecho diferente.

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