A tirania

 

Lendo sobre uma entrevista de Lula e de Dilma, realizados ontem (17/09), durante um comício, e o discurso de José Dirceu, proferido sem que ele soubesse da presença da imprensa no evento, além dos atos do governo, de seus aliados e de tantas ações ilegais cometidas por esses agentes nesses oito anos de governo Lula; duas frases de Thomas Jefferson vêm à minha mente e não poderiam ser mais precisas para refletir e definir o momento delicado em que vivemos:

A primeira é: “Nenhum governo pode se sustentar sem o princípio do temos bem como do dever. Os homens bons obedecerão a este último, mas os maus somente ao primeiro”.

A segunda é: “Nossa liberdade depende da liberdade de imprensa, e ela não pode ser limitada sem ser perdida”.

Essas duas frases encerram em seu âmago a síntese das verdades democráticas. Para todo tirano, a melhor forma de disfarçar a sua tirania pode ser realizar eleições periodicamente. Para alguns, as eleições representam uma democracia porque traduzem “a vontade do povo”. No entanto, a verdadeira democracia só pode ser representada por dois elementos: A liberdade de pensamento e de livre expressão deste e a defesa do cidadão contra as arbitrariedades do Estado.

A partir do momento em que se consideram ações ilegais do Estado como coisa banal e sem importância; atos de corrupção como “deslizes” sem grande significados e se pede, a todo instante, a “limitação de liberdades” como algo lícito a ser usado na defesa de uma ideologia, de um governo ou de seus agentes; instalam-se aí os principais elementos necessários para o fortalecimento e o crescimento de um regime tirânico.

 

censura e liberdade

 

A única limitação possível é aceitável para a liberdade de expressão e de pensamento são as leis criadas para proteger a liberdade dos outros cidadãos. A calúnia; a difamação; a mentira institucionalizada e a soldo; os abusos e quaisquer outros elementos que ofereçam perigo às liberdades e direitos de outros cidadãos são os únicos limitantes de nossas próprias liberdades e direitos que a democracia admite. E nós, em nosso arcabouço legal, temos todas as leis necessárias para punir esses abusos.

É incrível como os tiranos e aspirantes a tiranos usam a desculpa do “excesso de liberdade” da imprensa e do cidadão sempre que uma denúncia de corrupção, violação das leis ou outros deslizes cometidos por figuras importantes dos governos ou das correntes ideológicas no poder são apanhados de “calça arriada”. Enquanto a imprensa relata as vitórias, as conquistas ou elogia e alimenta a vaidade pessoal dos tiranos ela sempre é uma amiga tolerada e querida.

Infelizmente, vivemos numa nação onde a maioria da população se preocupa apenas com sua própria sobrevivência e seu umbigo. Muitos de nós levantamos pela manhã tendo a estranha sensação de que são os únicos seres importantes do mundo todo e, se nada nos afeta naquele momento, é porque simplesmente não nos interessa ou não existe.

Um governo, para ser justo, tem que sofrer uma oposição forte que o mantenha nos limites admitidos pela democracia. Sem oposição ou força contrária aos seus desejos, um governo torna-se fascista e fatalmente se voltará contra o cidadão uma hora ou outra.

Compreender que é essa defesa que deve estar no coração e na mente de cada um de nós – e não a imagem de um falso messias salvador ou de um “Grande Líder” – é o princípio básico para tornar nossa nação um grande país e um lar de oportunidades e sonhos para todos nós. Independente da ideologia, da religião, da cor da pela e do sexo; o Estado deve sempre velar por cada um de nós e nos temer; jamais o contrário. Um governo, e seus integrantes devem governar para todos- sem distinção – e não apenas “para os eleitos”. Entender isso é entender a força que cada cidadão tem.

Mas, acima de tudo, é preciso entender que para os tiranos, sempre haverá algo que sirva de desculpa para a sua tirania*.

Pense nisso.

 

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Nota do Editor: (*) Acho até que essa frase final também é de TJ, mas não lembro ao certo.

                         Veja o que motivou esse artigo.

                         Veja o tal discurso de José Dirceu.

 

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