Esquizofrenia e delírios. Assim poderíamos definir a lenta agonia moral de um partido que, durante muitos anos, foi considerado como o último bastião da resistência libertária em nosso país.
Muito antes de existir o PT, o PSOL e muitos partidos de esquerda que se intitulam senhores da moralidade e donos dos direitos sobre a luta em defesa do trabalhador; o PMDB já singrava esses mares durante uma das tempestades mais violentas de nossa história e singrava os mares políticos navegando num céu sombrio e ameaçador.
Homens de coragem e de extrema ética como Ulysses Guimarães, Teotônio Vilela, Tancredo Neves e tantos outros moldaram esse partido e lutaram diretamente das entranhas do regime militar para que o Brasil retornasse a plena democracia um dia. Esses mesmos homens empenharam suas vidas e seus talentos para fazer do PMDB o que desejariam que ele fosse: um partido de visionários e de estadistas voltados para o bem maior da nação.
No entanto; é triste perceber que atualmente o PMDB é apenas um aglomerado de oportunistas, pessoas acusadas dos crimes mais diversos, espertalhões que negam o óbvio mesmo diante das provas mais cabais e sólidas e pessoas que ambicionam apenas o enriquecimento pessoal e a busca pelo poder.
O PMDB atingiu um estado agônico tal que não consegue apresentar sequer um candidato decente as eleições presidenciais faz um bom tempo. Mesmo sendo o maior partido do país, o PMDB é fraco e existe longe do eleitor. Essa distância pode parecer um paradoxo; mas se sustenta pela realidade nacional que demonstra claramente sua tibieza e incapacidade de criar uma candidatura que empolgue as massas. Mesmo no âmbito local, o PMDB perde espaço e só se mantém como grande pela presença de celebridades e ”convidados” em suas fileiras; visando obterem votações maciças que permitam a eleição de indicados pelo partido nas eleições proporcionais.
Longe de seu passado glorioso de resistência e de honrada luta; o PMDB é hoje uma sombra. Um vampiro que se alimenta do poder sugando e sorvendo o néctar da vida política através dos partidos que dele dependem para governar. Mesmo sem lançar um único candidato há anos, o PMDB é o partido há mais tempo no governo. Ditando regras e exigindo em pagamento por seus favores, cargos importantes e posições de destaque nos governos que se sucedem. Todos reféns do gigante apodrecido e fétido.
Podridão esta que fica ainda mais evidente quando a direção do partido declara abertamente que os opositores de Sarney que estão em suas fileiras estão licenciados para abandoná-las. Na nota, a direção do partido diz: “O PMDB acata com humildade o descontentamento de alguns poucos integrantes que perderam espaço político e apostaram na fama efêmera oriunda de acusações vaias. E faz isso porque acredita piamente na democracia. A estes, o recado: podem deixar a legenda o quanto antes sem risco algum de perder o mandato. Ganharão eles, porque deixarão de pertencer ao partido do qual falam tão mal, e ganhará o PMDB, por tornar-se ainda mais coeso e musculoso”.
Quando percebemos que a nota é endereçada a pessoas como o senador Pedro Simon (RS), um dos últimos grandes PMDBistas que pode se dizer de ilibada reputação e que é reconhecido, em todo país, como um homem de caráter reto e de profundas convicções éticas; podemos entender que o “musculoso” a que se refere o texto é meramente no sentido de truculência e da avidez por cargos, favores e negociatas.
Ao buscar calar as últimas vozes da moralidade política e da ética, o PMDB deixa de ser apenas um mero doente de esquizofrenia delirante e passa a ser um autêntico e perverso representante do mal.
Pense nisso.
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Caro Arthurius Maximus. Concordo plenamente e assino em baixo. Não pertenço a nenhum partido e acho, inclusive, que a oposição é extremamente incompetente. Em qualquer país do sério do mundo as passeatas já estariam dominando as ruas.
O PMDB morreu e o melhor seria que alguns dissidentes um pouco mais lúcidos saíssem e fundassem outro partido, pois, ao menos acabaria essa maioria imoral que referenda as ações absurdas desse governo populista que não é nem de esquerda nem de direita, mas sim do mais puro e ignorante Chavismo.
Abraços,
José Cláudio
O PMDB apenas reflete a posição de boa parte da sociedade brasileira, afinal é muito mais fácil ficar do lado do poderoso e se manter mamando nas tetas da máquina, do que ir contra o sistema e tentar manter sua ideologia inicial.
Parabéns pelos textos.
Infelizmente políticos como os citados já não existem mais. O que se vê hoje em dia, independente de partido, são as negociatas, a idiossincrasia do levar vantagem sempre, o escárnio com a população. Nem sequer as inúmeras CPI’s instaladas no congresso transmitem a imagem de alguma transparência, alguma ética já que, os que delas fazem parte também têm muito o que explicar à justiça.
Eu achava que boa parte do PMDB sonhava em dar uma banana ao PT e o PSDB, anexar o presidenciável Aécio Neves ao PMDB, e governar quase sozinho… mas isso é impossível…
Concordo!
Não porque eles não desejam isso. Mas porque se analisarmos bem, o PMDB “ganha” mais sendo fisiologista do que botando a “cara prá bater”.
Na Real, o PMDB sempre esteve agregado ao poder, isto quando da redemocratização, o partido gosta tanto de estar no poder, que nem perde tempo em indicar candidato a presidente, ele sabe que vai aderir ao mandatário. Incrível como é um camaleão, consegue vestir vários trajes e bandeiras. E os velhos escorpiões ainda estão alojados no jarro e quem tentar os desalojar, eles ameaçam com os ferrões e veneno.
Abraço
.-= Geraldo´s last blog ..Lider e Liderança =-.
Excelente o seu texto e a sua visão realista. É muito oportuno o PMDB querer se livrar dos poucos políticos do partido que ainda resistem às atitudes interesseiras, oportunistas e completamente desassociadas de sua história. A presença no segundo escalão é conveniente porque permite a mudança de postura no caso de uma queda na popularidade de Lula ou no resultado das pesquisas eleitorais. É o poder que só usufrui e não se expõe. O poder que estufa seus cofres partidários (não falei de corrupção, mas de influência e contribuições), mas não gasta muito dinheiro para se eleger. Não é vidraça e pode virar pedra. Se perde, pode mudar seu apoio rapidamente porque um candidato ou partido vitorioso não podem prescindir da maioria para poder viabilizar seus projetos de governo. E ninguém pode ser maioria sem o PMDB.
Respeito o senador Pedro Simon que pronunciou discurso histórico da tribuna a favor da saída de Sarney da presidência do Senado (diante do próprio Sarney), contando fatos que demonstravam as várias nuances ideológicas desse senador-ex-presidente na jornada de sua carreira política. No entanto, no final do ano, o mesmo Simon elogiou Sarney pela reforma administrativa no senado. Oras… que mérito pode existir em um político que faz alguma coisa boa, não pela ética, mas para melhorar sua imagem destruída?
Morreram os grandes do PMDB e o partido caminha para o mesmo fim. Com a diferença de que os que morreram contribuíram para as glórias da história PMDBista. Já o atuais “comandantes” do partido, serão lembrados apenas como coveiros, pois, continuarão vivendo suas vidas políticas em qualquer partido que dê mais.
Abraços
.-= José Cláudio´s last blog ..O Corpus Christi e o Corpus-Gaia =-.