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VIOLÊNCIA, PUNIÇÃO E O MITO DA CAUSA SOCIAL.





O Brasil é o país dos coitados. Em determinado momento de nossa história, a Igreja Católica conseguiu difundir entre nosso povo a ideia de que a Justiça Divina resolverá todos os problemas e também a Providência Divina se responsabilizará por manter e prover o indivíduo e sua prole. Da mesma forma; para sermos justos e termos direito a um lugar no céu, deveríamos sempre oferecer a outra face e perdoar nossos inimigos por mais que nos ofendessem e nos maltratassem.

Muito mais que um mero conceito filosófico, essas ideias acabaram fazendo parte da consciência de nosso povo e passaram a determinar todas nossas ações e a forma como reagiríamos aos nossos problemas.

Hoje é difícil fazer uma pessoa entender que se ela se encher de filhos, a não ser que seja milionária levará uma vida de privações e de dificuldades; cabendo ao Estado, como entidade protetora máxima, prover meios para que eles subsistam.

Hoje se decidiu que as crianças, de qualquer idade, podem fazer o que quiserem porque não podem compreender a diferença entre o certo e o errado e, como suas vidas podem ser negligenciadas por pais despreparados e ausentes, o Estado deve prover a educação e a proteção a sua existência. Arcando assim, com todas as suas vontades e desejos; razoáveis ou não.


Hoje se determinou que as penas aplicadas a criminosos devem ter, como premissa básica, a recuperação do indivíduo. Deve-se proteger os seus direitos a qualquer custo, mesmo que esses mesmos indivíduos sejam sádicos com dezenas ou centenas de mortes “nas costas” e criminosos contumazes que aguardam apenas uma oportunidade para delinqüirem.

Hoje se determinou que o usuário de drogas é um doente. Logo, mesmo transgredindo a lei e financiando o poderio da criminalidade; deve ser liberado de quaisquer responsabilidades por seus atos ilegais e deixado à parte de qualquer sanção.

Em nosso país, todos os que optam por viver a margem da sociedade são tratados como coitados e como seres indefesos e injustiçados que devem ser amparados pelo Estado e mantidos a salvo, enquanto a grande maioria da população é mantida como refém de seus algozes.

Não é difícil compreender que o mito da causa social da criminalidade e da violência é baseado em meras mentiras e ideias erradas por um fato incontestável e contra o qual não há argumentos: A maioria da população pobre não é delinqüente.

Logo, resta apenas a hipocrisia e a falácia de uma causa infundada que apenas favorece a usurpação da realidade e a utilização das pessoas para atenderem a interesses políticos e econômicos de inúmeros ramos da mesma sociedade. Religiosos em geral e políticos oportunistas alimentam-se da miséria e dele dependem para atingirem os seus objetivos.

Semeando e fomentando a desesperança, a culpa e a ideia de que a sociedade é a culpada por tudo; eles nos mantêm como reféns e se aproveitam de nosso torpor para nos governarem.

As pessoas têm a obrigação de entenderem que uma prole numerosa não é para todos. O Estado provém meios diversos para a contracepção de forma regular e gratuita. O controle de natalidade é uma medida libertadora da mulher e, comprovadamente, de melhoria das condições de vida de uma população.

As pessoas devem entender que um criminoso deve ser punido por seus atos. Trabalhos e orientação para sua ressocialização devem ser oferecidos e incentivados. Porém, o objetivo da pena não é a recuperação do indivíduo. Seu objetivo é afastá-lo da sociedade, protegendo-a dele, e garantir que o mesmo seja punido por seus atos.

Esse equívoco permite, por exemplo, que empresas atuem criminosamente em contínua ilegalidade junto aos consumidores e sejam “brindadas” com sentenças pífias e que representam mais um prêmio pela transgressão do que uma punição. Basta analisarmos o alto índice de causas trabalhistas e cíveis em nosso país. A ideia difundida de que, a sentença não pode enriquecer o favorecido, causou uma verdadeira aberração jurídica em nosso país. Hoje temos empresas que atuam tão fortemente de maneira ilegal e lesam tanto seus clientes e empregados, que forma “convênios” e montam representações no Judiciário para “negociarem acordos”.

A mesma coisa acontece na esfera trabalhista. Existem empresas com milhares de ações que tratam das mesmas violações, ano após ano. Sem que nada mude. Uma única sentença na casa dos milhões resolveria todo esse problema rapidamente no meio empresarial. Mais uma vez, a política do coitado (afinal não podemos falir as empresas) favorece a ilegalidade e premia o vício do descumprimento da lei.


As pessoas devem entender que, após a aprovação do E.C.A. (Estatuto da Criança e do Adolescente) o índice de criminalidade entre os menores explodiu para a estratosfera. Numa só tacada, criou-se a figura do coitado que pode tudo. Por ter sido, possivelmente, negligenciado por seus pais ou por ser pobre e injustiçado, o Estado lhe dá uma carta branca para matar e extravasar seus mais profundos instintos de destruição e toda a psicopatia que é própria dos que se acham inatingíveis e intocáveis pela lei.

Maior prova disso é o julgamento recente de inúmeros monstros que fazem gelar os ossos dos mais loucos criminosos, mas que são “pobres crianças desamparadas” para muitos pseudo educadores e legisladores de ocasião que defendem essa aberração como uma “conquista da sociedade”.

Assim, temos crianças espancando professores; “Champinhas” estuprando e matando com requintes de crueldade; menores, de todas as classes sociais, roubando e matando apenas porque estão entediados ou drogados demais e, a última aquisição para o rol de monstros mirins; um “rapaz” que tem mais de onze assassinatos atribuídos a ele (confessou dez) e cometeu crimes a luz do dia em praça pública; ele é assumidamente um matador profissional (vive disso desde os quinze anos) e está sendo julgado como menor; gozando dos benefícios dessa lei estúpida e fantasiosa.

E por aí vai. Enquanto continuarmos achando que o simples fato de ter problemas econômicos, sociais, mentais, espirituais ou de qualquer ordem, automaticamente dê ao indivíduo um passe livre para a ilegalidade e uma desculpa para fazer o que bem entender; continuaremos reféns da criminalidade, da violência desmedida e da guerra urbana que se instalou em nossas grandes cidades.

Experiências testadas e provadas nos E.U.A. (em Nova York), na Colômbia (Cáli) e em outras cidades ao redor do mundo, mostraram que a tolerância zero é a única forma de reduzir a criminalidade a níveis humanamente aceitos e socialmente adequados a qualquer país que deseje se libertar do eterno círculo da pobreza e da miséria crônica. Derrubando por terra qualquer possível verdade que houvesse por trás do mito da causa social da violência.

É importante entender que só o social não basta. É preciso haver punibilidade e eficiência do aparato legal aliadas ao trato social da população.

Pense nisso.

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10 Responses to “VIOLÊNCIA, PUNIÇÃO E O MITO DA CAUSA SOCIAL.”

  1. Rodrigo Piva disse:

    Já passou da hora de acabar com a demagogia e hipocrisia e tomar uma atitude contundente contra crimes praticados por criminosos, independente da idade que tenham, como acontece em vários países sérios. Não podemos viver eternamente como prisioneiros enquanto eles bandidos ganham benefício atrás de benefício. Uma verdadeira calamidade.

    Abraços

    Rodrigo Pivas last blog post..20 Excelentes Logotipos criados com Helvetica

  2. tifongirl disse:

    bem, começarei este comment com uma coisa que me irrita um pouco: já agora, porque é que não damos aos miudos a brochura ” o mundo é cruel, habitue-se a isso”?

    já que toda a gente acha que a melhor maneira de resolver as coisas à pancada, porque é que uma pessoa não pode expressar as coisas pela palavra e pelo direito justo e imparcial?

    ah, sim, porque, neste mundo cão, só os cães com mais dinheiro é que vencem, não é isso!

    graças a Deus, ainda há pessoas que se preocupam com o nosso mundo!|….

    um abraço

    tifongirls last blog post..encontro com o caminho de dois sentidos…

  3. O que eu não consigo compreender, é que para mim o que você escreveu é uma conclusão obvia.
    Como que aqueles que promulgam as leis, e que teoricamente deveria ou tem mais cultura, esclarecimento e estudo do que eu, não compreendem assim?
    De uma olhada neste artigo.
    http://adriloaz.blogspot.com/2008/11/priso-ideal-voc-contra.html

    Francisco Amados last blog post..O silêncio dos jornais

  4. Certa vez eu estava orientando familiares de uma vítima de sequestro quanto à negociação com os extorsionários. A vítima de sequestro era um senhor de 72 anos de idade, e seu irmão, com 69 anos, estava fazendo a negociação.
    Após 12 dias de sequestro o ladrão informou que jogaria a vítima em um buraco com 10 paezinhos e uma garrafa de água e só o tiraria de lá após 10 dias. Ameaças como essa são normais, e o seu irmão já estava orientado para essa situação. Perguntou ao ladrão: “Mas meu filho, por quê você está fazendo isso conosco” ? E o ladrão respondeu: “Deus pôs o dinheiro no mundo para todos, e vocês estão com a minha parte. Só estou exigindo o que é meu por direito divino”.
    Mas o que mais me impressionou foi a convicção demonstrada ao fazer tal afirmação…

    Se começarmos agora, quantas gerações se passarão até que tal mentalidade seja alterada ?

    Abraços
    Flávio

    Flávio Lapa Claros last blog post..DPME – DESRESPEITO COM O FUNCIONÁRIO PÚBLICO

  5. o amnésico disse:

    A Tifongirl acredita no ser humano. Eu também; por isso, ele me dá medo.

    As culturas ditas “primitivas” foram estudadas pela antropologia; para o comportamento civilizado, parece ser melhor apelar para a criminologia e a vitimologia.

    Do jeito que está dá medo pensar aonde isso vai parar…

    o amnésicos last blog post..Politicando

  6. neudson disse:

    Considero muitas de suas colocações como válidas. Mas, também é fácil só querer que tudo seja bom, perfeito, lindo, chic, ect, quando existe um submundo que aqueles que dominam o país (os ricos) fazem questão de esquecer. Toda a conjutura atual é resultado das ações dessa camada da sociedade. “Ação e reação”. Gostariam os ricos que as camadas inferiores não tivessem reagido. No processo de urbanização da sociedade brasileira a Igreja perdeu sua força sobre os pobres. Meu pai, lá no sertão do Ceará, beijava a mão do padre que só celebrava para os ricos. Ele nunca se tornou um bandido. Essa época acabou. Se a sociedade quer mudar, transforme o que está errado. Uma mulher furtou numa fármacia uma lata de leite e nem a OAB, consegui soltá-la. No entanto, os donos da Daslu estão soltos. Aqui no Ceará, Tasso Jereissate é o Rei. Nem uma bolsa de estudos para um estudante pobre aprender música clássica ele oferece. Tudo bem, o dinheiro é dele. Já lecionei para os pobres e para os ricos. Eu, assim como Florestan Fernandes e outros brasileiros pobres, tivemos que superar a desigualdade de uma sociedade que quer andar em seus carros novos, nos shoppings das grandes grandes cidades sem ver a merda que fizeram seus antepassados. Estudei numa escola municipal de Fortaleza, no tempo do “Totó”, em 1983, o governador Gonzaga Mota (Merda de Político) nos deixou 8 meses sem aulas. Quantos daquela geração se foderam? Nascer pobre no Brasil é assim! Criticam o Presidente Lula, por ser um nordestino sem formação superior, como se ele tivesse tido as mesmas oportunidades que Fernando Henrique Cardoso. Não querem pobres metidos a inteligentes. Vejo na periferia de Fortaleza a tal cultura da violência, crianças nas ruas sem escolas dignas, sem um olhar para o futuro. Carrões passam nas ruas chiques e, nem sequer lhes têm compaixão. Então, taí a situação. Crimes de todos os tipos. Querem éndurecer as leis só para os pobres? Até a juventude da classe média em diante acredita nela. Virou farra. Viajando para o Estado do Maranhão, vejo nas margens crianças de buchos grandes, feias, tristes, enquanto a família Sarney usurpa tudo! Vão a merda! Ainda tenho vontade de fuzilar alguns personagens dessa maldita sociedade. Revolta! Mas, têm muita gente conhecida, como o Niemeyer, falam quando podem e, todos têm que ouvir. Mudem as coisas agora, como a justiça, mais igualdade (utopia! nem a igreja pregou isso!) e distribuição das riquezas, que tudo se tornará um pouco melhor. Ah, me lembrei do garoto de favela que foi adotado por dinamarqueses e voltou um homem bem formado, educado e tal. Violência e punição, não é coisa dos pobres.

  7. neudson disse:

    Esse tal Ministro do Supremo parece com todos as figuras históricas prepotentes de nosso país. Vejo nele, aquele ar de que, quem estiver em baixo se que lasque. Justiça só para os pobres. Conheci algumas figuras do direito, que agem dessa forma. Indiferentes, arrogantes, são os verdadeiros filhos de Deus e, o resto não interessa. Tem uma raiva do Lula sem tamanho. Algemas só para pobres! Os da Daslu, saem rindo. Esteve o Ministro, aqui em Fortaleza, curtindo um fim de semana incógnito, numa pousada para barões. Filhos da Puta! São da mesma laia que incedeia índios. Aposto que ele é contra dar assistência social (bolsa família, projovem, etc.) já que é melhor dar a vara de pescar (boas escolas públicas, por exemplo, que sempre foi negada pela elite em épocas passadas) e nunca deram. Cadê ela? Sei do esforço do Ministro da Educação a quem devo muita admiração. Reverter os erros do passado? Nem eu consegui fazer isso na minha própria vida! Voto para tal no Ministro gente fina, Carlos Britto.

  8. Olá Neudson!

    Seu comentário é muito bem colocado e verdadeiro.

    É importante entender que quem coloca esses maus políticos e perpetua esse
    círculo de atrocidades somos nós mesmos.

    Quando a população se exime do direito (e do dever) de acompanhar àqueles
    que elegeu e saber o que fazem e em que votam, ela abre mão de controlar o
    seu destino e de dar-se oportunidades de mudança em seu estado de vida. Ao
    relegar a política e a participação popular, com a fiscalização e com a
    cobrança, para um plano secundário em suas vidas; nosso povo abriu mão do
    controle da nação para essa corja.

    É certo que sem uma ação social eficiente, que não fique só na esmola, nós
    nunca melhoraremos. Mas o endurecimento das leis e a presteza do Judiciário
    (com julgamentos rápidos e exemplares DE TODOS) são elementos que
    fundamentarão as conquistas sociais e terão um enorme efeito inibidor na
    criminalidade.

    A maior prova de que pobreza não é requisito para a violência é nossa
    própria sociedade. Quantos, como você bem falou, atravessaram dificuldades e
    se transformaram em homens de bem (ainda hoje)? A grande maioria quer
    crescer e melhorar com seu próprio esforço e luta. Quer apenas oportunidades
    justas.

    Enquanto isso, muitos que tiveram tudo entram no crime por opção. A estes,
    o rigor da lei e um Judiciário mais atento e rápido seriam um enorme fator
    inibidor.

  9. mario casprechem disse:

    O MAIOR PROBLEMA DO NOSSO POVO É QUE SOMOS MUITO MEDROSOS, POIS A PARTIR DO MOMENTO EM QUE TERMOS MAIS CONFIANÇA EM NOS MESMOS E DEIXARMOS ESSE MEDO DE TOMARMOS INICIATIVAS É QUE AS COISAS COMEÇARAO A MUDAR O MAIOR ERRO QUE COMETEMOS É DE DEIXAR QUE O PROBLEMA DO PROXIMO, ELE QUE RESOLVA POR SI SÓ E SE IMPORTARMOS MAIS COM NOSSOS SEMELHANTES É AI QUE AS COISAS COMEÇAM A MUDAR. TEM QUE SE TOMAR MAIS INICIATIVAS MESMO QUE ESSAS INICIATIVAS NOS TRAGAM RISCOS INFELISMENTE A NOSSA LETARGIA É QUE TRAZ A NOSSAS VISTAS TODAS ESSAS BARBARIDADES QUE VEMOS TODOS OS DIAS; COMO DIZ UM COMERCIAL DE SABAO EM PO QUE FALA EM QUE “SE SUJAR FAZ BEM” EU ACHO QUE ESTE É O CAMINHO GOSTEI MUITO DA SUA EXPLANAÇAO ARTHURIUS MUITO BEM ELABORADA.UM ABRAÇO A TODOS

  10. eduardo lima disse:

    em nova iorque havia o mito que violencia se combatia com giz e caneta e que violencia nao se combatre com presidios,apos a consciencia mudar e a punicao se tornou a maior arma contra o croime a violencia caiu 90%

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