Visão Panorâmica

A EDUCAÇÃO, O HINO, A CLASSE MÉDIA E A CARA-DE-PAU.

O Ensino Público É Uma Farsa

Quando escrevi um artigo aqui sobre a desqualificação dos professores do ensino público brasileiro e critiquei a figura do professor leigo como um dos grandes absurdos de nossa política educacional (no artigo FARSAS, ESCOLAS E ÍNDICES), eu mencionava que não adiantaria pagar um salário de “milhões de dólares” para os professores que a educação brasileira não melhoraria. Além disso, falava que os problemas têm como causa toda a cadeia de participantes: as famílias que não se interessam, professores desqualificados e desinteressados, políticos que manipulam índices para que a educação seja um lixo (mantendo sempre uma massa de escravos servis e sem esperanças que se curva e aceita tudo) e toda uma gama de estudiosos da era pós-ditadura que usaram de um certo revanchismo para jogar por terra algumas coisas interessantes que o regime militar fez pelo currículo escolar.

Esse artigo foi um dos recordistas de acessos (mais de 12.000 num único dia) e teve mais de 100 comentários. O que me pareceu estranho é que alguns professores se sentiram ofendidos e atacados por ele. Ofensas diversas foram feitas e tentativas de se apontar culpados que os eximissem uma rotina quase absoluta. Poucos os que concordaram com o espírito do artigo e ousaram opinar além do corporativismo sindical.

O que, aparentemente, esses críticos ferozes se esqueceram de analisar foi… a realidade. Como a recente pesquisa que mostrou ser correta a minha visão. Apontando que mais de 20% dos professores brasileiros não poderiam estar nas salas de aula. Além disso, uma grande parte desses professores teria menos tempo de estudo do que seus alunos. (Fonte)

É importante entender que a verdade é uma só: cada um tem sua parcela de culpa nesse assunto. Mas, também é importante ressaltar que muitos políticos usam a educação como plataforma eleitoral sem nunca fazerem absolutamente nada por ela. O próprio presidente Lula é um desses políticos. Somente agora, quase ao final de seu segundo mandato, uma alma caridosa o influenciou para que corrigisse esse problema dos professores leigos e mal qualificados. O que deveria ter sido feito nos primeiros dias de governo; vem quase num estertor final e somente após ter-se constatado o caos total e a situação de colapso iminente que se abate sobre a educação pública brasileira.

Escolas ou Presídios?

Enquanto o presidente Lula afirma que a classe média é a culpada pela má qualidade do ensino, os políticos determinam que crianças de oito a dez anos leiam livros com a singela mensagem “não ame ninguém. Estupre”.

Enquanto professores se debatem, atolados no corporativismo sindical burro e não conseguem perceber que uma depuração da classe é necessária para que ela seja valorizada; crianças devem entender frases como estas: “tome drogas, pois é sempre aconselhável ver o panorama do alto” e “Odeie. Assim, por esporte”. Presentes em livros que são “indicados” para a sua educação pelos novos “estudiosos” da educação brasileira. (Fonte – G1)

Os mesmos estudiosos que, ao serem perguntados se não seria uma boa ideia retornar com as antigas aulas de moral e cívica para o currículo escolar, afirmaram que isso “era coisa da ditadura e coisa ultrapassada”. Como se ensinar noções de ética, civismo e de organização política e social (como funciona o sistema político, as formas de cobrança e como exercer a cidadania) fosse algo reservado as escolas ditatoriais. Mas recomendar livros com as expressões “altamente educativas” já mencionadas e imagens de alto apelo erótico ou de violência gratuita é o “supra-sumo da pedagogia contemporânea” e algo baseado no mais puro “espírito democrático”.

Essas vozes do “modernismo contemporâneo” são as mesmas que se levantam para criticar a lei que determinou a volta do Hino Nacional e do hasteamento da Bandeira Nacional, uma vez por semana, no Rio de Janeiro. Para eles é uma “violência” e “um erro” fazer as crianças cantarem o Hino Nacional. Mas, para os mesmos “pedagogos de grande experiência e saber elevado”, não é um absurdo que as mesmas crianças cheguem a maioridade sem conhecer a letra e o significado do Hino de seu próprio país. Além disso, pergunte aos alunos das escolas públicas sobre os nomes dos homens e mulheres que construíram nossa nação com sangue e sacrifício. Pergunte sobre Ana Neri; sobre João Cândido (o Almirante Negro); sobre Tiradentes ou Luís Lopes – O Corneteiro de Pirajá  (um  corneteiro do nascente “exército brasileiro” e o verdadeiro responsável pela vitória definitiva do Brasil, em sua busca por independência, e que é desconhecido por todos os estudantes das escolas públicas*).

O Ensino Nas Escolas Públicas

É claro que cantar o Hino Nacional e se perfilar uma vez por semana não vai salvar ninguém de ser um “zumbi intelectual”. Mas é importante entender que o caminho que vínhamos trilhando é errado e perigoso. As próprias agências internacionais demonstram que o Brasil pode chegar a ser um dos cinco países mais importantes e evoluídos do planeta em trinta anos (o que é pouco tempo em matéria de evolução intelectual de uma nação). No entanto, para que isso se transforme numa realidade, a educação e o ensino de nossas crianças e nossos jovens deve mudar completamente.

A hipocrisia, o corporativismo, a ganância e a leniência; tanto das famílias como dos professores e dos políticos deve acabar e serem combatidas ferozmente por todos os que pensam em um pais melhor e numa juventude mais capaz.

Enquanto nos preocupamos em reservar vagas para negros e pessoas oriundas das escolas públicas, como uma forma clara de mascarar o real problema atrás de questões raciais que não são determinantes e de um falsa “severidade” dos vestibulares das grandes universidades; continuaremos a negar o real problema que está por trás da exclusão e da discriminação de uma gama enorme da população brasileira (negra, branca e mestiça) que é obrigada a permanecer no obscurantismo intelectual e na eterna servidão da miséria, da pobreza absoluta e do subemprego; apenas para que grupos interessados em afirmarem seus pontos de vista equivocados consigam o destaque que tanto desejam (e os polpudos recursos financeiros que anseiam).

As escolas são péssimas, os professores são desqualificados, mal qualificados ou desinteressados, os alunos se desinteressam por um sistema que os condena a exclusão eterna e as famílias fingem que tudo está bem graças a uma política irreal de avaliações fictícias e que promove notas completamente fantasiosas para os desempenhos, cada vez mais medíocres, dos alunos das escolas públicas brasileiras.

Enquanto os pais fingirem que educam, as escolas e os professores fingirem que ensinam e os políticos fingirem que se dedicam a educação de nossas crianças com seriedade, nosso país continuará sua caminhada medíocre e alegremente alienada rumo ao obscurantismo e a ocupar o lugar reservado aos ultrapassados e paranóicos vizinhos continentais que acham obra e fruto do “Imperialismo Estadunidense”, de uma guerra ocorrida há quase 200 anos ou do capitalismo voraz; todo o atraso e marasmo em que vivem.

“Um país se faz com homens e livros”. Uma frase simples, dita por um dos gênios de nossa cultura (Monteiro Lobato), e que encerra todos os “mistérios” para a construção de uma grande nação. Professores bem pagos, bem formados e bem treinados; alunos que utilizem as mais modernas técnicas e equipamentos para o aprendizado, além de um farto material de apoio (de qualidade); políticos realmente compromissados e atuantes e pais atentos, zelosos e interessados com a educação e a instrução de seus filhos; são a base em que a educação pública brasileira deve se apoiar para reerguer-se e tornar-se a fonte de redenção e de integração social que sempre deveria ter sido.

E você leitor, o que pensa disso.

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(*) Para garantir o filho que ficava no Brasil, ao retornar a Portugal dom João deixou aqui as guarnições portuguesas que vieram com ele em 1808. Proclamada a independência em 1822, na Bahia o general português Madeira de Mello – considerando o gesto uma traição a Portugal – decidiu resistir à emancipação.

O Brasil ainda não tinha uma força armada, e Portugal mantinha suas guarnições aqui. Para enfrentar o general Madeira de Mello, que contava com tropas veteranas em batalhas européias, dispúnhamos basicamente de alguns voluntários bisonhos, que nunca haviam recebido batismo de fogo. Os nossos veteranos eram poucos. Entre eles havia um corneteiro, Luís Lopes – um negro experiente em toques de comando. Mesmo assim, esse exército marchou para a Bahia, enfrentando as tropas portuguesas na batalha de Pirajá, disputada no Recôncavo Baiano. É óbvio que os portugueses levaram vantagem.

A batalha começou de manhã e durou o dia inteiro. Ao cair da tarde, o sol se punha atrás das linhas brasileiras, cegando os olhos do exército português. Um major – o oficial brasileiro mais graduado na linha de frente – avaliando ser inútil resistir aos portugueses, resolveu admitir a derrota, ordenando ao corneteiro Luis Lopes o toque de retirar. No entanto, em vez de tocar a retirada, ele dá o toque de avançar. Diante da vantagem que tinham, ao escutarem o toque de avançar – e sem poderem enxergar com nitidez as linhas brasileiras por causa do sol poente – os portugueses concluíram que nossas tropas estavam recebendo reforços, e então debandaram.

De derrota, a batalha de Pirajá se converteu em vitória em 2 de julho de 1823, data em que a guarnição portuguesa se rendeu aos brasileiros, seus filhos insurretos. (Fonte)

OBS: Artigo Recomendado:

Chega de Educação Progressista – Blog Periscópio.

ENSINO, LIVROS, SEXO E O EQUADOR QUE SE LIXE.

 

Livro Didático?

A imagem acima é parte integrante de um livro destinado a alfabetização de crianças de até nove anos no Estado de São Paulo. Com muitas imagens alusivas ao sexo, que remetem ao consumo de bebidas alcóolicas e linguagem chula; a Secretaria de Educação de paulista deseja “educar” as crianças nas artes das letras e do sexo.

Nem podemos considerar que o baixo nível da educação brasileira é algo elaborado cuidadosamente por uma elite que se encastela no poder e deseja manter uma massa de pessoas alienadas e longe do acesso ao ensino de qualidade para que possam dela se servir como desejarem. Afinal de contas, isso poderia soar como uma teoria da conspiração despropositada, exagerada e paranóica. (Não conte a ninguém, caro leitor, mas é isso mesmo que eu penso. shhhhhhh!)

Ultimamente a coisa vem sendo executada com um tal requinte de crueldade e uma impunidade sem limites em São Paulo que ultrapassa as fronteiras razoáveis do mal caratismo e da pura e explícita propinagem política. O governador José Serra está sistematicamente destruindo o que restou da educação pública em São Paulo com a diminuição de aulas de matemática, português, história e outras matérias “sem importância”, para colocar em seu lugar horários disponíveis para que os alunos e professores possam ler as incríveis revistas da Editora Abril que o Estado assinou em profusão.

Nada contra a Editora Abril, José Serra e sua “excelente” Secretaria de Educação. Como se já não bastasse o fato de terem comprado livros que eliminaram o Equador do mapa da América do Sul e duplicavam o Paraguai (talvez como forma de dar vazão ao seu espírito sacoleiro); resolveram reduzir e eliminar aulas de matérias importantes como estas, apenas para substituí-las por algum tempo em que se pudesse dar vazão e justificar a assinatura de milhares de revistas (numa compra prá lá de questionável), Poderíamos dizer que esse comportamento é, no mínimo, estranho.

 

Escolas no Brasil

O mais dramático é que sequer pode-se imaginar que José Serra seja um imbecil descerebrado. Afinal de contas, trata-se de um político calejado e versado na arte de governar. Sem falar que ambiciona, não é de hoje, a Presidência da República. No entanto, sua atuação pífia diante do Governo de São Paulo e as suspeições que lhe são impostas diante dessa desastrosa administração em relação a educação pública paulistana, o desqualificam completamente como candidato a qualquer cargo eletivo em que possa exercer alguma influência sobre a educação de uma cidade minúscula; quanto mais de uma nação já carregada de problemas, nesta área, como é o Brasil.

Incompetência é pouco para tentar explicar o que vem acontecendo na Secretaria de Educação de São Paulo. Seria ótimo que o partido de José Serra, o PSDB, sentisse o mesmo desprendimento que demonstra em relação a CPI da Petrobrás e investigasse esses absurdos sucessivos que são cometidos com a educação de nossas crianças.

Apologia ao sexo, ao uso e abuso do álcool e alfabetizar crianças em tenra idade com livros contendo linguagem de baixo calão não pode ser algo inocente e sem premeditação. É um crime que precisa ser apurado e punido com seriedade e severidade. Os recursos públicos gastos na compra destes e dos outros livros problemáticos devem ser devolvidos aos cofres públicos por quem os comprou e por quem autorizou a compra.

Enquanto idiotas em Brasília pretendem separar o país em “pretos” e “brancos”, a educação pública nacional (que é a real força libertadora do preconceito e a responsável pela integração social de qualquer indivíduo) é tratada por políticos de terceira classe como se fosse algo sem importância e uma mera formalidade constitucional.

 

Escravidão

A esses nobres deputados tão preocupados com a criação de formas de reparação aos escravos; desejo apenas que se lembrem que a pior forma de escravidão é a ignorância. Ignorância esta a que estarão condenadas nossas crianças pobres e que dependem da escola pública para sua formação e a sua capacitação para o trabalho. A elas, estará apenas reservada a servidão em empregos sub humanos e mal remunerados. A elas, estará reservada a dor do trabalho estafante a a tristeza de um salário indigno e sempre insuficiente. E, o mais triste de tudo, para elas jamais haverá uma Lei Áurea a ser assinada que as liberte. Serão escravas para sempre. Pois, sem os conhecimentos mais básicos de temas tão importantes para seu desempenho futuro, a elas restará apenas o obscurantismo e a servidão perpétuos na ignorância e no desalento do abandono intelectual.

Sejam elas negras, brancas ou de qualquer outra cor.

A não ser, é claro, que este seja o plano…

Pense nisso.

EDUCAÇÃO, INSTRUÇÃO E O FRACASSO GENERALIZADO.





O Censo Escolar de 2007 mostrou a catastrófica situação do ensino médio público em nosso país. Particularmente aqui no Rio de Janeiro, as crianças que chegam ao final do primeiro grau; impulsionadas pela praga da aprovação automática conseguem resistir muito pouco tempo no ensino médio. De todos os “felizardos” quarenta por cento não completam seus estudos e acabam empregados em subempregos. Dos que ficam, mais da metade não consegue acesso à universidade pela falta de preparo e o restante (os bem afortunados) conseguem uma vaga ou outra nas universidades públicas e a maioria vai mesmo para o ensino superior privado.

O dado mais estarrecedor é que grande parte desses alunos que desistirá do ensino médio; chegou ao primeiro ano do segundo grau sem sequer saber ler e escrever. Não digo escreverem corretamente. Eles não conseguem ler e nem escrever uma única linha.

Além do analfabetismo, os que sabem ler não têm a base necessária para compreender o que lhes é ensinado. Ainda há a falta de professores que favorece a dramática evasão pelo total desestímulo que um currículo ultrapassado e voltado unicamente para a preparação do vestibular. A decoreba impera e a necessidade que os alunos mais pobres têm de trabalhar para ajudar em casa ainda provoca o casaco do aluno que, ao chegar na escola após um dia estafante no trabalho, se vê entregue apenas a exaustão.

Alguns especialistas propõem uma mudança no currículo para que este abrigue matérias como empreendedorismo, meditação e a dissociação do currículo escolar da preparação para o vestibular.

Em minha opinião particular, sem exigir dos professores uma qualificação melhor e um real empenho, com cobranças por metas atingidas e fornecer-se ao corpo docente uma remuneração que permita ao professor trabalhar em apenas uma escola (dando ainda farto material de apoio); nada mudará. A figura do professor leigo e do subqualificado deve ser banida do ensino público brasileiro. E acabar de uma vez por todas com a praga do vestibular. Um sistema parecido com o que há nos países mais desenvolvidos, onde o aluno é avaliado pelas universidades por toda a sua vida acadêmica e por suas atividades extra curriculares deveria ser implantado. Assim, as avaliações seriam muito mais justas e sempre os alunos que mais se destacassem em sua vida acadêmica seriam “eleitos” pelas universidades de ponta para suas vagas. Aos pais caberia policiar, punir e educar melhor seus filhos e impor limites ao comportamento agressivo e deixarem de super proteger e formar verdadeiros psicopatas mirins que acreditam poder tudo.


O mais importante de tudo: Iniciar essa reforma desde a mais tenra série do ensino fundamental. Sem isso; as mudanças jamais surtiriam efeito. Pois haveria o que já acontece hoje com as universidades. A estupidez das cotas e o acesso facilitado às universidades apenas mascaram o problema do ensino público de qualidade ridícula e criam um excesso de profissionais com nível superior que não conseguem uma colocação em sua área. Esses “desempregados de canudo” acabam exercendo funções totalmente fora da profissão que escolheram e, normalmente ganham muito pouco. Se o caminho fosse a formação técnica de qualidade; estariam ganhando muito mais e certamente em sua área de interesse.

Um ensino de qualidade desde a base e o acesso facilitado à universidade e as escolas técnicas de alto padrão; impulsionaria a juventude de nosso país para oportunidades nunca sonhadas e faria de nossa nação um país de vitoriosos e bem sucedidos profissionais.

Mas aí… é outra história.

Pense nisso.


OS PROFESSORES, A COMEMORAÇÃO E O ABANDONO.





Ontem (15/10) foi dia do mestre. Pessoas que destinam suas vidas a ensinar e a formar o futuro de qualquer nação. Pessoas que se dedicam, com amor e com um verdadeiro sentimento de doação, a passar o conhecimento de toda uma civilização para as gerações futuras.

Mas, há mesmo o que comemorar?

Claro que, por aqui em nosso país, não. Os baixos salários, as péssimas condições de trabalho, a falta dos materiais mais básicos para dar apoio às aulas e a carga horária excessiva; contribuem para um embrutecimento de uma relação que sempre foi divina e recheada de encantamento.

Ainda me lembro da minha professora do primário, a quem carinhosamente chamava de “Tia”, e que também foi meu primeiro amor platônico (nada mais clichê). Mas, os professores e professoras, sempre exerceram um fascínio positivo sobre seus alunos. O domínio das “artes ocultas” e dos “saberes secretos” que desvendavam o universo para nossas jovens mentes; cobriam-nos de alegria, emoção e contentamento.

A bronca, o elogio, o carinho dos mestres sempre era algo bem-vindo e querido por todos. Mesmo os mais bagunceiros e recalcitrantes (eu era um desses). Lembro de um professor de história que sem sequer escrever uma linha no quadro-negro; discursava e maravilhava a audiência atenta dos alunos e tinha cada fato histórico na ponta da língua, com uma vivacidade e realidade inacreditáveis. Sua “leve queda” pelas alunas mais sensuais que teimavam em deslizar pelos corredores da escola em suas minissaias, muito antes de chocar ou de causar problemas; assumia ares pitorescos e pueris. Até mesmo porque ele sempre mantinha o respeito e a devida distância.

Hoje, infelizmente, vemos nossos mestres expostos a animais raivosos e a bestas-feras incontroláveis. No lugar do carinho; o ódio irracional do animal predador. No lugar do respeito; o escárnio do louco que arrasa a terra que lhe provém o sustento. No lugar da emoção da descoberta; o obscurantismo da mediocridade e da alienação.

Hoje, algumas crianças vão para as escolas como se fossem para campos de extermínio e para zonas de combate. Bandidos mirins são forçosamente confinados no meio de crianças que desejam apenas erguerem-se por sobre a lama e a miséria que as cercam e libertarem-se da pobreza extrema pelo conhecimento. Mestres omissos ou cansados relegam sua função sagrada e abandonam aqueles a quem poderiam salvar, por já não se importarem mais ou não verem saídas a serem buscadas e nem soluções a serem apresentadas.

Uma legislação errada e que não foi feita para a realidade em que vivemos; transformando jovens psicopatas em reis déspotas que tudo podem e que ninguém pode deter. A convivência e a conivência com o crime, o descaso de algumas famílias e de todas as autoridades, o uso político de uma situação que deveria ser encarada com frieza e prioridade total. Todos esses fatores contribuem para tornar muitos de nossos mestres apenas agentes a serviço do óbvio e de seus próprios interesses.

Comemorar o que? Só se for o fim do sonho, do respeito, da emoção e da mágica de ensinar e aprender.

Pense nisso.


FARSAS, ESCOLAS E INDICES.





A educação pública de base e média no Brasil é uma farsa. Desde os últimos estertores da ditadura militar e de forma mais intensa após a “democratização” do país; vemos a escola pública brasileira ser sistematicamente destruída, governo após governo.

Soluções mirabolantes e “estudiosos” em excesso fizeram do ensino público brasileiro uma das piores coisas já vistas. O que deixa qualquer um perplexo quando, sem forçar muito pela memória, lembramos que há bem pouco tempo atrás (cerca de 30 a 40 anos) a educação fornecida pelo Estado Brasileiro era uma das melhores do planeta. Você pode até argumentar que trinta ou quarenta anos é muito tempo. Mas se considerarmos essa faixa de tempo sob o ponto de vista de políticas nacionais; chegaremos à conclusão de que isso é um espaço curto para um serviço considerado excelência; acabar como uma farsa e uma fonte de “zumbis intelectuais” que sabem apenas repetir o que decoram e a desenhar o próprio nome e algumas letras.

Muito mais que a baixa remuneração dos professores; a péssima qualidade da educação pública brasileira, que já formou inúmeros intelectuais de destaque mundial em diversas áreas da cultura e das ciências, tem suas causas em políticas cuidadosamente pensadas e aplicadas para que ela assim terminasse.

E exemplos dessas políticas não faltam:

A aprovação automática: Retira do aluno a responsabilidade de aprender e do professor a de ensinar. A concessão de verbas vinculadas à quantidade de crianças no ensino e não focada nos resultados. A redução de verbas quando crianças de uma determinada faixa etária se encontram em séries que, teoricamente, seriam inferiores a sua idade. A incrível ausência da obrigatoriedade de diploma para os mestres que criou a figura do “professor leigo”. A ausência da obrigatoriedade do fornecimento de material de apoio para todas as matérias e da criação do quadro de professores substitutos. A ausência sistemática dos “cursos de reforço” ou apoio educacional aos alunos menos avançados. E muito mais…

A aprovação automática caiu como uma “chuva dourada” sobre os prefeitos e governadores. Pois assim, as crianças passam pelas séries sem interrupção e mantém sempre a mesma quantidade de vagas disponíveis em cada série. O que elimina a necessidade da construção de novas vagas na mesma velocidade do crescimento populacional e a necessidade das aulas de reforço e de apoio. Economizando rios de verbas que, geralmente, vão para a publicidade ou para projetos pessoais e “mais importantes”.

A não exigência de professores com nível superior ou, em muitos casos, até mesmo um simples diploma do antigo normal (desconheço o nome que é dado hoje). Isso criou a figura do professor leigo que deixou de ser apenas uma fonte de reforço escolar e de apoio para as crianças com dificuldades, para ser o professor efetivado e dominar o ensino básico em muitas cidades brasileiras. Garantindo assim a validade “moral” de uma baixa remuneração.


E, o mais cruel de tudo, é que o político brasileiro percebeu que a maioria da população se sente feliz e tranqüila apenas pelo fato de suas crianças “sabem assinar o nome”. E compreenderam que uma população instruída e capaz de um raciocínio de alto nível era algo altamente pernicioso para seus propósitos. E que, por outro lado, uma população incapaz de perceber e interpretar informações complexas e de evoluir intelectualmente; estaria para sempre vinculada a programas sociais e refém do círculo aprisionador da pobreza e da miséria. Tornando-a presa fácil para os salvadores da pátria que se multiplicaram no Brasil pós-ditadura.

Esses mesmos que hoje idolatram a educação e dizem ser ela a salvadora do país; são os mesmos que, ao assumirem o poder, perpetuarão essas políticas equivocadas e perniciosas; lançando ainda mais nossas crianças no obscurantismo e na ignorância.

O resultado está aí: Os índices oficiais relatam uma melhoria “espantosa” no ensino público brasileiro e nos estudantes que dele saem. Mas a realidade é cruel e adora desmascarar farsas bem montadas. Basta uma avaliação simples e rápida e os resultados falam por si: A maioria das crianças QUE ESTÃO NAS ESCOLAS são analfabetas, semi-analfabetas ou analfabetas funcionais.

Qual futuro profissional aguarda essa e as próximas gerações de crianças formadas nas escolas brasileiras? Quais opções de vida terão as meninas e os meninos que sequer conseguem entender pequenos textos ou realizar cálculos básicos?

O futuro da educação brasileira, se nada for feito, será obscuro e aterrorizante.

Pense nisso.


MESTRES, DISCÍPULOS E A LEGIÃO DOS DESCEREBRADOS.





Que o ensino no Brasil é ridículo, isso todos sabemos. Que a pantomima governamental, a cada instante, tenta convencer a nação de que a falsa verdade da melhoria do ensino é uma realidade; através de propagandas na televisão, no rádio e nos jornais; muito bem boladas e cheias de dados estatísticos maravilhosos, é fato publico e notório.

Ainda mais quando os dados do índice mostrado levam em consideração as aprovações de alunos. Pois, muitas cidades adotam descaradamente sistemas de aprovação automática e, as que não o fazem, instruem seu corpo docente para aprovar “a toque de caixa” as crianças de modo a garantir mais verbas federais.

A tal melhoria pode ser facilmente desmascarada quando estudantes brasileiros vão disputar concursos e olimpíadas no exterior. Nas últimas; nenhum brasileiro trouxe sequer uma única e minguada medalha. Nossas crianças são treinadas na fantástica arte da “decoreba” e totalmente avessas ao “enorme” esforço que consiste o mais simples e rudimentar raciocínio.

Se estudam em escolas públicas então; estarão condenadas ao ostracismo intelectual e a perda de todas as chances de obter um futuro profissional que não esteja ligado ao subemprego ou ao emprego de alta rotatividade e baixa qualificação.

Mas, como bom cidadão; tenho em mente que o governo promoverá uma grande reforma na educação no ano que vem. Tudo vai mudar e ficar muito mais maravilhoso ainda. Especialmente quando descubro, lendo os jornais, que a reforma ortográfica começará a valer já em 2009. Contudo, o material didático com a nova forma de escrever só estará nas escolas em 2012. Ou seja, durante três anos (quase a metade do primeiro grau) as crianças aprenderão a ler as palavras de uma forma e a escrevê-las de outra. Lerão no “modo antigo” e escreverão nas novas regras. Não precisa saber muito de educação e muito menos ser um pedagogo famoso e com Phd’s para saber que isso será um verdadeiro desastre para a qualidade do ensino dessas crianças.

Mas fico contente e muito mais tranqüilo, ao saber que os professores também não receberão qualquer curso de reciclagem ou, muito menos, apoio para buscar esses cursos em outros lugares. Segundo a “autoridade” do MEC no assunto: “ – Não é preciso curso. A mudança não é tão grande. Apenas 0,5% das palavras serão modificadas.” – argumenta o professor Godofredo de Oliveira, da Comissão de Língua Portuguesa do MEC. O incrível é que ainda hoje, muitos professores erram palavras banais e corriqueiras.

Outro gênio que estabelece as diretrizes para a educação de nossas crianças, a presidente do Conselho Nacional de Educação solta suas pérolas ao ser perguntada se a volta do ensino de moral e cívica nas escolas não seria uma boa idéia para proporcionar uma formação ética básica e ensinar valores como o amor a coisa pública e ao seu país. Ela declara: “– Moral e Cívica é matéria que tem origem na ditadura. Já teve o tempo dela. Falar disso é retrocesso. É buscar uma escola que não se pretende mais. Já passamos dessa época.”

Realmente, ensinar ética, valores cívicos e coisas como o funcionamento dos órgãos e poderes da nação é algo totalmente despropositado e anacrônico. É algo que só passa pelas mentes dos velhos generais que ainda babam em seus pijamas. Da mesma forma que ter estudantes que sequer conhecem os heróis mais comuns da pátria e sequer sabem o que pode ou não fazer um vereador é um avanço enorme para a educação dos jovens brasileiros. Já passamos da época é de ter idiotas com um pensamento tão revanchista e despropositado como essa senhora. Já passamos da época de formar cidadãos que não sabem os deveres de um político e seus direitos. Já passamos da hora de ter alienados vagando nas ruas e de ouvir respostas absurdas a perguntas simples como “quem foi Tiradentes?” – ou simplesmente ver pessoas com os olhos brilhando ao ouvir um candidato a vereador dizer que vai congelar preços e investir nas polícias. Já passamos da hora é de ter pessoas sem visão à frente de cargos importantes. Isso sim.

Outro detalhe é a introdução da música como matéria curricular. Uma maravilha realmente. Se vivêssemos na Suíça, nos EUA ou em outro país que levasse a educação a sério. Para me fazer entender, cito um exemplo prático de um amigo que tem a filha no terceiro ano do segundo grau numa escola pública do RJ. Estamos em setembro e ela até hoje não teve uma única aula sequer de física. Desde o primeiro ano do secundário, JAMAIS teve aulas de química. Para crianças como esta, as aulas de música terão um efeito muito benéfico realmente. Poderão aprender a tocar instrumentos e esmolar nas praças e estações do metrô como fazem em países europeus e nos EUA.

Chegou a hora do país acordar e entender que o discurso bonito não leva a nada. O povo deve compreender que a culpa das mazelas que sofre é única e exclusiva dele mesmo. De sua alienação, de sua falta de participação política; de seu descaso com as barbaridades que são cometidas impunemente por políticos e outras autoridades.

Estamos formando uma legião de descerebrados e de incapazes que estarão totalmente impedidos de participar do país forte e desenvolvido que o Brasil pode ser. Sem mentes e sem pessoas capacitadas para operar os instrumentos de avanço; viveremos sempre na sombra da pobreza e da miséria. Num ciclo mortal de violência, descaso e desprezo eternos.

Pense nisso.


EDUCAÇÃO, ERROS E ERROS.





Se você perguntar a um político brasileiro qual é a solução para os problemas de violência e de carência de mão-de-obra especializada; dez entre dez responderão em uníssono: “Investir em educação”.

Mas então, por que a educação brasileira é uma das piores do mundo? Por que nossas escolas trabalham com níveis ridiculamente baixos de eficiência e o número de analfabetos funcionais é cada vez mais alto? Por que muitos jovens chegam ao fim do segundo grau (nível médio) sem serem capazes de interpretar um texto de mais de cinco linhas e, totalmente, desprovidos de uma desenvoltura mental que os capacite a viver num mundo profissional de alta performance?

A resposta para essas perguntas é simples e conhecida por muitos leitores: “Um povo que não pensa pode ser facilmente conduzido e manipulado”.

E vemos isso a cada eleição; a cada escândalo; a cada maracutaia e a cada evento que, em qualquer outro país do planeta, geraria um movimento popular avassalador. E, por aqui, no máximo gerará um burburinho morno da parte de uma “elite” pensante.

Então aparece o presidente Lula. Que se anuncia iletrado (mas que não o é verdadeiramente) e diz que contratará professores e técnicos para “dar um salto” na educação brasileira. Muito bom! E todos pensamos: “Agora vai!”.

Mas a realidade por trás dessas contratações gigantescas (mais de 10 mil professores e 8.239 técnicos); é muito mais cruel do que o simples descaso. É o erro estratégico e o enorme gasto público com o setor educacional errado.

Hoje, excetuando-se determinadas áreas, a carência de pessoal com nível universitário é baixa. Em inúmeras cadeiras, há um excesso de formandos e um acúmulo de cursos que formam apenas desempregados qualificados. Nossa indústria e nossos setores de agricultura e de serviços sentem a falta enorme de uma mão-de-obra de nível técnico e que tenha capacidade de “pegar no batente” rapidamente. Sobram vagas e faltam trabalhadores com essas qualificações.

Por que? Também é muito simples: Péssima formação de base, que impede que muitos alunos evoluam em sua vida acadêmica. Falta gritante e desesperadora de vagas nas mais variadas carreiras da área técnica e total ausência de um planejamento para suprir essas necessidades em um curto prazo.


Então por que, ao invés de criarem-se vagas nas universidades, que formarão jovens para daqui a cinco ou dez anos (de acordo com o cronograma de implantação); não se monta um grande “esquema” de abertura de vagas de nível técnico que formarão legiões de profissionais em dois ou três anos?

Em paralelo a essas medidas, por que não se determina um grande plano de reestruturação e valorização da educação de base com o nível mínimo deixando de ser o primeiro grau e passando para o segundo?

Por que não se promove a exigência de diplomas de mestrado e doutorado (ou mesmo de licenciatura) para todos os níveis educacionais? Por que ainda temos de conviver com professores que sequer são formados (professor leigo)?

Por que deixar para investir na educação de base apenas o dinheiro oriundo do “pré-sal” que só estará disponível (se vier) daqui a vinte ou trinta anos?

Você leitor pode achar que “eu quero demais”. Que falta dinheiro ou qualquer outro motivo banal e corriqueiro que todo político traz na ponta da língua. Mas uma coisa é muito fácil de comprovar. A pouco mais de cinqüenta anos, economias como o Japão; a Coréia do Sul; a China; a Índia e diversos outros países que caminham com passos largos e firmes a nossa frente, estavam completamente destruídos por guerras ou por conflitos internos.

Como eles mudaram?

Não é segredo para ninguém: Fizeram isso que eu disse: Escola integral. Base forte. Nível médio obrigatório e forte inclinação para a área técnica. Só depois é que se pensou em universidades (que são a seqüência lógica da formação técnica).


Aqui, gastamos bilhões de reais com estruturas inchadas, funcionários ineficientes, professores de baixíssima qualificação, materiais didáticos repletos de erros crassos e o pior de tudo; gastamos no “fim de linha”, quando deveríamos começar da “base da pirâmide” e garantir estudantes de alta capacidade mental e de conhecimentos completos.

Mas, se é assim tão simples; por que não se faz aqui como se fez nesses outros países?

Ah! Essa resposta é mais fácil do que as outras. Por aqui o “quanto pior melhor” ainda é um pensamento que agrada a uma grande parte de nossa classe política. O povo, por sua vez, cumpre sua parte do “acordo” submetendo-se a tudo calado e “feliz”. Aceita as migalhas que lhe são atiradas; tanto na educação quanto na saúde, como se dádivas concedidas por deuses magnânimos fossem. E, das quais, ele se acha indigno e devedor eterno.

Pense nisso.


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