
Quem já precisou ir a uma repartição pública por qualquer motivo, já se deparou com funcionários mal humorados, mal educados e que mesmo vendo um acúmulo enorme de pessoas insistem em achá-las invisíveis e simplesmente ignorar a sua presença.
Os funcionários públicos no Brasil gozam de um privilégio concedido a poucos mortais em idade produtiva: A estabilidade no emprego.
Essa estabilidade foi criada como forma de isentar o bom profissional das pressões políticas e de chefes mal intencionados que pudessem usar seus cargos de chefia com fins políticos. Mas, na prática, a estabilidade acabou criando uma classe profissional dominada pelo anacronismo, pela corrupção e pela ineficiência. A primeira coisa com a qual você se depara numa repartição pública dominada por esses “profissionais” que usam da estabilidade como mero poleiro para aguardar a aposentadoria e resguardar a sua incompetência da dureza do mercado de trabalho competitivo e selecionado do mundo real; é uma famosa placa ou folha de papel contendo uma lei que tornou crime reclamar de forma mais veemente do descaso a que é submetido.
E antes que você leitor, funcionário público, me amaldiçoe até a última geração; saiba que quem diz essas coisas são seus próprios colegas funcionários públicos. Numa pesquisa realizada pela universidade de Brasília, com servidores de vários estados brasileiros e da União a pedido da Comissão de Ética da Presidência; um em cada cinco funcionários admitiu que exige propinas para cumprir o seu dever. Mesmo que saibam que o requerente está no seu direito e não cometeu erro ou crime algum. Só cerca de 51% dos funcionários públicos se acham éticos e mais de 11% desprezam sua função. Quase 30% acham que o servidor público está se lixando para o público que atende e mais de 55% se consideram amadores ou semiprofissionais. Quase 40% são funcionários públicos graças a pistolões e padrinhos políticos e menos da metade se considera preparada para a função que exerce. Veja as bases e os objetivos da pesquisa aqui. A fonte dos dados foi o site G1.
O Brasil já foi conhecido como a “República do Paletó” e diversos personagens humorístico nasceram e desapareceram ao longo dos anos com o mesmo tema: O funcionário público ineficiente.
Uma realidade que só mudará com o final da estabilidade e a regulação das atividades do funcionalismo público pelo mercado e pela competência individual. É claro que o funcionário deve ser protegido da sanha dos políticos e dos capachos que se aproveitam de posições de comando para rechear as repartições com apadrinhados políticos. A demissão do funcionário público incompetente e sem talento deveria ser demitido como base em seu histórico, em reclamações comprovadas e após a avaliação por uma comissão especialmente criada e mantida para isso. Desta forma, haveria a proteção contra as pressões políticas e se baniria, de uma vez por todas, os parasitas e os acomodados que acham que o serviço público é apenas uma forma de aguardar pacificamente a aposentadoria e abocanhar uma ou outra “oportunidade de ouro” que aparecer.
O funcionalismo público brasileiro deve ser valorizado e depurado. E esta pesquisa mostra claramente que a coisa vai de mal a pior e que, se nada for feito, muito em breve uma legião de parasitas tomará conta das repartições e lançará nosso país num caos administrativo jamais visto.
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Oi Arthurius!
O teu texto aborda uma das grandes falhas do funcionalismo público, que é a estabilidade. Como funcionária do estado (sou professora) concordo com o texto completamente. Acontece que existem pessoas éticas e sem ética em qualquer lugar. Vejo pessoas preocupadas em mostrar o seu trabalho da melhor forma possível, mesmo no funcionalismo público, e outras que só ficam vendo o tempo passar, ansiosas prá voltar logo prá casa. Concordo que tinha que ser revisto isso, principalmente para aquele funcionário que tem muitas queixas de mau atendimento, desinteresse ou grosserias.
Um abraço.
Olá Regina!
Entendo completamente. E me refiro a isso no artigo. O bom funcionário;
aquele que exerce seu trabalho com honra e com empenho esse deve ser
valorizado. Mais um motivo para que os malandros de plantão sejam punido
severamente.
O que mais interessa nessa pesquisa, é que esta é a própria opinião do
funcionalismo (o que a torna mais dramática). Já que a propina é admitida
livremente por uma grande parte e o comodismo e embromação também.
O mais estarrecedor, é perceber que menos do que a metade diz se empenhar em
suas funções. Se essa “grande maioria” de aproveitadores e malandros fosse
banida e substituída por pessoas compromissadas, TODOS trabalhariam menos
porque não haveria acúmulos do dia a dia.
Infelizmente, essa é uma ferida aberta que poucos terão coragem de cutucar.
Verei um lado positivo no que disse:
Quando falou “um em cada cinco”, ou seja, 20% do funcionalismo público é corrupto.
Isso apenas para o caso de funcionários públicos, a coisa piora ainda mais quando são os tercerizados. Esses se vendem por qualquer merreca e obedecem a qualquer mando e desmando dos controladores de repatições porque podem ser demitidos se não fizerem maracutaias.
São dois tipos de corrupção diferentes, mas pelo menos hoje em dia são 1 pra 5, antes era 6 pra 5.
E quando diz que menos da metade se empenha a pesquisa não diz quanto tempo essas pessoas têm de casa, pois existem vários tipos de funcionários públicos, os de antes da constituição de 1988 nem concursados eram e são definitivamente os piores e os detentores com razão dessa má fama.
Enquanto esses não se aposentarem a cosia vai melhorar em passos lentos.
Draguss last blog post..[Vídeo] Coragem
Discordo completamente de Regina quando diz “O teu texto aborda uma das grandes falhas do funcionalismo público, que é a estabilidade”.
O problema não é a estabilidade, porque existe uma abertura no estatuto onde o mesmo pode ser demitido se não cumprir metas de qualidade, mas o problema esbarra no legislativo: nunca foram votadas ou criadas tais normas de qualidade.
E dá-lhe jogo de empurra.
A estabilidade protege o funcionário de abusos de autoridades, vide como é a relação de trabalho entre funcionários e patrões onde os sindicatos mantém a estabilidade e onde não tem.
Draguss last blog post..[Vídeo] Coragem
Eu já trabalhei em uma empresa pública, e saí de lá felizmente, para minha sanidade mental. Eu consegui sobreviver 1 ano, e nesse período aprendi a fazer bem o meu serviço, mesmo sendo fora do meu conhecimento. E lá tinham pessoas há decadas, que não sabiam fazer o serviço. E o que se faziam com elas? Nada, afinal, não pode mandar embora.
Tinham os que sabiam, mas mesmo assim faziam pouco caso, não se empenhavam, afinal, o que poderia ocorrer?
Estabilidade é incentivo para vagabundagem, e isso funciona com filho também. Se o filho souber que o pai sempre o ajudará, mesmo fazendo besteiras, que motivos o filho tem para fazer a coisa certa?
Caso se interesse, tenho um relato dessa minha época
http://mundiota.blogspot.com/2008/01/quero-que-mentalidade-publica-va-para.html
Carlos Ledas last blog post..Reclamações
Sem dúvida alguma meu caro. Em muitas cidades que já tive a oportunidade de visitar perfeituras, o que mais se via eram acomodados e que realmente iam para dizer q iam. Pessoas que o grau de incopetência é visivel. Assim, há o resultado de uma população insatisfeita e reclmante em qualquer governo. Concordo em se realizar concursos para preenchimento de vagas, das mais baixas às maiores. QI não pode rolar mais. Abração!
Diego Morettos last blog post..O Atraso no Progresso.
Gostei do texto, para variar
Na verdade, essa lance de estabilidade 100% é um mito. Dentre as diversas sanções administrativas a que podem ser submetidos os servidores públicos – e não são poucas – está a demissão.
O que ocorre é que não há vontade política para que o serviço público seja eficiente, e por outro lado, a população não tem esclarecimentos para lidar com este tipo de situação.
A tal “estabilidade” pode ser considerada como benefício em comparação à iniciativa pública, somente no tocante às demissões por momentos de diminuição de produção, renovação de quadros, etc. Esse risco o servidor que executa bem seu trabalho não corre, realmente. Mas a demissão por desídia funcional existe.
O problema, como mencionado, é a mentalidade que foi criada, e que se perpetua no tempo, pois aqueles que adentram os quadros públicos, em grande porcentagem, já carregam tal vício.
Aqueles, e são muitos, que de forma míope acham que o mercado e a iniciativa individual, também chamada de iniciativa privada, sem nenhuma regulamentação, é quase que o paraíso na terra, causa asco. Então, vêem uma pesquisa séria e concluem que as mazelas do serviço público está na, por eles desconhecida, estabilidade do servidor. Assim o funcionário que recebe propina deveria receber o mesmo tratamento daquele também funcionário público, aquele alferes de alcunha Tiradentes que foi enforcado em praça pública, teve seu corpo esquartejado, sua casa derrubada e o chão salgado. Em tempo: o que fazer com o empresário deste mercado competitivo que oferece propina, um pedido de desculpas, basta?
Todos estão certos, todos estão de parabéns..
O cara que escreveu o texto.. e o cara do mundiota.. (muito bom mesmo).
Se eu fosse encher linguiça eu só iria repetir ou retocar o que disseram..
Mas tenho uma coisa para dizer pra você FUCNIONÁRIO PÚBLICO IMPRESTÁVEL QUE ESTÁ LENDO ISSO AQUÍ AGORA!!!!! TOMA VERGONHA NA SUA CARA SEU SAFADO/SAFADA… E TRABALHE DIREITO.. TRATE O POVO COM RESPEITO E DEDICAÇÃO.. (LÓGICO OS QUE FIZEREM POR MERECER.. PORQUE TEM UNS INGOLÍVEIS TB QUE AFFF.. NÃO FAZEM AMOR COM A ESPOSA/ESPOSO.. E ACHAM QUE O MUNDO TEM CULPA).
E FAÇA SUA PARTE PARA ESTE BRASIL DE MERDA MELHORAR.
ABRAÇOS A TODOS E DESCULPEM POR TUDO (PRA FORA)..! HEHEHEHE
Concordo com a matéria, mas deve ser aprofundado ainda mais o assunto, pois a estabilidade de emprego não é o único fator do mau atendimento em repartições públicas, visto que realmente a demissão pode ocorrer por meio de sindicância. Mas não acontecem, até mesmo porque o funcionário sabe demais, e pode ser perigoso para os políticos demitirem alguém assim, o famoso rabo preso. Além disso o sistema de cargos, ou o também famoso (mas que ninguém viu) plano de carreira geralmente prevê que o funcionário público tenha premiações por tempo de serviço (independente da qualidade), e que chega a estupendos 25% de aumento após 35 anos de trabalho. Somente aumento salarial, pois cargos de chefia são de confiança (mais rabo preso e promessas de campanha). Por causa desse descaso, descobri que em funcionalismo público, se você trabalha bem, ganha mais trabalho, ou seja, o dos outros. Se você não trabalha bem, nada acontece. Fora isso vem o preconceito: quando estava recebendo informações de um colega para um trabalho e visto por um usuário, fui acusado de estar batendo papo… Triste para mim que levo a alcunha de vagabundo, fazendo meu trabalho e o dos outros. Mas independente disso, gosto do meu serviço, não saio dele para a iniciativa privada (por enquanto) por idealismo, e portanto procuro fazê-lo o melhor possível, afinal, além de funcionário, sou cidadão. São meus impostos também.
O grande problema nem é a estabilidade, porque como o pessoal falou aí em cima, os funcionários podem ser mandados embora sim… O grande problema é que os chefes, que deveria ser responsáveis pela iniciativa de montar um processo para mandar alguém embora, são na maioria das vezes indicados politicamente e por isso têm medo de tentar mandar alguém embora e no final perder seu cargo também. Para mim, um dos grande problemas do serviço público é a mistura que existe de política cotidiana com o funcionalismo….São interesses totalmente diferentes que levam a ineficiência do sistema.
O que me assusta não é a ineficiência no serviço público, porque isso sempre foi assim e ao meu ver até que teve uma melhora de uns anos para cá, mas sim a ineficiência no serviço privado. Cartão de crédito, plano de saúde, telefone, minha conta corrente, o meu novo aparelho de som. Eu vivo rezando para não aparecer nenhum pepino pois quando acontece, são semanas ou até meses para que resolvam alguma coisa.
O que está errado mesmo é a mentalidade do povo brasileiro, afinal a corrupção existe porque nós mesmo a alimentamos.
eSSE DESENHO DO PORQUINHO EU CONHEÇO!!!
POR AQUI TEM UM MAIOR QUE ESSE…
Comentei, em meu blog pessoal:
http://rfbalemdosmuros.wordpress.com/wp-admin/post.php?action=edit&post=1507
[...]
Alguns comentários:
1) Não acredito na referida pesquisa sobre corrupção. A julgar pelos inimagináveis (para não dizer fantasiosos e denegridores) índices, os supostos entrevistados devem viver em algum mundo imaginário da corruptolândia.
2) O crime de corrupção é um crime que sempre apresenta (pelo menos) dois agentes: o corrupto e o corruptor. Dizer que 20% dos servidores públicos são corruptos é algo assemelhado a dizer que 20% da população brasileira igualmente o é, o que, evidentemente, é um grande absurdo.
3)”Os funcionários públicos no Brasil gozam de um privilégio concedido a poucos mortais em idade produtiva: A estabilidade no emprego.”
Não sei que “privilégios” são esses: acessíveis, por concurso público, a qualquer “mortal” que se empenhar nas provas para o cargo almejado. Pelo menos em tese, qualquer um pode ser um “privilegiado”. Antes de combater a estabilidade do servidor público, sugiro que busque lutar pela ampliação da estabilidade para os demais trabalhadores.
4) Repito o que escrevi acima sobre a linha humorística que retrata o servidor público como relapso e desleixado (veja acima). As risadas que eventualmente conseguem tirar não compensam os malefícios que fazem à própria sociedade, por retratarem de modo jocoso algo de extrema seriedade, e por reproduzirem uma imagem de serviço público não condizente com seu atual estágio de evolução.
5) Sugiro que se alie no combate aos verdadeiros problemas do serviço público: excesso de burocracia, mau aproveitamento de recursos (materiais e humanos), falta ou carência de transparência e de informações de interesse dos contribuintes, excesso de alterações legislativas editadas sem preparo prévio das partes envolvidas (servidores e usuários dos serviços). Esses problemas de administração
não são da alçada da maioria dos servidores, que são antes vítimas em relação às situações decorrentes de más gestões. São os servidores que têm de se virar para tentar contornar as insatisfações resultantes, por exemplo, dos excessos burocráticos, de exigências que têm de fazer, mesmo não encontrando nelas justificativas plausíveis. A maioria não merece a pecha que seu blog está a lhes imputar.
6) Curiosamente, os comentários sobre o referido artigo em seu blog foram, em grande maioria (senão em totalidade, não reparei bem), a reforçar essa visão distorcida dos servidores públicos. Nenhum servidor fez o contraponto que ora faço?
Sds.
Roberto Carlos dos Santos.
Roberto C. Santoss last blog post..Cronologia de votação da MP nº 449/2008 (MP que trata da remissão e parcelamento de pequenos débitos)
Olá Roberto!
Eu compreendo sua indignação e, como deve ser um dos competentes e
preocupados em mudar a péssima imagem do funcionalismo, entendo seu ponto de
vista.
Alguns comentários:
Realmente a pesquisa foi feita na “Corruptolândia”. Ela foi realizada pela
UNB em Brasília e encomendada pela Comissão de Ética da Presidência. Como
você pode ver; feita por funcionários públicos para funcionários públicos.
Seria mesmo mentirosa?
Concordo com você no que se refere aos dois lados. Há o corrompido porque há
o corruptor. Ambos são siameses inseparáveis. O que falta mesmo são leis com
eficiência punitiva e longos períodos de cadeia (além de seqüestro de bens).
Tomando-se como exemplo a China, onde a corrupção é punida com a morte;
teremos a clara visão de que a mesma é algo inerente ao ser humano.
O grande problema que há em nosso país é a facilitação e a permissividade
com todos os graus de corrupção. O funcionário leal e trabalhador que não se
vende; é o “otário”, o “pobre” que vive com o salário ou o “caxias”. O
corrupto é o “esperto”. Se os espertos corressem realmente o risco de
perderem tudo o que conseguiram e de passar longos anos na cadeia. Tenha
certeza de que haveria bem menos “espertos”. Mas, como percebemos no caso da
China mais uma vez, eles sempre existiriam. E por aqui sabemos que
seqüestrar os bens de corruptos é um sonho na maioria dos casos (veja o juiz
Nicolau por exemplo).
Dizer que a população brasileira não é corrupta é uma piada. Basta ver os
fatos ocorridos recentemente em Santa Catarina e São Paulo. Basta analisar
nossas polícias e nossos políticos. De onde eles vêm: Da sociedade; não é
mesmo? Uma simples caminhada por qualquer cidade brasileira revela isso.
Existem pessoas honestas e íntegras? Lógico.
Contudo, nossa sociedade é corrupta por comodismo e por uma idéia equivocada
do que é ser inteligente. Somos o país da Lei de Gérson. E o primeiro modo
de resolver isso é reconhecer o problema. Só aí poderemos mudar realmente.
O privilégio da estabilidade é, por si só, um privilégio. Como tudo que é
feito para o bem, foi corrompido por nós. Uma proteção válida contra a sanha
de políticos mal intencionados que acabou sendo usada para criar ambientes
propícios para a incompetência e preguiça.
A estabilidade deveria acabar e ser substituída por um “conselho de
análise”. Nesse conselho; formado por funcionários, representantes dos
sindicatos, pelo governo e membros da sociedade civil; os funcionários
relapsos, faltosos ou inadequados poderiam ser desligados (caso suas fichas
de serviço não fossem razoáveis). A própria carreira do funcionário deporia
a seu favor ou contra ele.
A estabilidade é burra tanto no setor privado quanto no público. E, por isso
mesmo, caiu até no seu último bastião (setor privado) que era o Japão. Ela
acaba obrigando os competentes a trabalharem mais para compensar os
incompetentes e preguiçosos.
Se um funcionário (seja público ou privado) atende mal; é incompetente; é
preguiçoso; chega tarde e sai cedo; falta constantemente e está sempre
recebendo reclamações dos “clientes”. Deve perder o seu emprego, seja ele
qual for. E não mergulhar sua ineficiência num ranço protetor, até a sua
aposentadoria.
Se me amostrar onde o serviço público está nesse tal “estágio de evolução”
eu fico feliz. As repartições que mais visito INSS e Receita; vivem na Idade
da Pedra lascada em matéria de atendimento e de respeito ao ser humano. Sem
querer ofender ou tocar em seus brios profissionais. Mas uma coisa é ver uma
instituição pela parte técnica e pelos avanços que ela consegue nessa área.
Outra bem diferente é estar na “ponta da linha” sendo atendido por um
funcionário de mau humor e sem a menor vontade de estar ali.
Não acredita? Consulte os “clientes” que precisam usar o serviço público
brasileiro. Garanto-lhe que serão raríssimos os casos de pessoas atendidas
de forma cortês, prestativa e eficiente. No INSS, ao dirigir-me a um perito
que me examinaria com um sorriso e um “bom dia”; ele me respondeu com um
lacônico “sente-se” e “me examinou” sem sequer olhar para meu rosto.
excelente atendimento avançado e de alto nível. Vai ver o cara era telepata
e eu não entendi. Não é “choro de perdedor”, ele me concedeu o benefício.
Mas me senti humilhado e desprezado ao sair dali.
A burocracia é mesmo algo absurdo e estúpido. Devemos compreender que muito
desses controles, papéis e procedimentos ridículos foram criados justamente
devido ao problema da corrupção e do “jeitinho”. O próprio pregão eletrônico
é um exemplo. Uma tentativa real de se automatizar um procedimento
burocrático que vem sendo “detonado” pelos funcionários públicos que liberam
suas senhas e seus códigos de participação para obter propinas. Não é
verdade?
A burocracia é um mal terrível e que deve ser combatida por todos. Mas,
infelizmente, ela é criada por nossas próprias mazelas. Não há sistema que
resista a um funcionário corrupto (seja no setor público ou no privado).
Mesmo não sendo da alçada dos servidores, eles podem oferecer sugestões e
opções de procedimentos. Já que ninguém conhece a melhor maneira de gerir um
determinado trabalho d que seus próprios executores. Como qualquer empresa,
acredito que nosso governo gostaria muito de ter uma máquina menos custosa e
mais rápida.
Do lado do povo; a mesma coisa. O grande problema é que a burocracia
favorece os “acertos”; das altas esferas a “porta do guichê”. Aí, não há um
real interesse em acabar-se com as dificuldades. Afinal de contas, como se
venderiam as facilidades?
Acredite; a visão dos comentaristas não é distorcida. É a real. Apenas é a
visão de quem precisa dos serviços. É claro que a senhora que chegou as
12:30h e saiu as 14:30h ao invés de ficar até o fim do expediente se achará
certa e se indignará com o escrito. Já não posso dizer o mesmo dos que
ficaram na fila com cara de bocós e foram salvos por um funcionário que
honrava seu trabalho.
Quer um detalhe que omiti dos artigo? O setor de PROTOCOLO GERAL do prédio
da Receita Federal do Rio de Janeiro na Avenida Antonio Carlos (Antigo
prédio do Ministério da Fazenda) estava fechado ontem (quinta-feira) as
15:20h devido a um almoço comemorativo (devia ser o mesmo). Dê uma
pesquisada se for possível (não sei o seu estado). Como eu sei? Compareci
para buscar um esclarecimento (que, obviamente, não consegui).
Quer outro exemplo “clássico”: estava no Ministério do Trabalho. na
secretaria de uma vara aqui do RJ. Uma fila enorme de gente procurando
informações e cinco funcionários tomavam um café do outro lado do balcão. Um
único atendia. Quando uma senhora “reclamou”; foi singelamente ignorada e um
dos funcionários falou em voz alta para que ela ouvisse: “Daqui a pouco vai
dizer que paga o meu salário… mulher chata!”
Mais uma vez, reintero que meu ponto de vista não é ofender e nem ser averso
ao funcionalismo público. Contudo, como cronista e observador do meu tempo
(e como protagonista do fato) devo relatá-lo segundo minhas experiências e
impressões.
Existem funcionários públicos corretos, trabalhadores, cumpridores do seu
dever e que exercem sas funções com empenho e honra?
CLARO QUE SIM!
Mas acho que estes mesmos devem expurgar de seu meio os parasitas e
aproveitadores, através da execração pública e não acorbetá-los através da
pura e simples indignação com o povo que sofre nas enormes filas. A culpa é
de todos nós. Nosso povo padece de uma bovina vontade de não fazer nada e de
“se dar bem” com o mínimo esforço possível. Aceita qualquer indignidade e
injustiça desde que não tenha que fazer alguma coisa que represente risco.
Devemos entender que essa visão não nos levará a lugar algum e… mudar.
É muito fácil eu dizer que todos os funcionários públicos são bobos, feios e
maus e você retrucar dizendo que tenho uma visão distorcida do
funcionalismo.
Não reconhecer os erros é não corrigí-los. Meu ponto de vista é o do usuário
contribuinte que é sistematicamente desrespeitado. O seu, é o do funcionário
que gosta do que faz; trabalha para evoluir e quer que todos trabalhem com
amor.
Mas acredite: você É uma minoria. (em palavras de seus próprios colegas)
E por isso te dou os parabéns.
[...] Os comentários a esta postagem complementam nossa opinião a respeito, sobretudo de outro artigo do mesmo autor (http://www.visaopanoramica.com/2008/11/10/funcionarios-publicos-a-corrupcao-e-a-ineficiencia-transfo...). [...]
Prezados leitores e leitoras,
Ainda sobre esse assunto:
http://rfbalemdosmuros.wordpress.com/2008/12/21/emocao-no-servico-de-atendimento-ao-publico/
Sds.
Roberto C. Santos.
Roberto C. Santoss last blog post..Emoção no serviço de atendimento ao público
Olá Caro Amigo Roberto C. Santos!
Em resposta ao seu link:
Reintero que esta será minha última participação neste debate. Você, como funcionário zeloso e que gosta do que faz, vê por seus olhos uma realidade que é a sua. Mas que, infelizmente não condiz com a realidade dos fatos e do “mundo real”.
Dizer que eu omiti fatos e que sou um mentiroso anônimo é disfarçar e mentir. Dei a você inclusive os nomes dos setores e os endereços, horários e momentos em que os fatos aconteceram. infelizmente, não pude obter os nomes dos “atores” porque os “excelentes” atendentes não se utilizam de identificadores visíveis. Sendo você funcionário do referido órgão público citado no artigo; deve ser muito fácil ligar para o setor em questão e perguntar: “E aí pessoal como foi o almoço de quinta?” Ou obter informações indiretamente por outros colegas.
Sua negação do óbvio, para mim, deixou de ser a visão do homem apaixonado pelo que faz e devotado ao trabalho que se recusa a acreditar que alguém não possa pensar igual a você em relação a isso; para ser a do fanático defensor a todo custo de uma causa. Essa é a visão do fundamentalista.
E, contra ela, não há argumentos. Você pode negar minha opinião. Pode negar uma pesquisa oficial, pode negar a opinião dos leitores, pode negar as pessoas que morrem nas filas do INSS ou que são empurradas de um lado para outro por informações intencionalmente equivocadas e até pode negar a visão que todos os brasileiros têm do serviço público.
Mas não pode negar um simples fato: No serviço público há pessoas de alta capacidade e de altíssimo desempenho e senso de dever. Mas há inúmeros parasitas e pessoas que só estão por lá graças aos padrinhos e pistolões (e, de acordo com a tal pesquisa, não são a minoria). É assim desde o Império e continuará a sê-lo até que nosso povo tenha a devida consciência para agir.
Que o mau atendente pode atuar em toda parte é uma verdade. Mas, na iniciativa privada, ele é defenestrado assim que descoberto pelo patrão. Essa é a diferença. O incompetente e o relapso são expurgados uma hora ou outra. E no Serviço público não. A não ser que roube ou cometa delitos gravíssimos.
Portanto, não se pode discutir religião, futebol e política porque nunca se chega a uma conclusão sobre nada.
E, para você, o funcionalismo público é uma religião e uma fé (e eu o louvo e engrandeço por isso). Queria eu, que muitos mais pensassem assim e se dedicassem tanto.
Portanto, encerro minha participação nesse assunto com um abraço e com uma mensagem: Não é me chamando de mentiroso que acabará com a verdade dos fatos.
Feliz Natal e Um Ano Novo Cheio de Realizações e Sucessos.
Arthurius Maximuss last blog post..OLHAR PANORÂMICO NA BLOGOSFERA – GF SOLUÇÕES.
Acho que o que acontece é que geralmente o setor privado exige mais qualificação do funcionario,principalmente experiencia comprovada em carteira,para ingresso na função publica não se exige muito,além de um determinado grau de instrução e uma prova(de multipla escolha)que muitas vezes seu resultado é ‘duvidoso’,o canditato passa na prova,por mérito ou trapaça mesmo,no dia de assumir se depara com a dura realidade colegas desmotivados,falta de ética e começa a trabalhar sem nenhuma noção do que seja seu oficio,ninguem interessado em ensinar-lhe, é logicamente um circulo vicioso.
Mas acho que a sociedade brasileira em geral é corrupta e indolente,o funcionalismo publico,os politicos são apenas um espelho mais visevel dessa sociedade podre.
Gisele disse tudo!