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Finalmente o STF decidiu pelo fim da exigência de diplomas para o exercício do jornalismo. Em minha opinião um ato acertado pelo simples fato de que, a tal exigência, ia de encontro a acordos internacionais e tratados assinados pelo Brasil; sendo apenas um dos ranços da ditadura militar.

Na época da ditadura o jornalismo brasileiro era composto por homens de grande inteligência e idealismo. Rapidamente expunham as mazelas dos militares e agiam como se fossem feitos de aço ou seres imortais. Tudo faziam e arriscavam na luta constante para mostrar ao povo brasileiro a verdade, que era constantemente jogada para baixo do tapete pelas botas reluzentes. (Bem, pelo menos a maioria. Porque uma parte acobertou e ganhou muito com o regime)

Sabe de uma coisa muito interessante, caro leitor? Quase a totalidade desses homens não era formada em jornalismo ou mesmo tinha algum curso superior. Isso mesmo; inúmeros profissionais que hoje são deuses do jornalismo brasileiro e criaram as técnicas e bases que são ensinadas nas faculdades de jornalismo; nunca possuíram um diploma de nada. Assim, o jornalismo nacional produziu seres divinos como Hélio Fernandes, Carlos Lacerda, Carlos Castelo Branco, Alceu de amoroso Lima e Vladimir Herzog e tantos outros. (Para não falar na turma do Pasquim e de outros jornais, emissoras de rádio e de televisão; o que formaria uma lista enorme de pessoas).

Tentando impedir que esse pessoal criativo trabalhasse contra a “revolução”, os militares resolveram limitar o acesso a profissão através dessa exigência ridícula. Assim, poderiam impedir, numa tacada só, que elementos provenientes de camadas menos abastadas da sociedade chegassem aos meios de comunicação para derramarem seus talentos e, ao mesmo tempo, podiam doutrinar e vigiar de perto todos os que tinham recursos para custear uma universidade. Atuando diretamente na formação e na qualificação desse pessoal.

 

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Muitos dos que abriram cursos de jornalismo eram elementos que, de uma forma ou de outra, se aproveitaram do regime e compactuaram com ele; colhendo assim suas benesses e favores. Muitos deles posam hoje de defensores da liberdade; mas comeram durante muitos anos nas mãos do regime ou adoravam agradar “os generais”.

É lógico que, quarenta anos depois, a cultura do diploma já estava estabelecida e tida como central e estatutária para a carreira jornalística. Afinal de contas, em cima desta exigência, criou-se toda uma indústria de cursos, faculdades, pós-graduação, sindicatos desejando reserva de mercado e federações ansiosas para se tornarem as próximas OAB’s e arrecadarem fortunas dizendo quem pode ou não trabalhar.

A fala de que a profissão de jornalismo está em risco e que “foi um duro golpe” nos cursos e nos sindicatos é uma idiotice porque reflete apenas a falta de visão e a falta de transparência que muitas pessoas desejam impor.

A necessidade de curso superior para ser jornalista é descabida porque impede o talento real de aflorar, se exprimir e ser reconhecido. Trata o fora de série como imbecil e coloca a importância de uma profissão num pedaço de papel.

Os cursos superiores podem muito bem cumprir o seu papel de ensinar as técnicas a profissionais que desejem evoluir na carreira: um editor, um diretor ou outro profissional do meio que deseje cargo de chefia ou a ele se candidate. Mas, que mal há do repórter “pé-no-chão” ter apenas um segundo grau? Isso o transforma num imbecil? Em vista da qualidade de muitos jornalistas formados que vemos por aí; eu acho até que trata-se do contrário.

A mesma norma se aplica a inúmeras outras profissões que podem muito bem dispensar a presença de um diploma e serem exercidas da mesma forma. Você sabia que para ser caixa, escriturário, atendente ou até office-boy em alguns bancos você necessita de curso superior? A pergunta de dez milhões de dólares é: Para que?

 

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A profissão não vai se degenerar e nem acabar. Ou muito menos como disse o presidente da FENAJ: “Éramos uma categoria e agora somos um bando”. Essa declaração é uma prova de que um diploma não atesta a inteligência de ninguém. Afinal de contas, vivemos hoje uma enxurrada de jornalistas medíocres e sem qualquer expressão. Essa liberalização poderá promover uma renovação no “baixo-escalão” do jornalismo que, conforme se desenvolver, buscará naturalmente a realização de cursos superiores para se especializar, se aprimorar e galgar postos mais elevados.

O jornalista ruim e sem talento será banido pela seleção natural (exatamente como era feito no passado) e inúmeros novos talentos (que estavam afastados por absoluta insuficiência financeira) poderão aparecer e florescer; sendo lapidados e aproveitados como for conveniente.

A celeuma em torno da eliminação da exigência do diploma só favorece aos empresários donos de cursos e faculdades e a toda essa indústria que gira em torno desses altos valores cobrados. A maior prova disso é que, durante o período de exigência do diploma, nenhum desses grandes vultos do jornalismo brasileiro já citados, poderia sequer ter a oportunidade de despontar. O ensino superior deve ser exigido sim. Mas para as áreas do jornalismo que dependem de técnicas apuradas e especializadas e que envolvam liderança e administração.

Fora esse caso, a diferença que um diploma faz é simplesmente afastar possíveis talentos e encobrir uma mentira descarada que é o mercantilismo travestido de regulamentação.

E você leitor, o que pensa disso?

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