No Brasil vivemos uma cultura de transporte rodoviário que é totalmente equivocada quando o assunto é transporte de massa ou de cargas. Em qualquer metrópole de país desenvolvido são os trens os responsáveis pela maio fatia do transporte de cargas e passageiros.
Custos mais baixos, maior volume de carga transportada e rapidez garantida pelos trajetos exclusivos asseguram aos trens (aqui leia-se toda forma de transporte sobre trilhos) a liderança do conforto, do preço tarifário e da comodidade nas maiores cidades do planeta.
Mas, por aqui, o lobby das empresas de ônibus é algo esmagador. Completando esse círculo vicioso; temos autoridades corruptas e incompetentes que são incapazes de romper com o muro de poder que torna nossas cidades e seus cidadãos reféns do transporte rodoviário (cuja vocação natural é a de ser um transporte complementar).
Aqui no rio de Janeiro chegamos a tal ponto de ingerência das empresas de ônibus sobre o poder público que na prefeitura, durante vários anos, a Secretaria de Transportes era ocupada por um homem ligado ao setor dos ônibus (FETRANSPOR).
Com isso, o preço das passagens de ônibus muitas vezes não refletem uma realidade sadia que contemple a cobertura dos custos operacionais e forneça um percentual de lucro civilizado para as empresas.
Passagens cada vez mais caras, muitas vezes refletem simplesmente a ganância e o exagero dos empresários e a subserviência das autoridades aos acordos espúrios firmado na penumbra dos gabinetes refrigerados.
É exatamente aí que deve entrar o maior prejudicado por essa realidade cruel e o elemento mais poderoso dessa cadeia: o consumidor.
Protestar, realizar passeatas, evitar pegar os ônibus o máximo possível (partindo para outros meios de transporte, andando mais a pé ou mesmo organizando grupos de caronas) e pressionando por todos os meios possíveis as autoridades e as empresas são as formas de fazer valer a voz do consumidor e garantir uma mudança de rumos na política tarifária das empresas ou mesmo na própria política de transporte público local.
Foi exatamente isso que fizeram os estudantes de Natal (RN) ao irem para as ruas protestar contra mais um aumento abusivo das passagens de ônibus e pelo serviço de péssima qualidade que lhes é prestado.
Com a repressão da polícia, infelizmente a coisa escapou – aqui e ali – do controle e alguns incidentes violentos foram registrados. Mesmo assim, a liderança do movimento não arredou pé e afirmou que continuará a promover manifestações de rua até que a prefeita do PV, Micarla de Sousa, reveja o aumento responsável por tornar a tarifa de ônibus de Natal a segunda mais cara do Nordeste.
Com o slogan “Mãos ao alto, esse aumento é um assalto” os estudantes fizeram ouvir a sua voz e garantiram para a prefeita de Natal e para os empresários do setor que o aumento das passagens não sairá tão facilmente quanto eles pensavam. O que será uma boa dor de cabeça para esse pessoal é incapaz de lembrar do seu primeiro dever que é servir o povo e não servir-se dele.
Leiam algumas matérias publicadas sobre os protestos: Diário de Natal, Uol Notícias, Jornal de Hoje e no Portal R7.
Boa sorte aos amigos de Natal.
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setembro 4th, 2012





















