
Ontem (18/12) tive que comparecer a unidade da Receita Federal no centro do Rio de Janeiro. O antigo prédio do Ministério da Fazenda ergue-se majestoso, em sua arquitetura maravilhosa e imponente numa das mais movimentadas avenidas da cidade. Em seu interior; ficais de renda, delegados da receita federal e o costumeiro e interminável batalhão da elite burocrática de nossa nação. Afinal de contas, a Receita Federal só pode ser superada em atraso operacional e em burocracia (talvez) pelo INSS.
Vivendo mais um capítulo de minha eterna luta contra meu antigo empregador que, a cada ano, comete “pequenos erros” para que eu seja convidado pelos fiscais da Receita Federal, todo fim de ano, a comparecer à “malha fina”. Na realidade, fico feliz. Pois a cada “equívoco” destes; entro com mais uma ação judicial contra meu ex-empregador e contabilizo alguns trocados em meu “plano de aposentadoria”.
O motivo deste artigo nem são os contratempos que me levaram a sede da Receita Federal. É justamente a “alta qualidade” do serviço prestado pelos funcionários públicos de lá. Sabidamente entre os mais bem pagos da nação.
Sempre estranhei o fato deles enviarem intimações para comparecimento as vésperas das festas de fim de ano; de feriadões e dos recessos dos órgãos públicos. Afinal de contas, o problema estava constatado desde 2006 (ano de exercício). Contudo, alguns anos antes, numa dessas idas ao formoso prédio; compreendi perfeitamente os objetivos desta prática estranha.
Fui intimado a comparecer numa data determinada que “por acaso” era véspera de um feriadão. Mesmo tendo comparecido bem cedo ao local indicado, logicamente, o funcionário público que requisitou a minha presença “com extrema urgência” não compareceu ao trabalho. Afinal de contas, ele e toda sua seção, resolveram adoecer todos ao mesmo tempo logo na véspera daquele feriadão de sol escaldante.
Um “X9” que estava por lá, provavelmente para receber os otários (digo: contribuintes) que compareceriam no dia. Muito solícito (eles são sempre assim); disse-me que voltasse para casa que as intimações “foram canceladas” e “seriam reenviadas” com nova data. Como era a “minha primeira vez” (ahhhhh!) inocentemente voltei para casa. Resultado: Dois meses depois fui autuado por “não comparecimento” e processado pela Receita como sonegador. Mesmo o governo devendo a minha restituição.
Depois de recorrer; provar minha inocência e ganhar o processo (quatro anos depois). Ainda não recebi a minha “grana” que dorme nos cofres públicos e tem pesadelos horríveis com deputados passando por ela e olhando-a com sofreguidão extrema.
Mas, desta vez estava preparado. Se me pedissem para “voltar depois”; teriam que dar um papel timbrado com assinatura de algum “aspone”. Pelo menos, teria uma prova do comparecimento na data. Mas, estranhamente, fui atendido de forma rápida. Com toda a documentação exigida na intimação em mãos e se tratando de um erro de simples correção (troca de valores a débito por crédito); cheguei no guichê animado e uma senhora muito solícita (como sempre) me olhou nos olhos e disse: “Ah! Essa documentação não serve”. Espantado, argumentei: “Como não; é o que está sendo pedido na intimação?”
Com um sorriso largo e repleto de sadismo, ela apanhou um pequeno papel pré-impresso e estendeu-me a mão feliz: “Resolvemos que queremos esses documentos também”.
Uma relação enorme de documentos referentes a uma ação judicial que venci (contra o mesmo empregador). Eram documentos que estavam arquivados na Justiça Trabalhista e demandariam uma petição judicial para que o desarquivamento fosse possível. Como a justiça entra em recesso hoje (19/12/08)… então entendi tudo.
O intuito era provocar o “não comparecimento” dentro do prazo para que fosse aberto o processo por sonegação (mesmo sendo isento e tendo, novamente, um outro valor a ser restituído). Com isso. Essa importância ficaria retida por alguns anos a mais nos cofres da Receita (juntamente com a outra).
Mas. Graças a presteza de meu advogado (que vive no século XXI); havia cópias digitalizadas de todo o processo com ele. Um e-mail e a busca por uma impressora disponível resolveram o dilema “documental”.
Entretanto, passadas algumas horas nessa busca, voltei ao guichê e a solícita senhora estava arrumando sua mesa, desligando os computadores e partindo. Ao alertá-la que ainda eram 14:30h e que a intimação era bem clara ao expressar o funcionamento do posto até as 16:00h; ela (já sem o sorrido e a solicitude) resmungou: “Tenho um almoço comemorativo para ir”.
Pasmo (eu e mais trinta contribuintes que estavam na fila); olhei enquanto ela dava as costas e ia embora. Ficamos alguns instantes sem saber o que fazer e ensaiamos um tumulto. Foi quando outro funcionário “emergiu” de trás do balcão e começou a nos atender. Sem pudores ele lançou “no ar”:
“Essa é das boas. Abrimos as 10:00h. Temos que chegar as 09:00h. Todos os dias ela chega as 12:30h ou 13:00h e vai embora, no máximo, lá pelas 15:00h. Ninguém segura”.
Solicitei a presença do chefe do posto para formular uma reclamação: Um senhor com dificuldades para andar e muito velho, aproximou-se sorrindo e sem mostrar qualquer interesse ou preocupação soltou: “Meu amigo. Você vai se aborrecer, estragar seu dia e não vai adiantar nada”.
“O senhor é o chefe do posto” – Perguntei já desconfiado da resposta.
Aí veio a certeza: “Não. O chefe já foi embora antes do almoço…”
Peguei meu protocolo de entrega da documentação e fui para casa. Fiz as reclamações pela Internet e enviei um e-mail para o portal da Presidência e para o Ministro da Fazenda.
Mas, muito provavelmente; eles devem estar em recesso também…
Pense nisso.
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Nossa, Arthurius! To indignada por vc! Eu sei bem como é ir na Receita… também conheço bem a realidade de ser funcionário público pois, eu trabalhava num banco do governo. Já vi muito colega tratando com descaso, dizendo mentiras, desrespeitando, etc., etc. os clientes simplesmente porque não está afim de resolver um problema ou pelo puro prazer de exercer algum poder (?!) sobre uma pessoa. Pior ainda é ver que a própria instituição também não está muito interessada em resolver os problemas dos cidadãos. Quanto à Receita, não sei, mas fazer reclamação no banco onde eu trabalhava adianta, sim, na maioria dos casos (em banco a gente tem meta de vendas pra cumprir e ser gentil e eficiente com o cliente conta muito!).
Abraços e espero que de tudo certo!
Danis last blog post..Newmastering: Como Ultrapassar o Limite de 5 Feeds nos Feedbots do MySyndicaat
[...] Sem entrar no mérito do relato abaixo transcrito em parte (na íntegra no link referenciado), a história (ou estória), tal como descrita, é o típico exemplo de atendimento que, se tiver ocorrido mesmo como relatado, é não só anacrônico (do tempo em que o serviço público merecia, em alguns casos, as caricaturas que dele se faziam) e prejudicial à imagem da Instituição, mas, também extremamente negativo para a esmagadora maioria dos servidores que cumprem com zelo e profissionalismo suas funções, e que, em face de um mau exemplo eventual, acabam sendo nivelados por baixo, em uma generalização da imagem deletéria transmitida naquele fato pontual (se tiver ocorrido mesmo como relatado, repito). Fonte (acesso em 19/12/2008): http://www.visaopanoramica.com/2008/12/19/na-receita-na-fazenda-e-no-cabulete/ [...]
Prezados leitores deste blog,
Fiz alguns comentários sobre esse relato, em meu blog pessoal:
http://rfbalemdosmuros.wordpress.com/2008/12/19/na-receita-na-fazenda-e-no-cabulete/
Sds.
Roberto C. Santos.
Roberto C. Santoss last blog post..“NA RECEITA, NA FAZENDA E NO CABULETÊ.”
Estou pasmo! E não é que as nossas instituições públicas não conseguem afundar o Brasil, apesar de todo o seu empenho?! Azar ou incompetência?
Minha solidariedade (que também não ajuda muito) para você!
o amnésicos last blog post..Feliz Ano Morto
Caro amigo!!!
Esse tipo de coisa ulcera a carne e o espírito, ninguém aguenta mais um país tão enguiçado, um desperdício quanto a vocação de país do futuro. Esse tipo de situação se repete, na área de saúde, educação e no prório Ministério Público, no qual eu ainda tinha esperanças, entretanto, depois de diversas denúncias sem solução, só me resta o desespero da impotência. Acompanhei a discussão, com o senhor Roberto C. Santos, e me pergunto, em que país ele vive? E com tanta energia para defender seus pontos de vista,não deveria ele na funçãO em que ocupa, levantar a bandeira da ética e da lisura? Ora direis, ouvidoria…”certo perdestes o senso” Cansei de ficar horas esperando para ser ouvida por ouvidorias diversas e nada!!!!Precisamos dar nomes aos bois sim!!!! Corrupção e omissão!!!!
Parabéns meu amigo, sinto ganas de virar uma radical!!! abraços
Margareth Bravos last blog post..Ainda não somos sequer modernos, ou que abismo é esse?
À leitora Margareth:
Em que país vivo?
Vivo no Brasil. Um país sério, de gente trabalhadora e honesta. É dessa forma que vejo meu país.
O mundo exterior que conhecemos é um pouco reflexo daquilo que pensamos.
Se sua visão de justiça admite que toda uma categoria seja ofendida gratuitamente por um relato do qual de concreto não se sabe absolutamente nada, não devemos viver no mesmo país, com certeza.
Se, em sua visão igualmente distorcida e maniqueísta, o serviço público é composto por
milhares de corruptos e desonestos, não devemos viver no mesmo país, com certeza.
Sds.
Roberto Carlos dos Santos.
http://rfbalemdosmuros.wordpress.com/2008/12/19/na-receita-na-fazenda-e-no-cabulete/
Roberto C. Santoss last blog post..Texto final do Orçamento 2009 reduz liberdade do governo para cancelar despesas por decreto
Prezados leitores e leitoras,
Ainda sobre esse assunto:
http://rfbalemdosmuros.wordpress.com/2008/12/21/emocao-no-servico-de-atendimento-ao-publico/
Sds.
Roberto C. Santos.
Olá Caro Amigo Roberto C. Santos!
Em resposta ao seu link:
Reintero que esta será minha última participação neste debate. Você, como funcionário zeloso e que gosta do que faz, vê por seus olhos uma realidade que é a sua. Mas que, infelizmente não condiz com a realidade dos fatos e do “mundo real”.
Dizer que eu omiti fatos e que sou um mentiroso anônimo é disfarçar e mentir. Dei a você inclusive os nomes dos setores e os endereços, horários e momentos em que os fatos aconteceram. infelizmente, não pude obter os nomes dos “atores” porque os “excelentes” atendentes não se utilizam de identificadores visíveis. Sendo você funcionário do referido órgão público citado no artigo; deve ser muito fácil ligar para o setor em questão e perguntar: “E aí pessoal como foi o almoço de quinta?” Ou obter informações indiretamente por outros colegas.
Sua negação do óbvio, para mim, deixou de ser a visão do homem apaixonado pelo que faz e devotado ao trabalho que se recusa a acreditar que alguém não possa pensar igual a você em relação a isso; para ser a do fanático defensor a todo custo de uma causa. Essa é a visão do fundamentalista.
E, contra ela, não há argumentos. Você pode negar minha opinião. Pode negar uma pesquisa oficial, pode negar a opinião dos leitores, pode negar as pessoas que morrem nas filas do INSS ou que são empurradas de um lado para outro por informações intencionalmente equivocadas e até pode negar a visão que todos os brasileiros têm do serviço público.
Mas não pode negar um simples fato: No serviço público há pessoas de alta capacidade e de altíssimo desempenho e senso de dever. Mas há inúmeros parasitas e pessoas que só estão por lá graças aos padrinhos e pistolões (e, de acordo com a tal pesquisa, não são a minoria). É assim desde o Império e continuará a sê-lo até que nosso povo tenha a devida consciência para agir.
Que o mau atendente pode atuar em toda parte é uma verdade. Mas, na iniciativa privada, ele é defenestrado assim que descoberto pelo patrão. Essa é a diferença. O incompetente e o relapso são expurgados uma hora ou outra. E no Serviço público não. A não ser que roube ou cometa delitos gravíssimos.
Portanto, não se pode discutir religião, futebol e política porque nunca se chega a uma conclusão sobre nada.
E, para você, o funcionalismo público é uma religião e uma fé (e eu o louvo e engrandeço por isso). Queria eu, que muitos mais pensassem assim e se dedicassem tanto.
Portanto, encerro minha participação nesse assunto com um abraço e com uma mensagem: Não é me chamando de mentiroso que acabará com a verdade dos fatos.
Feliz Natal e Um Ano Novo Cheio de Realizações e Sucessos.
Se assuste não cabra, é assim em todo o Brasil, sou Contador em Goiânia,as vezes preciso ir a algum órgão desses, é dificil não se irritar com esses (des)servidores despreparados. Mes passado precisei brigar com um. A seção dele encerrava o expediente as 12:00 hr. 11:15 hr já tava fechado; a alegação: precisava pegar o filho na escola. Lógico que foi motivo de bate boca, mas fui atendido. É preciso exigir mais dessa cambada.
No mais Feliz Natal
e vamos que vamos
Naum resisiti…
Se alguém tiver paciência que leia meu relato.
A exatos 10 anos atrás, depois de algumas incursões por outros bairros, resolvi comprar uma casa próximo à uma favela, onde nasci. (não… não sou traficante!)
Após a mudança encontrei um amigo de infância que, como outros que não sobreviveram, envolveu-se com drogas.
Vendo a situação em que se encontrava, fiz-lhe uma proposta, pagaria seus remédios e o ajudaria com cestas básicas e leite todo mês. O custo seria ele se afastar das drogas e ser bom – lembra do Passe para frente?(Não sou um santo, só senti que devia algo ao mundo). A graça veio, dia à dia ele melhorou, iniciou um trabalho voluntário em uma unidade do SUS. Como seu trabalho foi muito bom e ele tinha uma boa penetração no meio, logo foi onvidado a fazer um teste e trabalhar como CLT. O progresso foi enorme, ví sua consciência política e humana se desenvolvendo, com isto veio o senso crítico; que não permitiu à ele fechar os olhos diante dos desmandos de seus colegas de trabalho. Certo dias quando pegou uma lista dos doentes que deveria visitar/levar remédios e exames; verificou que os outros agentes separavam as listas das pessoas que tinham telefone. Porquê?
Para poderem ir para suas casas e, enquanto assistiam Ana Maria Braga e Vale a Pena Ver de Novo; ficavam ligando e “convidadando” pessoas acamadas e velhos para que comparecessem ao posto de saúde. Apesar da repulsa se conteve. A gota d’água foi quando perguntado por um médico (daqueles que fazem o juramento de Hipócrates, sabe?), onde estava o Dr. Fulano de Tal; respondeu que ele estava doente e de licença. O Médico que o inquiriu deu um largo sorriso e contou-lhe que no dia anterior havia jogado uma partida de Tênis com o doente no Clube Curitibano. Passado isto, meu amigo, resolveu fazer uma reclamação ao seu chefe, que como outros funcionários públicos (que nã são a maioria – ;0)…), só comparece ao trabalho dois dias por semana e por, no máximo, quatro horas.
Surpresa!!! Descobriu que o chefe já sabia do comportamento de seus colegas e, PASMEM, foi convidado a se retirar.
Hoje é mais um desempregado.
Seu Roberto C. Santos, te admiro muito!
Porém na minha maneira simples de pensar, acho que se você e mais alguns, fazem seu serviço bem feito.
Não estão fazendo mais que sua obrigação e não merecem elogios ou méritos por isso.
Nós pagamos seus salários e honestidade é uma virtude!
Dixi!
Arthurius, meu chapa, lembre-se que o Brasil é o único lugar do mundo em que o empregado (servidor público) destrata o patrão (nós, contribuintes) e não é demitido por isso.
Pode ver pelos comments que todos nós sofremos com isso.
Mas você, corretamente agiu: reclamar, por escrito, é uma das armas que nós temos.
Um abraço e bom natal.
Carllos Riccis last blog post..As marias-fumaça estão voltando!!!
Caro Arthurius, realmente vc tem razão. Sou funcionário público tbém e sei como os apadrinhados, q têm QI (Quem Indicou=Costas Quentes) fazem com os pobres clientes do serviço público e até com os colegas que ingressaram por meios próprios, através de concursos, muito estudo e inteligência para o setor público. É mesmo uma total falta de vergonha na cara o q se vê quando estamos perto de datas comemorativas. É um tal de “saio mais cedo pq tenho q comemorar e q se danem os clientes”; “vou viajar e emendar a semana inteira pq sou um aspone indicado e azar de quem precisar dos meus serviços” e assim por diante. E infelizmente, os funcionários públicos q trabalham corretamente, com zelo e presteza, acabam sendo penalizados tbém, pq não conseguem combater os “colegas QIs” párias metidos a besta q se acham os gostosões donos do pedaço. A politicagem e o tráfico de influências q graça solto na área pública fomenta essa situação. Mas é escrevendo e denunciando isso q poderemos tentar acabar com essa pouca vergonha. Detalhe: o serviço público federal paga muito bem. Já as áreas estaduais e municipais são uma bela porcaria. Talvez por isso os servidores sejam tão despreparados, desestimulados e se faça tanta vista grossa para seus abusos. Mesmo assim, deveriam trabalhar bem. No mais bom Natal e feliz Ano Novo.
NÃO SEI NÃO, MAS TEM UM PALERMA, OPS, DIGO, FUNCIONÁRIO PÚBLICO AQUI QUE ACHA QUE O SERVIÇO PÚBLICO VAI AS MIL MARAVILHAS, E QUE OS QUE RECLAMAM O FAZEM SEM RAZÃO.
ORAS, EU TRABALHEI NO SERVIÇO PÚBLICO. SEI BEM COMO FUNCIONA.
É CERTO QUE EXISTEM PESSOAS DIGNAS, QUE QUEREM REALMENTE DESEMPENHAR SUAS FUNÇÕES COM DIGNIDADE. MAS, INFELIZMENTE, ESBARRAM NA MOROSIDADE DOS DEMAIS E ACABAM LEVANDO A FAMA JUNTOS.
E NESTE CASO EU E UM COLEGA SOMOS EXEMPLO.
NÓS HAVÍAMOS VINDO DE EMPRESAS DA INICIATIVA PRIVADA, EU DA ERICSSON E ELE DA VILARES.
INTERESSANTE QUE FOMOS ADVERTIDOS CERTA VEZ, E PASMEM O MOTIVO: TRABALHÁVAMOS MUITO RÁPIDO E OS DEMAIS NÃO CONSEGUIAM ACOMPANHAR-NOS.
PARA SE TER UMA IDÉIA, SE FÔSSEMOS A MATRIZ DA DITA EMPRESA E PEDÍSSEMOS ALGUM SERVIÇO, UM VISTO, UM DOCUMENTO OU QUALQUER OUTRA COISA, ELES LOGO PERGUNTAVAM: “É PRA VOCÊ OU PRA EMPRESA?” – SE RESPONDÊSSEMOS QUE ERA PARTICULAR, FICAVA PRONTO NA HORA, MAS SE FOSSE PARA O SERVIÇO, DAI LEVARIA DIAS, SEMANAS OU SABE-SE LÁ QUANTO TEMPO LEVARIA.
TÍNHAMOS UM COLEGA QUE TRABALHAVA CERCA DE 100 (CEM) DIAS POR ANO!!! TUDO COM ATESTADO MÉDICO. E SABEM O QUE ERA PIOR? QUANDO SURGIA ALGUMA OPORTUNIDADE PARA SE FAZER UM CURSO, PALESTRA, OU QUALQUER OUTRO EVENTO, LOGO A CHEFIA MANDAVA O DITO CUJO, COM A DESCULPA ESFARRAPADA DE QUE ELE ERA PREGUIÇOSO, DAI TINHA QUE DEIXÁ-LO EM CURSO… QUANDO VINHA CLASSIFICAÇÃO, ELE TINHA VÁRIOS CERTIFICADOS E IA ACUMULANDO OS TAIS “JETONS”, CHEGANDO A TER UM DOS MAIORES SALÁRIOS DA COMPANHIA. SENDO ASSIM, DESMORALIZAVA OS DEMAIS, NINGUÉM QUERIA TRABALHAR, SÓ FAZER CURSO OU FALTAR.
CHEGOU AO CÚMULO DE UM COLEGA TRAZER ATESTADO MÉDICO, MAS O MOTIVO, PASMEM DE NOVO: ACOMPANHAR CACHORRO NO VETERINÁRIO!!??!!
TINHA UM DEPÓSITO NA COMPANHIA, O QUAL NINGUÉM PODIA ENTRAR. CERTA VEZ CHEGOU UM CARREGAMENTO GRANDE, EMBALADO EM CAIXAS DE MADEIRA BEM REFORÇADO, COM COISA QUE TIVESSE VINDO DE IMPORTAÇÃO. TRANCARAM NO TAL DEPÓSITO E FICOU NO ESQUECIMENTO. MUITO TEMPO DEPOIS, QUANDO A EMPRESA FOI PRIVATIZADA, INVENTARAM UM TAL DE INVENTÁRIO, DAÍ ENTRAMOS NO DEPÓSITO, QUASE CAÍMOS DE COSTA AO DESCOBRIR QUE O CARREGAMENTO ERA DE COMPUTADORES, TODOS IBM 233MMX, QUE NA ÉPOCA ERA TOP DE LINHA, MAS TINHA FICADO “ARQUIVADO” TANTO TEMPO QUE FICARAM OBSOLETOS.
ALGUNS EQUIPAMENTOS PERDERAM A GARANTIA HAVIA 10 ANOS, E OLHA QUE TINHAM GARANTIA DE 15 ANOS!!! ISSO PORQUE PASSÁVAMOS POR UMA “CARÊNCIA” DE EQUIPAMENTOS.
SE EU FOR ESCREVER TUDO QUE ACONTECIA POR LÁ, ESTE BLOG FICA PEQUENO, POR HORA, ACHO QUE JÁ SE PODE TER UM VISLUMBRE DE COMO A MÁQUINA PÚBLICA FUNCIONA.
DEPOIS A EMPRESA FOI PRIVATIZADA, DAI MUDOU MUITA COISA…
Em primeiro lugar, se o cidadão caiu na malha fina, deverá apresentar a documentação exigida para ter a restituição liberada. Por ser dinheiro público, não pode ser restituído a quem não faz juz.
O atendimento ao público não é ruim somente nas repartições, isso ocorre também nos bancos, callcenters, lojas, etc.
Um bom exemplo de respeito ao cidadão é o projeto Poupatempo em SP. O atendimento da Receita Federal de lá é excelente.
Olá Walter!
Talvez não tenha lido o artigo na íntegra. Eu estava COM TODA a documentação
solicitada. Contudo, a funcionária da Receita disse que “AGORA” eles
“RESOLVERAM” pedir mais tal e tal documentação.
Pela decisão do STF (logo irrecorrível) as indenizações trabalhistas são
ISENTAS de IRPF. LOGO não é dinheiro público não. É privado e foi
indevidamente recolhido.
Quanto ao mau atendimento. Concordo plenamente. A diferença fundamental; é
que nesses lugares que você apontou, assim que detectados os maus
profissionais, eles são defenestrados.
Já no serviço público, geralmente, são promovidos e ganham gordas
aposentadorias.
Quanto ao projeto em referência: Concordo. Um exemplo de desburocratização e
que devia ser seguido por todos os estados.
Obrigado por seu comentário e seja sempre bem-vindo.
Um abraço.
De fato, o funcionalismo público no país é vergonhoso em vários aspectos.
Tive a chance de estagiar em algumas varas da Justiça Federal e pude observar isso de perto. O chato é que tem muitos funcionários que honram sua profisão executando seu ofício com eficiência e agilidade. No final, esses são prejudicados pelas ações dos inúmeros preguiçosos sustentados pelo governo, ou melhor, pelo contribuinte.
O Governo é muito bom para cobrar, ou seja, quando devemos exercer os nossos deveres. Entrentanto para receber e exercer os nossos direitos muito pouco funciona com a mesma velocidade.
Abraços e boa sorte (essa você vai precisar)
Leandros last blog post..Utilidade Publica
[...] um artigo aqui que relatava uma “aventura” minha na Receita Federal aqui do Rio de Janeiro (NA RECEITA, NA FAZENDA E NO CABULETÊ) e o festival de descaso a qual o contribuinte brasileiro é [...]