
Depois dos escândalos do Juiz Lalau e da venda de sentenças, o Judiciário brasileiro perdeu sua aura de inviolável e de poder acima de qualquer suspeita. Afundado no marasmo do atraso e da ineficiência; o Poder Judiciário e, em especial, alguns juízes ainda se acham detentores de poderes místicos que os destacam dos meros mortais que teimam em agonizar a sua volta, derramando seu odor fétido de pobreza e quase mendicância, sobre as longas e reluzentes togas negras desses semi-deuses da austeridade.
Pois é. No entanto, a austeridade que tanto desejam refletir passa bem longe quando se trata de lidarem com o dinheiro público. Um exemplo do descaso, da má versação de fundos e do jeito rasteiro com o qual alguns magistrados agem para beneficiarem a si mesmos ou seus apadrinhados; foi descoberto no TRT de Minas Gerais.
Por lá, faxineiros, copeiros, serventes e outros funcionários de baixo escalão recebiam salários sempre superiores a R$ 5.000,00. Tudo graças a uma manobra bem elaborada para meter a mão no dinheiro público. O “interessado” prestava concurso público para essas funções em uma prefeitura do interior e, depois de aprovado, com seu salário “merrecal”; era “convocado” para exercer “funções administrativas importantes” no TRT-MG.
Ora, como não poderia deixar de ser, se as funções são importantes o salário também deve ser. E lá ia o contracheque do “funcionário humilde” para a estratosfera. O absurdo é ta grande, que após a auditoria, constatou-se que alguns desses favorecidos sequer prestaram o concurso; entraram diretamente já que era tão fácil enganar o erário público e arrumar uma graninha.
Como não poderia deixar de ser, esses copeiros, faxineiros e afins que prestavam esses “serviços administrativos importantes”; eram filhos, parentes ou pessoas ligadas a juízes, políticos, ministros e de várias autoridades mineiras. O vice-presidente judicial do tribunal, Caio Vieira de Melo, ainda afirmou que “não há situação de ilegalidade, já que os que estão trabalhando são amparados por situações legais” e que “esse quadro provisório já foi extinto”. Realmente, a situação de fazer um concurso público para copeiro e receber um salário maior que 5 mil deve ser muito legal.
O Ministério Público Federal ainda descobriu que o Tribunal de Contas mineiro também está recheado de irregularidades. Mesmo não sendo juízes, os conselheiros se viram no direito de participar da “boquinha”. Afinal de contas; lá também é um tribunal. Eles recebem salários que vão até 53 mil reais e manipulam dados do tempo de serviço para obter uma aposentadoria mais rápida e garantir o que chamavam de “apostilamento”; quando os salários eram incorporados definitivamente, após quatro anos de serviço, mesmo que o conselheiro voltasse a exercer funções mais modestas.
Como era bom o tempo em que, juiz ladrão, era coisa só de jogo de futebol.
Pense nisso.
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Sabemos bem que mesmo provando que existem irregularidades, nada serah feito e o dinheiro jah pago jamais voltarah aos cofres públicos.
As vezes eu me pergunto se as pessoas que praticam os crimes do colarinho branco não têm consciência que eles são a causa do sistema de saúde precário e de outras tantas mazelas no nosso pais…
Isso e muito mais, explica o fato da concorrência imensa em concursos públicos que não param de crescer. E a qualidade que deveria ser primordial fica em último plano já que o objetivo é fazer o pé-de-mais e não servir a população que paga os altíssimos e injustos salários.
Abração
Rodrigo Pivas last blog post..Quando Pagamos de Impostos no Dia-a-Dia
Parabéns Arthurius Maximus pela explanação, muito boa mesmo.
“Como era bom o tempo em que, juiz ladrão, era coisa só de jogo de futebol.” Essa encaixou direitinho no texto.
Pegando uma carona na deixa: “Juiz ladrão, porrada é solução”. Há alguma forma de protesto online? Envio de insultos à assessoria de comunicação deste órgão é a única coisa em que penso agora.
Mas, de uma certa forma, compreendo o caso. Os três poderes necessitam muito de uma boa faxina.
Thales Carneiros last blog post..Provão nesta quinta-feira avalia alunos da rede pública
É a farra da justiça. Cega, surda, muda e de bolso grande.
Abraços
Luiz Antônio Andrés last blog post..Baixe a cartilha "Como Agir na Crise"
É lamentavel arthurius maximus eu sou servidor publico e sinto na pele o que é um individuo intocavel pelas mesmas leis as quais todos temos que obedecer, eles simplesmente acham que o estado é a sua propria casa e fazem bem o que quizer com ele vejo todos os dias abusos tremendos aos quais a sociedade reprovaria veementemente,mas sabe o que acontece com um peixe pequeno quando resolve reclamar dos seus direitos. o anonimato é a segurança a que temos direito ou torcer que muitas outras pessoas vejam o problema e reclamem juntas para que se tome alguma providencia a respeito. E digo mais é loucura tentar derrubar pessoas assim denunciando as pois elas tem uma enorme rede de influencias “muitos amigos” voce vai sentir na pele. o erro que cometeu. infelismente o bom senso atropela a cidadania toda pessoa que trabalha como servidor publico e tem familia sabe do que estou falando.”maos amarradas”
um abraço a todas as pessoas decentes desse pais
Isto prova que na verdade o povo é corrupto.
Não digo todo, apenas 98%
Francisco Amados last blog post..Apresentação de Francisco Amado
“Como era bom o tempo em que, juiz ladrão, era coisa só de jogo de futebol.”
Me desculpe, mas quando foi isso?!
Abração!
o amnésicos last blog post..De profundis…
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