Quando as privatizações começaram, a grande sacada do momento era que elas iriam modernizar e melhorar os serviços públicos. Nas áreas em que as empresas privadas foram obrigadas a investir para lucrar – como telecomunicações, estradas e algumas outras – as coisas vão mais ou menos bem. Da necessidade de investir milhares de reais para conseguir comprar uma linha telefônica; chegamos à banalização total desse serviço.
Mas, o Brasil tem coisas estranhas. No Metrô e nos trens urbanos- aqui falo especificamente do Rio de Janeiro – o Estado resolveu privatizar o lucro e tornar o custo do negócio estatal. Assim, as empresas encarregadas de explorar as concessões têm apenas que administrar o caixa e manter o serviço “andando”, para embolsar uma pequena fortuna todos os meses.
A grande chave mestra do sistema seriam as agências reguladoras. Esses organismos autônomos seriam responsáveis pela fiscalização e pela aplicação de multas ou pela determinação da cassação das concessões, no caso de serviços mal prestados.
No entanto, o que aconteceu na prática? As agências reguladoras viraram comensais e partícipes das empresas que deveriam fiscalizar. Passeios, verbas, passagens aéreas, benesses e presentes começaram a circular para os encarregados das várias agências reguladoras do país; fato que se tornou público e notório durante o episódio do “caos aéreo”.
Aqui no Rio não deve ter sido diferente. Afinal de contas; os serviços de trem, metrô e barcas são simplesmente desumanos e caóticos. Falhas, atrasos, acidentes, maus tratos aos passageiros e uma enormidade de inconformidades se sucedem sem que as agências reguladoras se manifestem ou solicitem a cassação das concessões ou a intervenção do estado nessas empresas.
O que mais espanta o cidadão fluminense nem é isso, afinal sabemos que as agências reguladoras são meramente mais um cabide de empregos para políticos e seus apadrinhados; o que mais espanta é que o governador do estado, mesmo criticando abertamente e exigindo punição para as empresas com uma frequência incomum na televisão; decide “punir as empresas” com a renovação da concessão por mais “milhares de anos”.
Ora, caros leitores fluminenses. Muito mais coisa deve haver por baixo desse angu do que meramente pedaços de carne. Como empresas que comprovaram não ter a capacidade técnica/gerencial para coordenar e operar esses sistemas de transporte podem ter suas concessões renovadas por mais vinte e cinco anos “de grátis”?
Como é um ano de eleições, a certeza que paira na mente de todos é as renovações não foram assim tão “de grátis”. Cabe ao cidadão fluminense que é massacrado todos os dias no metrô, nas barcas e nos trens não renovar a concessão do governador para mais quatro anos e afastá-lo do Palácio Laranjeiras o mais rápido possível.
Talvez tendo um governante que trabalhe mais e com maior seriedade, ao invés de ficar chorando na televisão pelo resultado de sua própria inação, o Rio de Janeiro volte a oferecer um bom sistema de transportes aos seus cidadãos como fazia nos bons e velhos tempos do controle estatal.
Pense nisso.
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só espero que o comentário anterior tenha sido enviado…se não foi, paciência – qualquer coisa mal e a internet prejudica-nos de todo. É uma amiga da onça essa senhora, sempre a jogar com um pau de dois bicos.
o que eu queria dizer era que a honestidade e a seriedade na política é uma coisa muito bonita. O problema é que as pessoas agora fingem que as têm, ou que têm muito pouco desse tesouro que se chama “sentido de moral”.
Arthurius, quanto aos teus posts, estou sempre a apoiar-te, mesmo que quase nunca poste nada…..algumas vezes é preciso também estar atento à vida real. Se bem que tu fazes da internet o teu trabalho….o que não é nada mal.
Um abraço, sempre
Não se pode falar em privatização quando o grau de corrupção é tanto que quem ganha mais com esses “serviços” são os governantes. No caso dos trens urbanos do Rio, quem fatura mais é a gangue que “administra” o Estado tendo como chefe o governador Cabral. Os trens são essa porcaria porque não sobra dinheiro para investir no negócio. Os donos privados ficam com a parte menor, são quase que testas de ferro da gangue do Cabral.
Fica mais latente a problemática quando se constata que os “donos” do transporte ferroviário são os mesmos que dominam o transporte rodoviário, os infernais ônibus que atravancam as precárias vias urbanas de nossa cidade.
E o que dizer quando a esposa de políticos por aí, em evidência, chefiando o Executivos, são filhas dos… “empresários” que exploram as linhas de ônibus.
Rio, aqui a Justiça é mais cega…