TAM, descaso e atendimento ruim

 

Neste fim de semana, um caso revoltante chocou os fãs do escritor Rubens Paiva e ilustrou com perfeição cristalina o descaso com que as empresas brasileiras tratam os seus consumidores. Refletindo a política de desprezo às normas de atenção aos clientes, de civilidade e até de humanidade; a TAM exibiu todo o seu “apreço” pelos clientes ao “esquecer” em um de seus aviões o escritor que é cadeirante. Foi necessário que Rubens Paiva usasse o Twitter para pedir socorro aos seus seguidores e ao SAC da empresa para que, finalmente fosse retirado da aeronave.

Mesmo compreendendo que escritores no Brasil passam longe de serem “celebridades” reconhecidas nas ruas, o comportamento da empresa é contumaz. Mesmo autoridades, como a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP) que é tetraplégica, já foi “hóspede” da companhia por mais de duas horas. A deputada ainda relatou que foi vítima de abusos psicológicos ao ser pressionada a aceitar ser carregada do avião porque a empresa simplesmente não consertava (há meses) o equipamento necessário para auxiliá-la no desembarque.

A TAM mantém expressas em destaque no seu site, as informações de que é uma empresa com a “visão” de trabalhar com o “espírito de servir” para “fazer as pessoas mais felizes” e a “missão” de ser a companhia aérea preferida das pessoas, com “alegria”, “respeito” e “responsabilidade”. Mas, a realidade demonstrada pelo atendimento aos seus clientes e, em especial, aos portadores de necessidades especiais ilustra que a “visão” da empresa anda meio embotada ou mesmo arruinada pela catarata ou pelo glaucoma. Da mesma forma, a “missão” propagada aos quatro ventos não passa de simples retórica e de meras palavras sem qualquer significado real para seus funcionários e direção.

Contudo, sabemos muito bem que a TAM não é a única empresa brasileira que atua no mercado desta forma; tratando seus clientes como verdadeiros vassalos que lhe devem agradecimentos e obediência pela inacreditável experiência de pagarem por um “favor” prestado pela companhia.

Essa sensação de “onipotência empresarial”, que leva ao descaso e ao descumprimento das leis e das mais simples normas sociais éticas e de bom senso, é inteiramente patrocinada pelo Estado brasileiro e, em sua mais terrível face, pelo nosso Judiciário.

Apesar de sermos profícuos em “leis avançadas” a falta de cidadania e de educação de nosso povo fazem com que as empresas brasileiras encontrem um terreno fértil para burlar leis e tratar mal a quem deveriam servir. Afinal, reclamar “dá trabalho” e o brasileiro exige passar pela vida sem ser incomodado com “bobagens” que podem levar a algum “comprometimento pessoal”; mesmo que isso seja para seu próprio benefício.

Aliado a isso, agências reguladoras povoadas por apadrinhados políticos e minadas pela corrupção sistêmica, sempre banhadas por “agradinhos” e “cala-bocas” oferecidos pelas próprias empresas que deveriam fiscalizar, transformam essa via idealizada para a proteção dos consumidores numa verdadeira arma de coação e exploração a serviço das empresas.

 

exploração do consumidor patrocinada pelo estado

 

O patrocínio final do Estado é dado nos tribunais especiais e comuns do país a fora. Ao invés de exercerem o seu papal de fiscais da lei e de agente punitivo de seus transgressores, o Judiciário brasileiro se transformou no principal aliado das empresas que se propõem a explorar e a servir mal aos consumidores brasileiros. Indenizações pífias, que tratam como atos banais e sem importância verdadeiras violações dos direitos legais e da dignidade inerente ao ser humano, são ministradas garantindo a impunidade prática para empresas milionárias que continuam praticando as mesmas formas de violência contumaz sob o beneplácito dos tribunais; arrecadando milhões com isso.

A visão idiota e terceiro-mundista de que os consumidores violentados e em busca de uma reparação querem “enriquecer” com indenizações faraônicas e, impedir isso, é função primaz do Judiciário (e não dos advogados da empresa) transformou o Código de Defesa do Consumidor (e o cliente reclamante) em motivo de chacota para as empresas que prestam maus serviços aos brasileiros.

“Punir” um banco por “sujar o nome” de um cliente de forma indevida com míseros R$500,00 ou R$ 1.000,00 é o mesmo que coroar o “vitorioso reclamante” com um grande e pontudo chapéu de imbecil e, ao mesmo tempo, permitir que milhares de fraudes e abusos sejam cometidos repetidamente mantendo, ainda sim, os valores das indenizações sempre na casa das migalhas é garantir a impunidade, pactuar com a ilegalidade e premiar o infrator – em detrimento de sua vítima – da forma mais cruel e acintosa possível. Ao invés de fechar a empresa contumaz em violentar seus incautos consumidores a chamam para “parcerias” com os tribunais visando “agilizar” o trâmite dos milhares de processos a que seus abusos dão origem.

E assim, de grão em grão, os consumidores brasileiros – celebridades ou não – continuam abandonados e entregues a sanha do ganho fácil e do desrespeito as leis e a dignidade do ser humano que pauta a enorme maioria das empresas brasileiras e, notadamente, a TAM.

Com a palavra a direção da empresa…

E você leitor, o que pensa disso?

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