
Nesta quarta-feira (01/04), mais do que o dia da mentira, o Brasil comemorou duas notícias alvissareiras que há muito eram ansiosamente aguardadas. A primeira, e a mais importante foi a aprovação do fim de um dos dispositivos mais injustos da nossa legislação: O Instituto da Prisão especial.
Como se o fato de ter um diploma do ensino superior, ser sacerdote ou político (além das outras exceções) fizesse alguém um “criminoso melhor” do que outros menos afortunados. Este dispositivo só existia mesmo na prática para fomentar a impunidade e garantir privilégios a membros das classes mais favorecidas e aos políticos corruptos.
Pois bem; depois de vários anos de luta o senado acabou aprovando um projeto, do senador Demóstenes Torres, que acabava com a prisão especial e a reservava apenas para os políticos. Depois de uma grita geral de toda sociedade e uma pressão para mostrar “boa vontade” em direção ao fim da impunidade, os senadores acabaram revertendo essa benesse dada a eles mesmos (e a seus compadres) e mudou de vez o projeto para banir a prisão especial para qualquer pessoa. Ficando, agora, a cargo do juiz determinar quem pode correr risco de vida (ou não) ao ser preso. Na prática, sabemos que o Judiciário continuará mantendo a prisão especial para muitos apadrinhados e elementos “da sociedade”. Mas foi um avanço considerável.
Resta saber se o projeto será aprovado, nas duas casas, e sancionado pelo presidente (ainda neste século). Cabe aí, a pressão popular máxima sobre os senadores e deputados.
Outra notícia feliz foi o início do julgamento da Lei de Imprensa e da obtenção de dois votos pelo seu fim na totalidade. Algo oriundo de um dos períodos mais negros da nossa história não pode ser lá coisa boa.

Resta também a questão da exigência de diploma para jornalista. Os que a defendem pregam que o jornalismo é como Cirurgia Cerebral; só os qualificados e diplomados podem exercê-lo. Só que eles se esquecem de que os grandes vultos que estudam nas faculdades, muitas vezes sequer terminaram seus estudos.
Jornalismo é questão de talento, garra e muito trabalho. Nada mais. E nada disso se aprende na faculdade. O que transparece mesmo é o imenso lobby das universidades, faculdades, e profissionais que ganham a vida ensinando o jornalismo; além da clássica vontade (e praga) de reservar-se mercado para tudo. Dificultando o acesso das pessoas talentosas e dispostas a exercer a profissão.
Mais ou menos o que fazem os bancos e algumas empresas hoje; exigindo nível superior para funções como contínuo, escriturário, caixa, etc… Algo simplesmente excludente e injustificável.
A carta na manga, como não poderia deixar de ser, é o fato de que nossos políticos sempre que mordem; assopram.

Aproveitando todo o bafafá em torno da votação do fim da Lei de Imprensa no STF; da aprovação do fim da Prisão Especial para todos e do encontro de Lula com o G20 em Londres; nossos ilustres senadores aprovaram (por unanimidade) um projeto (Sen. Cristovam Buarque – Fiquei Pasmo!) visando aumentar ainda mais a boca livre com nosso suado dinheirinho. Querem agora AUMENTAR o número de parlamentares em nome de uma pseudo representação dos brasileiros que vivem no exterior. O senador perdeu uma grande oportunidade de legislar pela educação ou de ficar quieto no seu canto.
Isso só pode ser uma piada. Cabe a nós mostrarmos como é de mau gosto. Envie um e-mail para os deputados e senadores do seu estado (agora o projeto vai para segundo turno no senado e depois para a Câmara) exigindo a revogação desse absurdo. (Clique Aqui Para Deputados e Aqui Para Senadores do Seu Estado)
Pense nisso.
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Se aprovada representação aos brasileiros que moram no exterior,logo teremos lei para aumentar nas assembléias e câmaras a eleição de representantes dos que moram em outras cidades e outros estados(gaúchos na Bahia,por exemplo).
Afinal num país em que todo mundo quer uma vaga de AsPoNe
ou um vale-esmola sempre há a chance de conseguir uma boquinha.Como dizes,é hora de pressionar.
Quer se revoltar ainda mais ? Espera pela surpresa que o Ministro Orlando Silva tem para todos os brasileiros. Imposto para a Copa do Mundo de 2014. Isso mesmo, vai sair do seu, do meu, do nosso bolso.
Damnatis last blog post..Facebook e Twitter são inviáveis financeiramente
Mais representantes ou mais ratazanas?
Estou cansado desse País das bananeiras, esse mesmo imbecil e demagogo “quer” aprovar uma lei para que filhos de funcionários públicos estudem em escolas publicas.
Nos queremos é menos “representantes” e mais, muito mais honestidade e hombridade da parte deles, material hoje escasso no Senado e na Camara dos Deputados, dentre outros.
Finalmente um sopro de bom senso aprovou o fim da prisão especial, porém como vai ficar a cargo dos juízes decidirem quem tem direito a cela especial por quaisquer motivos que comprometam a segurança do réu, pode ter certeza de que políticos vão se beneficiar. Ou não, já que não vão presos mesmo….
Agora, essa aprovação de novos cargos foi lamentável. Um absurdo sem a mínima necessidade.
Abração
Rodrigo Pivas last blog post..10 Excelentes Currículos para Designers e Web Designers
São tantos os descalabros que ocorrem aqui no Brasil e também em outros países onde os governantes legislam sempre em causa própria que às vezes penso que seria melhor a ausência de governo. Brincadeirinha a parte, é tanto dinheiro saindo pelo ladrão, tanto auxílio isso e aquilo para políticos ( que já ganham muito mais do que merecem)que falta para aquilo que é mais importante e necessário.
Também acho que prisão é para bandidos. Seja do colarinho branco, preto, marrom ou qualquer outra cor.
Outro absurdo é termos que fazer pressão ou correntes para que alguma coisa não seja votata. Não são os políticos “eleitos” pelo povo que deveriam estar “zelando pelo bem da população?” Estariam eles lá cuidando só do seu bem estar? Teriam se esquecido das promessas?
Infelizmente parece que a maioria sofre de amnésia depois que tomam posse. Se esquecem daqueles a quem representam e o povo ainda precisa estar atento às suas bobagens. Isso parece com filho criado e barbado que ainda continua dando trabalho aos pais quando deveria já estar cuidando deles.
Boa semana.
Ótimas suas postagens.
Ah… também acho que se diploma autorizasse alguém a ser qualquer coisa Leonardo da Vince não teria sido o gênio que foi, nem Michelângelo, nem Shakespeare…
Abraço grande
Angel
O último parágrafo foi um balde água fria. Tava muito bom pra ser verdade…
A cada dia eu fico mais triste em como se governa nesse país, independente do partido, ideologia… Alguns poucos políticos que salvam. Minha fase de raiva já passou há tempos.
Porém, notícias como o fim da prisão especial e a mudança na lei de imprensa me dão um pouco de alegria.
Infelizmente sempre fomos governados por ladrões isso é algo que já faz parte da nossa cultura, e pra mudar seria necessário fazer algo que nunca tivemos coragem de fazer, que é lutar pelos nossos direitos, isso significa se unir e sair às ruas pedindo a cabeça desses políticos. Eu particularmente acho que o certo seria promover atentados em brasília mais o povo e´uma desgraça, prefere morrer de fome que lutar por seus interesses.
mauricios last blog post..Os judeus e o Hezboallah
Arthuris, discordo de você em partes. Concordo que jornalismo é questão de talento e que muitas fazem a faculdade para ter um diploma e nada maia. Mas porque uma pessoa que não tem diploma pode concorrer com alguém que passou 4 anos estudando e pagando mensalidades? Você acha isso justo? Eu não acho e sou a favor do diploma. Sou jornalista e não consigo atrampo fixo na area há quase 1 ano e meio. Vivo de bicos e estou cursando pós onde posso migrar até para outra area, porque o campo do jornalismo está saturado, com poucas vagas e muita gente sem diploma no lugar do jornalista. Porque então os ministros do STF não votam pelo diploma de direito? Afinal é advogado que pode julgar o certo e errado? Abraços.
Guilherme Freitass last blog post..MARADONA ETERNO
Olá Guilherme!
Infelizmente, as pessoas que cursaram a faculdade de jornalismo em nosso
país foram enganadas (essa é a verdade). Pois desde o século passado o
Brasil é signatário de acordos internacionais que eximem o profissional do
jornalismo do diploma. O próprio sindicato sabia que a exigência era ilegal.
Mas como são controlados pelas grandes empresas e os interesses são quase
sempre comuns…
As faculdades surgiram justamente para suprir uma lacuna arrecadativa de
algumas instituições e eram mais um complemento facultativo (como os cursos
de gastronomia hoje) que, aos poucos, os interessados conseguiram firmar
como obrigatório e criar uma reserva de mercado que lesou milhares. Entendo
que um curso superior nessa área possa ser voltado para quem deseja
profissionalizar-se como dirigente ou empresário no ramo. Mas, para um
repórter ponta de linha; é perfeitamente dispensável.
E entendo mais ainda que todos os que fizeram a faculdade fiquem “P” da vida
com isso. Afinal de contas lutaram e batalharem com privações e apertos sem
número para garantir um futuro melhor para si e para os seus.
Mas, o grande problema é que tudo já começou errado. Aliás como sempre por
aqui. Eles fazem e nós pagamos.
Ah, nossos políticos morcegos-vampiros! Revogam os dispositivos legais da prisão especial porque sabem que, como práxis nos tribunais, ela continuará existindo, como você bem apontou. Enquanto isso, controle externo do Judiciário, nem pensar!
A revogação da lei de imprensa seria uma justiça tardia que faz com os profissionais da área — que ela vá significar liberdade de expressão só o tempo vai mostrar, já que os órgãos de notícias continuarão reféns da lei de concessões (para existirem) e dependentes dos anunciantes (para sobreviverem). Ainda há muito o que corrigir, na área do “quarto poder”…
Quanto ao fim da suposta necessidade de curso superior para o exercício do jornalismo, um temor estranho foi expresso no comentário anterior, pelo que caberia perguntar: que noção de justiça seria essa que vê uma ameaça em se concorrer a um posto profissional com alguém que não tem diploma de nível superior? Terá um não diplomado alguma obscura vantagem competitiva que não se ensina nas faculdades de jornalismo?
Eu entendo que os estudantes de jornalismo se sintam traídos, imaginando que seus esforços e mesmo sacrifícios em certos casos, se mostrem de uma hora para outra tendo sido em vão; mas não posso deixar de pensar que eles também se deixaram enganar, aceitando passivamente a perpetuação de um instrumento de excessão, o que, é triste dizer, depõe contra suas próprias capacidades profissionais.
Para completar, me parece que os próprios instrumentos legais inseridos na questão (Decreto-lei nº 972, de 17/10/1969 para a obrigatoriedade e Ação Civil Pública n° 2001.61.00.025946-3, de 11/10/2001, contra a mesma) demonstram suficientemente o caráter corporativista da primeira e mais democrático da segunda, tornando a defesa da lei de imprensa injustificável não só do ponto de vista jurídico como do ético.
Sobre a punhalada no final do texto: não bastou aumentarem de 51.748 para 59.791 o número de vereadores aqui no Brasil? E os brasileiros residentes no exterior votam para que, afinal?
Ufa! Essa foi longa, me perdoe. Como nota final, excelente a primeira charge!
Abraço!
o amnésicos last blog post..4 akbal 11 cumku
Credo! Exceção com dois “s”! Eis no que dá ser prolixo…
essa é que é uma história que eu hei-de contar aos meus netos: a lei que faz com que os presos e criminosos mais “instruidos” saiam da prisão….já temos problemas com os que já andam à solta, quanto mais os que estão na choça!…
isso é que era bom, não erA?
sendo assim, toda a gente poderia fazer o que queria, que sempre saia impune, não era verdade?
Espera aí, oh… mas isso já acontece ;O)
enfim, deixo-te com este comentario, espantado e admirado, mas conformado com este mundo cão, virado de pernas para o ar|…
um abraço
Segundo os números divulgados pelo Ministro Gilmar Mendes, em 2008 o STF concedeu 18 habeas corpus a pobres, de um total de 350. É impressionante e revoltante, um ministro que é sustentado pela maioria pobre falar desta forma, esta provado que só os mais afortunados recebem os benefícios daquele Tribunal.
E vocês ainda acreditam que os ricos vão ficar em celas comuns, estou pagando pra ver.
Quanto a diploma de universidade, é realmente lobby, a maioria das escolas particulares e universidades são propriedades de igrejas.
Cristovão Buarque é um pateta, acho que só usaram o nome dele, já inclui na minha lista dos que não contam com meu voto.
Ai meu Deus. Jornalista num é só repórter de televisão. Estuda-se comunicação social. Pode ser assessor de comunicação de uma empresa. E assessor que trabalha de verdade, não Aspone. Quem fala que assessore é tudo aspone não passa de senso comum. Se estuda legislação, ética, redação…
A verdade é que os empresários querem acabar com o diploma para pagar mais barato. O sindicato dos jornalistas são fortes e a Fenaj consolidada. E eles não admitem profissional de jornalismo sem diploma e com salários abaixo do piso. Um jornalista hoje ganha em média 2 mil de piso. Sem a exigência, pagariam um salário mínimo para se ter mais trabalhadores.
Aí eu pergunto: e a qualidade? Vai pra onde? E me refiro em qualidade não pelo fato de quem tem diploma ser mais competente de quem não tem. Sabemos que não é verdade. Mas quem consegue trabalhar perfeitamente com um salário mínimo? Quem dá o gás, trabalha 8 horas diárias, ganha 460 e fica com sorriso na cara?
A soceidade deveria apoiar os jornalistas. Amanhã podem querer cortar diplomas de história, Letras, Matemática, Biologia, Enfermagem…
Claro que percebi o tom de ironia do texto qnd fala que os jornalistas se acham muito importantes se comparando aos médicos. Mas deveríamos valorizar os profissionais. Quanto ao que foi dito que muita gente só tem diploma por ter, concordo plenamente. Tem muita gente ruim nas faculdades. Mas deixem que o mercado de trabalho se encarreguem deles. Se hoje, já é complicado a disputa no mercado, imagine depois que esse absurdo se tornar real.
Eu sei mexer no AutoCad. Vou fazer uma planta e vender como arquiteto.
“Cada um no seu quadrado”, baby.
Concordo que diploma não dá atestado de competência pra ninguém, sei que tem muita gente fraca nas faculdades. Sei que tem muita faculdade ruim tb que abre cursos apenas para lucrar. A questão do STF é querer acabar com toda a Lei de Imprensa, o que de fato, acabaria com o diploma tb. Mas a Fenaj e os jornalistas querem acabar com parte da Lei de Imprensa. A parte que hoje é inconstitucional. Daí a perda há alguns anos da criação do Conselho que foi barrado pelo judiciário. Mas temos faculdades boas de jornalismo. Temos universidades públicas renomadas. a UnB é um exemplo de excelente curso de comunicação social. Esquecemos tb da área de pesquisa em comunicação. Da área acadêmica. Ou de outras áreas que não seja redação de jornal.
Quando vc fala que o mercado vai regulamentar os diplomados e os não diplomados eu concordo em partes. Mas hoje já tem demissões a torto e a direito no país. Empresas de comunicação fechando e jornalistas trabalhando dobrado pra se manterem em seus empregos. Sem qualificação, sem sindicatos, sem organização da classe (de qualquer classe) os trabalhadores são fracos. E ficariam a mercê (mais ainda) dos empresários.
E não é bem assim, muitos profissionais “monstros sagrados do jornalismo” tem sim o diploma. Os que não tem, usam uma brecha do radialismo. Que são radialistas e exercem o jornalismo. Já é errado, mas “tá dentro deixa”. Ninguém vai caçar o emprego de uma pessoa quando ela trabalhava antes da regulamentação. E os sindicatos de ambos (jornalistas e radialistas) compreendem isso.
Por quê não questionam a necessidade de diploma pra advogado? É só ler um monte de livros?! Tem muito concurseiro que dá de 10 em gente que tem carteirinha da OAB.
Para ser publicitário basta ser criativo? Acho que não. Maus profissionais existem em todas as áreas e estão desempregados. Tem muita gente que acha medicina lindo, mas não está disposta a estudar dez anos. Na comunicação é a mesma coisa, os preguiçosos acham que é só ter uma inspiração divina e pronto.
Seguindo esse raciocínio estúpido todos os cursos superiores deveriam virar tecnólogos. Pra quê estudar história, filosofia, sociologia? Será que para ser jornalista basta ser alfabetizado?