Visão Panorâmica

HOMOSSEXUALIDADE, ÍNDIA E UMA LIÇÃO DE BOM SENSO.

 

 

GANESH

 

A Índia é uma país de enormes contrastes e pontilhado por religiões e seitas tão divergentes em suas filosofias que, qualquer tentativa de acordo, sempre esbarra em enorme violência e numa grande confusão. Fanatismo, intolerância e ideias ultrapassadas se embatem violentamente contra pensamentos progressistas, quebras de preconceitos milenares e novas descobertas da ciência que jogam por terra verdades religiosas tidas como dogmas inquebrantáveis. Foi assim em todos os grandes momentos históricos e impossibilidade de conseguir-se um pensamento conciliatório levou até a ruptura territorial do país e sua fragmentação com a criação do Paquistão após a independência indiana em meados do século XX. Essa ruptura foi, inclusive, um dos grandes motivos de desgosto para o grande Mahatma Gandhi e acabou levando ao seu assassinato por um grupo de fanáticos hindus. (A morte de Gandhi foi realizada para “o bem da Índia”. Eles afirmavam que o herói da independência indiana precisava morrer porque traiu os hindus ao apoiar a criação do Paquistão. Para Gopal Godse (o único sobrevivente do grupo) os ideais de Gandhi, como pacifismo, tolerância religiosa e honestidade na vida pública, eram parte de uma conspiração que permitiria que os hindus fossem massacrados pelos muçulmanos. Godse queria uma Índia sem muçulmanos e com controle sobre o território do Paquistão. Fonte BBC -  Brasil)

Esse grau de fanatismo, que não consegue reconhecer sequer alguém como Gandhi, impediu durante anos que a Índia se libertasse da miséria e do atraso que lhe prendia ao século XIX. Somente com a visão de homens e mulheres corajosos, que arriscaram a própria vida (alguns chegaram a pagar esse preço) e de suas famílias; aos poucos o bom senso e a prevalência do Estado e a razão sobre a religião e o fanatismo começa e ser imposta.

 

Gays na Índia

 

Assim como há alguns anos com as leis que proibiam a discriminação por casta e outros avanços sociais, a Suprema Corte Indiana acabou de enterrar a lei de 1860 que dava aos homossexuais indianos a tarja de criminosos e os punia com prisão. O argumento para tal foi a simples aplicação da ciência e do bom senso: A AIDS vem avançando na Índia e com a criminalização do homossexualismo, vários portadores do vírus e indianos que adoeciam, escondiam sua doença ou mascaravam dados sobre o seu contágio com medo de serem presos ou de sofrerem retaliações pesadas por parte do Estado e de indivíduos.

Mesmo ainda tendo um efeito local (Nova Deli), essa decisão cria jurisprudência e determina, na prática, uma enorme margem de manobra para a comunidade gay indiana. As forças religiosas (como era de se esperar) ficaram raivosas e ensaiam protestos veementes e manifestações de rua para que Corte Suprema reverta a sua decisão.

Para que haja uma ideia do quanto o homossexualismo é tabu e desperta preconceito na Índia, essa decisão foi uma das poucas coisas que conseguiu unir os fanáticos muçulmanos, cristãos e hindus em prol de uma mesma causa. Ódios de séculos foram esquecidos para que todos lutassem contra “o grande inimigo”.

 

gays, lésbicas e simpatizantes 

 

Pouco importa se milhares morrem de AIDS e de outras doenças ligadas a promiscuidade. O que interessa para essa gente é viver uma mentira e uma enganação num mundo de faz de conta. Assim como em outros países que adotam a religião como fundamento da lei (islâmicos e orientais) que insistem em dizer que por lá “não há impuros” ou em outras sociedades em que o Estado simplesmente criminaliza o homossexualismo e diz que é uma doença ou não existe em seu território. Percebemos que um Estado quando pensa no bem comum e maior de seus cidadãos deve estar acima do pensamento retrógrado de religiosos, seitas e outros grupos sociais que tentam impedir medidas de saúde pública que devem refletir a realidade de um povo e buscar o seu bem maior.

Um tapa na cara de países como o Brasil, em que o homossexualismo não é crime; porém, as pressões religiosas ainda impedem a regularização e o reconhecimento de que homossexuais (e os casais homossexuais) existem e devem ter seus direitos respeitados e bem delimitados legalmente (herança, casamento, separação, adoção, etc…) ou  onde milhares de mulheres morrem todos os anos vítimas de abortos mal feitos e suas consequências; provocando gastos no sistema de saúde (e, portanto, do contribuinte) na casa dos milhões tratando das que sobrevivem a esses abortos. Tudo isso apenas porque as entidades religiosas conseguem, com a força de seu lobby do atraso, evitar o fornecimento de medidas contraceptivas eficientes, educação sexual para jovens e adultos e não permitem o oferecimento de políticas para o controle de natalidade baratas e ao alcance de mulheres de todas as idades e classes sociais.

Mesmo sendo particularmente contrário ao aborto; entendo o procedimento como uma medida de saúde pública que, como tal, deve estar a disposição de quem o procure e o deseja. Os problemas espirituais, por ventura advindos da prática, devem ser de exclusiva responsabilidade de quem optar por ela (é uma decisão de foro íntimo). Eu, como Estado ou como indivíduo, não tenho o direito de proibir que outro indivíduo trate seu corpo como bem entender.

E você leitor, o que pensa disso?

HONDURAS, GOLPE E O PÂNICO VERDE-OLIVA.

 

 

Pânico Verde-Oliva

 

Seção III
Da Responsabilidade do Presidente da República

 

Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:

I – a existência da União;

II – o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;

III – o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;

IV – a segurança interna do País;

V – a probidade na administração;

VI – a lei orçamentária;

VII – o cumprimento das leis e das decisões judiciais.

Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e julgamento.

Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.

§ 1º – O Presidente ficará suspenso de suas funções:

I – nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal;

II – nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.

§ 2º – Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo.

§ 3º – Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o Presidente da República não estará sujeito a prisão.

§ 4º – O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.

*****

O trecho que você lê acima foi retirado da Constituição da República Federativa do Brasil. Como não consegui um exemplar e nem algum site com a Constituição de Honduras, resolvi colocar essa seção de nossa própria constituição para mostrar a vocês que todas as constituições preveem a hipótese de retirada do presidente do poder. Tudo legalmente e dentro do mais profundo senso democrático que prevê a observância das leis e a defesa da constituição e da normalidade legal dentro de um país.

Portanto, antes de gritarmos com o coro de espavoridos contra o golpe hondurenho; vamos aos fatos de que temos conhecimento até agora:

 

  1. “El Presidente” desejava, à moda Chávez, eternizar-se no poder através de uma alteração na constituição hondurenha. O projeto foi aprovado no Legislativo. Porém, a Corte Suprema hondurenha (o STF de lá) disse que a emenda era ilegal e inválida em sentença judicial regular.
  2. “El Presidente” manda um grande “dane-se” ao supremo e diz que, mesmo tendo havido a condenação constitucional da proposta, ele a levará a cabo.
  3. A Corte Suprema hondurenha, dentro das atribuições constitucionais, determina que “El Presidente” seja afastado do poder para que uma investigação de crime de responsabilidade (ou o termo constitucional apropriado para eles) seja encaminhada.
  4. “El Presidente”, mais uma vez, diz que não vai sair do palácio. Afinal de contas foi eleito e goza de ampla maioria popular; o Judiciário que se dane.
  5. A Corte Suprema, então, convoca a força mais poderosa do país (e que jura defender a constituição e a república) – leia-se militares – e ordena que “El Presidente” seja afastado com o uso da força.

 

Isso é um golpe ou a defesa da constituição e um ato totalmente legal previsto na legislação de qualquer país?

 

Militares e Militarismo

 

 

Transportemos para as terras tupiniquins em nossa hipótese:

Digamos que a PEC do Terceiro Mandato de Lula seja aprovada. Algum oposicionista, usando uma firula legal qualquer, consegue através do STF uma declaração de inconstitucionalidade e invalida a PEC. Lula, bate no peito e diz: “Tenho 200% de popularidade. Quem é o STF para me julgar? A PEC vale e o referendo ocorrerá normalmente. Isso é uma palhaçada”.

Gilmar Mendes, apoiado na seção da constituição que você leu acima (grifados), declara crime de responsabilidade e a Câmara dos Deputados autoriza a abertura do processo. O Senado julga procedente e condena Lula a perder o mandato.

Lula, mais uma vez apoiado em toda a sua popularidade, diz que não sai do palácio e que foi eleito com 100% dos votos.

O que o STF e o Legislativo devem fazer?

 

a) Enfiarem a viola no saco, rasgarem a constituição e submeterem-se aos desejos de Lula?

b) Convocarem uma força policial poderosa o suficiente para ir contra qualquer outra que apóie Lula?

 

Nesse caso a resposta legal e correta é a “b”. E quem é essa “força policial superior”? Constitucionalmente, são as forças armadas.

Agora pergunto mais uma vez: Isso é um golpe ou é apenas a manutenção da normalidade constitucional?

 

Honduras

O que está acontecendo, em quase toda mídia, é que o “pânico verde-oliva” se instalou. Por um erro grave, tanto estratégico como de inteligência, a Suprema Corte hondurenha e o seu tacanho presidente do Congresso (agora presidente do país), não vieram a público logo após o acontecido para expor claramente as causas e todo o trâmite processual que levou a deposição do antigo presidente. E, por um raciocínio simplista, se teve militar “na parada” e não foi no dia da independência; é golpe.

Quer por prepotência, arrogância extrema ou mera burrice, eles deram tempo ao presidente deposto Manuel Zelaya de contar ao mundo apenas a sua versão. Apoiado por Chávez e todos os presidentes do continente, que temem uma retomada da sanha militar pelo poder; o que seria um ato constitucional normal a qualquer país, transformou-se num golpe militar.

Como um mestre da propaganda, Chávez rapidamente uniu forças com todos os presidentes mais chegados a ele e fomentou a ideia do golpe. Por sua vez, o novo governo hondurenho, coroado de total incompetência, cumpriu o excelente papel de idiota ao dar força a essa ideia optando por censurar todos os meios de imprensa possíveis e imagináveis. Aumentando ainda mais o medo e o “Pânico Verde-Oliva” de que os militares estivessem dominando tudo e calando a boca de todos com a sola das botas.

O mal agora foi feito e será muito difícil o governo hondurenho reverter a burrice que fez. Mesmo que resistam a enorme pressão internacional; os imbecis acabaram cirando uma coisa que nem Chávez imaginava: Uma união total do continente Sul, Centro e Norte Americano em prol de sua deposição.

Num mundo onde a informação viaja na velocidade da luz e qualquer “Zé Mané” da esquina, com um celular de terceira, pode transmitir para o mundo a sua visão dos fatos; optar por tentar calar e controlar a informação, quando você agiu aparentemente dentro da legalidade, é uma burrice e um erro estratégico sem tamanho.

Se tivessem vindo a público e esclarecido, ponto a ponto, o que havia ocorrido; reforçando o fato de que agiram dentro dos limites constitucionais e que as forças militares foram usadas apenas a pedido da Corte Suprema, como agentes legais do poder e guardiões da legalidade constitucional, nada disso estaria acontecendo e o pânico criado em torno desse fato jamais teria se firmado.

O “Grande Satã” do “Pânico Verde-Oliva” é justamente o receio de que os militares vejam algo assim ser coroado de sucesso e resolvam “consertar” problemas em outros países do continente, mesmo sem o apoio constitucional, como já tentaram no passado. E isso, caro leitor, causa pesadelos atrozes em muitos políticos populares, populistas e em muita “gente boa” por aí.

E você; o que pensa disso?

 

“ARTICULO 239.- El ciudadano que haya desempeñado la titularidad del Poder Ejecutivo no podrá ser Presidente o Designado. El que quebrante esta disposición o proponga su reforma, así como aquellos que lo apoyen directa o indirectamente, cesarán de inmediato en el desempeño de sus respectivos cargos, y quedarán inhabilitados por diez años para el ejercicio de toda función pública”.

 

Ou, em outra palavras, aquele que exerceu a chefia do Poder Executivo não o poderá ser novamente e se violar esta regra, ou pretender que ela seja alterada, perderá de imediato o mandato, ficando inabilitado para o exercício de qualquer função pública por dez anos.Fonte Blog Direito e Trabalho

 

Nota do Editor: Recomendo a leitura do excelente artigo o Blog Direito e Trabalho do Juiz Jorge Alberto Araujo .

MICHAEL JACKSON, O ÍDOLO, O FENÔMENO E O ATORMENTADO.

 

 

Michael Jackson

Quem lê o Visão Panorâmica sabe que ele não é um blog de celebridades e nem voltado para a música. Muito menos me dedico a capturar audiência através dos hypes que andam pela Internet e podem levar milhares de leitores para um blog. Justamente por isso escolhi publicar este artigo hoje, porque a “onda hype” já deve ter diminuído e gostaria de compartilhar com os leitores do Visão Panorâmica a minha opinião sobre o acontecido.

Como todo adolescente que viveu o fim dos anos de 1970 e início da década de 1980; Michael Jackson foi fonte de alegrias, entretenimento e momentos de pura libidinagem ao lado de algumas namoradas.

Observar, ao longo de minha vida, a forma quase dantesca com a qual ele transformou o seu corpo e todas as mazelas emocionais, legais e de toda ordem que pululavam em sua vida, foi uma experiência que só pode ser compreendida agora; já na minha maturidade.

A grande verdade, em minha opinião, é que Michael Jackson só era ele mesmo nos palcos. Apenas sob os holofotes e aplausos do público ele era feliz e vivo. Lá, ele estava acima dos preconceitos e das cobranças; das mentiras e das verdades; de tudo que não era a sua verdadeira paixão: a música.

Independente de pesarem sobre ele sérias denúncias de pedofilia e abusos contra menores, a verdade mesmo é que nada foi provado. Até porque, numa sociedade como a americana, os acordos extrajudiciais calavam a boca de testemunhas e familiares e, por sua vez, não podiam eximir o cantor do ataque de oportunistas.

Verdade ou mentira, seus problemas pessoais eram esquecidos ou ofuscados quando a sua genialidade musical tinha espaço para aflorar e se manifestar. Nos palcos, o atormentado e frágil menino explorado e maltratado se transformava num deus brilhante e benévolo. Pronto a compartilhar de sua grandeza com os pobres mortais que o adoravam. A dança, a música, a técnica e a criatividade perdem muito com a morte de M. Jackson.

Deixo claro que julgo aqui o artista. O gênio inquieto e atormentado por fantasmas de seu passado. O ídolo que esbanjava graça, simplicidade e simpatia. Um ser humano que, com defeitos e virtudes, contribuiu para o avanço das artes musicais e para o surgimento de uma identidade musical em seu país totalmente diferente de tudo o que havia antes dele.

 

 

A Morte de Michael Jackson

 

Como alguns outros grandes gênios musicais da humanidade, Michael Jackson morre jovem. Como Hendrix, Joplin, Elvis, Lennon e tantos outros; ele sai da vida e se transforma num tipo de ser diferente. Um semideus alçado a categoria de divindade por milhões de admiradores e fãs ao redor do planeta. Alguém que daqui a cinquenta, cem ou mais anos talvez continue a ser lembrado como gênio inovador e mestre no que fazia.

Alguém disse que, para ser um gênio, é preciso antes de tudo ser um atormentado e um inconformado com o mundo que o cerca. E vemos isso com total clareza na figura do menino negro franzino e de fala macia que apanhava do pai para ensaiar; saído do gueto do racismo estúpido americano e que acabou fazendo até os mais reticentes engolirem o seu talento e a sua força artística gigantesca.    

Antes de erigirmos estátuas oportunistas e cantarmos hinos, devemos entender o que ele tinha na alma de artista. Ver com seus olhos sonhadores e pensar suas ideias de um mundo melhor, sem preconceitos, sem ódio, sem crianças espancadas, mortas ou lutando nas guerras, um mundo onde o ser humano fosse apenas isso… humano.

O homem teve defeitos e deixa dúvidas. Atormentado pela mídia, por seu passado e por seu presente, o artista conseguiu superar isso tudo e passar para a história como alguém irrepreensível no que fazia e um mago das multidões.

Para o homem, o pano desceu e o show acabou. Mas, para a lenda, a eternidade apenas começou.

 

 

Adeus a Michael Jackson

TV PANORÂMICA – PROTESTOS APÓS AS ELEIÇÕES DO IRÃ.

 

Em um artigo publicado anteriormente (IRÃ, ELEIÇÕES E AS PSEUDODEMOCRACIAS); recebi um comentário do leitor Marco Antonio informando um link para um artigo publicano no Blog do Luiz Nassif onde o articulista tecia maravilhas sobre a democracia iraniana e a facilidade e o respeito que o governo de lá tem com manifestantes. E que tanto faz ser contra ou a favor, as manifestações sempre são ordeiras e correm com total apoio do governo (leia o artigo).

Inclusive o comentário do Marco Antonio aqui foi o seguinte: “Nos eeuuaa mudou o governo, mas a propaganda anti IRÃ continua, com as bênçãos da americana globo:” .

Sempre acho estranho como as pessoas se deixam cegar por ideologias ou pela religião. E como a verdade é muito mais cruel do que possamos imaginar. Não é o fato de você ter afinidade a um determinada ideologia ou governo que deve fazer com que você se torne cego para erros cometidos por eles. O Irã tem o direito soberano de ter o governo que desejar. No entanto, não podemos achar que tudo o que há por lá são maravilhas floridas.

As imagens que você verá agora, foram gravadas por iranianos num desses protestos “protegidos pela democracia iraniana”. Será que esses vídeos também foram feitos por americanos ou pela Globo?

 

Assista a este canal do You Tube para acompanhar o que anda rolando no Irã, em primeira mão, e não depender de canal de TV nenhum. Tire suas próprias conclusões se é mesmo a Globo e os EUA que estão fazendo uma campanha contra o governo iraniano ou é seu próprio povo que deseja mais liberdade e respeito a suas escolhas.

Pense nisso.

IRÃ, ELEIÇÕES E AS PSEUDODEMOCRACIAS.

 

 

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Frequentemente me debato aqui com leitores que questionam minha classificação de Hugo Chávez como ditador. Afinal de contas, ele foi eleito e é constantemente apoiado por seu povo. Logo, é correto pressupor que políticos assim são democratas.

Mas; e casos como o do Irã, Iraque (nos tempos de Saddam Hussein) e alguns outros países claramente ditatoriais e que promovem eleições? (apenas para citar exemplos contemporâneos)

O simples fato de ser eleito não dá a ninguém o título de democrata-mor. As eleições iranianas são verdadeiramente algo para “inglês ver”. Afinal de contas, uma junta de sacerdotes é quem escolhe as pessoas “capazes” de se lançarem candidatos. Reformistas ou elementos “não alinhados” com seu pensamento não podem ser nem “síndicos de prédio” (sic), são colocados na disputa apenas como figuras meramente decorativas e como uma forma de garantir a “democracia” do pleito.

Portanto, essas eleições, chegam ao seu término praticamente definidas. Normalmente os candidatos mais chegados ao pensamento dos Aiatolás são os escolhidos e devem, ao longo de todo o seu mandato, obedecerem de forma cega aos desejos e pensamentos emanados da assembléia dos sacerdotes.

A realização de eleições serve apenas como uma satisfação ao mundo exterior ou a uma classe mais instruída do povo. Num claro jogo de cartas marcadas, apenas os candidatos “do sistema” chegam aos postos importantes ou conseguem se eleger em maioria.

Pode mesmo nem ter havido uma fraude na eleição iraniana. Afinal de contas, o país tem vastas populações mergulhadas na ignorância e na pobreza; vivendo ainda numa linha de tempo toda particular e atrasada. O que, para um dos países que foi o berço de toda a civilização humana e um centro histórico das artes, ciências e de inúmeros avanços culturais e científicos; é algo triste e deprimente. Basta saber que, enquanto a Europa ainda assistia a seus habitantes jogando fezes e urina pelas janelas das casas, os países dessa região já dispunham de iluminação pública nas ruas e redes de esgoto (além de já terem conhecimentos avançados de astronomia, física, matemática, etc…).

Contudo, alguns indícios que transpareceram durante e após a divulgação dos resultados das eleições iranianas nos fazem pensar: Em primeiro lugar, há o estranho comunicado da autoridade eleitoral máxima iraniana (o equivalente ao nosso TSE) a Mir Hossein Mousavi, afirmando que ele havia ganho as eleições “de lavada”. Depois; o comparecimento recorde de votantes de maioria reformista que estavam afastados dos pleitos iranianos e a “derrota” do candidato reformista em redutos de sua própria etnia (e por margens absurdas); quando todas as pesquisas lhe conferiam mais de 70% dos votos nessas cidades que, tradicionalmente, não votam em elementos “de fora”. Houve também uma estranha celeridade nas apurações: a eleição anterior levou dias para decidir quem era o vencedor; nesta, o resultado veio em questão de horas (o que é duplamente estranho porque o voto e a contagem são manuais). 

Além disso, os próprios distúrbios ocorridos nas grandes cidades do país (e que não são vistos faz tempo); mostram que pode mesmo ter havido algo errado nas eleições iranianas. Mas, tenha havido irregularidade ou não; jamais saberemos ao certo. Basta analisar como os Aiatolás estão procedendo com a questão: Ao invés de mostrarem, de uma vez por todas, a força e o apoio do povo aos seus pensamentos e a vontade popular de manter a “guerra as infiéis ocidentais” a todo vapor; os Aiatolás optaram por lançar uma teia de sombras sobre todo mundo.

Ao impedir o acesso a Internet, controlar as ligações telefônicas, o envio de notícias para fora do país (antes de serem aprovadas pela censura), calar até as redes de TV árabes e “baixar o sarrafo” em todo mundo que ouse manifestar-se contra o resultado da eleição; os Aiatolás mostram e ratificam o que sempre desejaram esconder: a insatisfação popular com os rumos da política iraniana e a vontade crescente de uma população mais jovem e esclarecida de pensar livremente e agir de acordo com seus próprios julgamentos e vontades. Além disso, mostram que são mesmo mais um governo ditatorial que só se mantém graças ao uso da força e ao controle ferrenho do cidadão.

Controlando corações e mentes, ao invés de conquistá-los, os Aiatolás desejam manter uma situação que acabará levando o país para uma revolta violenta (a exemplo do que aconteceu na época do Xá) ou para uma guerra definitiva contra seus “inimigos” israelenses e ocidentais.

A vontade do povo iraniano, que clama por mudanças, vem do esclarecimento de uma população jovem e de boa instrução. Normalmente, essa é uma força que sempre se opõe a dogmas religiosos inexplicáveis e a vontade ferrenha dos conservadores de manter tudo como está. Sejam eles iranianos ou de qualquer outra nacionalidade.

E você leitor; o que pensa disso?

CUBA, ROMÂNTICOS E UM POVO QUE PADECE.

 

 

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A reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos) que autorizou o retorno de Cuba para o seio da organização é um fato histórico. Contudo, muito mais emblemática é a postura de Fidel Castro em comentar o fato com profundo desdém e com a cegueira própria do ditador que prefere ver seu povo morrer a libertá-lo de seu julgo.

Cuba alcançou avanços invejáveis e comprovados na medicina, educação e na política social. Isso ninguém lúcido pode negar. No entanto, no campo político e na vida cotidiana do cidadão, Cuba promove uma das piores práticas possíveis e submete o povo cubano a uma festival de privações que só aumenta.

É lógico que os “Românticos de Cuba”, que idolatram Fidel de seus apartamentos dotados de todo o conforto moderno, de produtos alimentícios variados e eletrônicos de toda espécie desconhecem completamente que esses confortos são quase totalmente desconhecidos ou sumariamente vetados ao cidadão comum cubano.

Fora das áreas turísticas, convive-se com a miséria quase absoluta; com a fala de oportunidades; com a falta de gêneros alimentícios e agora ainda há o fantasma do racionamento de energia elétrica. No calor do verão cubano, as famílias são patrulhadas pelo regime para que não liguem seus ventiladores e, assim, não provoquem uma maior frequência nos apagões (já tão comuns). Ao invés das prometidas reformas, em meio a recuperação econômica, mais restrições a ponto de o governo lançar o slogan "economia ou morte", variação do lema de 1959, "pátria ou morte" (fonte).

A situação em Cuba está tão ruim que até a Souza Cruz (fabricante de cigarros brasileira e subsidiária da multinacional do tabaco British American Tobacco, que tem negócios na ilha há anos, formando uma “joint venture” (Brascuba) com a estatal cubana para fabricar e comercializar os cigarros e charutos cubanos) não vê a cor do dinheiro faz tempo (recebeu na semana passada o que deveria ter recebido há quatro meses).

 

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A recente liberação de remessas de dinheiro para os cubanos, promovida pelos EUA, parece não ter causado um grande impacto na economia cubana e a ilha caribenha está experimentando momentos difíceis internamente. O governo agora ameaça as famílias com pesadas punições, caso elas “abusem” do uso de… ventiladores.

Não é por menos que os cubanos querem deixar a ilha, mesmo com o coração partido, na primeira oportunidade. O regime de Fidel procura deter seus cidadãos de todas as formas possíveis ao mais puro estilo “linha dura” e mesmo diante de fatos tão significativos, como a escassez de alimentos, divisas e energia; Cuba ainda prefere exilar-se em sua “grandeza” ideológica e esnoba a postura da OEA e de seus componentes. Segundo a TV estatal cubana: "Cuba não pediu, não quer voltar à OEA, cheia de sua história tenebrosa e entreguista, mas reconhece o valor político, o simbolismo e a rebeldia que está nas entranhas dessa decisão, impulsionada pelos governos populares da América Latina" (fonte). O mais engraçado de tudo isso é que até os EUA votou a favor do retorno de Cuba para a OEA.

Penso sempre que um grande líder deve ser medido pela satisfação de seu povo e pelas oportunidades de evolução que é capaz de produzir e fomentar; levando seu país a patamares sempre melhores, do que os anteriores a sua chegada, em todas as áreas. A harmonia entre o bem popular e o bem do Estado deve sempre ser a tônica de qualquer grande líder. Mas, infelizmente, Fidel prefere impor provações e privações ao seu povo a promover uma simples eleição em seu país.

Se ele mesmo entende que seu regime é tão frágil que simplesmente desmoronaria diante da vontade popular; como podemos chamá-lo de “grande líder” e de tê-lo como exemplo a ser seguido e idolatrado?

Se um governo credita sua existência apenas às proibições de que seus cidadãos saiam do país, tenham um barco ou possam decidir livremente em quem votar ou como viverem suas vidas; merece esse governo consideração e continuidade? Será mesmo que merece a simples existência?

Eu acho que não.

E você leitor, o que pensa disso?

CHINA, A PAZ CELESTIAL E O BOLSO CHEIO.

 

China

 

Tudo o que diz respeito a China deve sempre ser tratado como colosso. Afinal de contas, o maior mercado consumidor do planeta é formado por uma massa que melhorou muito de vida financeiramente e que deseja consumir o máximo possível, no menor espaço de tempo. Muito ao contrário do que os saudosistas do comunismo preferem admitir, na China de hoje poucas lembranças podem remeter ao comunismo ferrenho e a política do “Traje Mao” e da “Igualdade para Todos”. Uma das poucas reminiscências são o autoritarismo e o controle ferrenho sobre corações e mentes de seus cidadãos (pelo menos é o que tentam).

Afinal, se assim não fosse, o regime não resistiria. A opção pela mudança nos paradigmas financeiros e o abandono das ideias atrasadas de manter a população ignorante e presa ao campo, como forma de conseguir uma doutrinação permanente e obediência total pela dependência, causaram na China um efeito transformador.

E esse efeito, como era de se esperar, já se manifesta na nova geração de jovens chineses que não conheceram muito a fundo as privações absolutas do passado e cresceram durante os anos em que a China “cuspiu no prato do comunismo” e resolveu tornar-se um país “capital-comunista” (sic).

A maior prova disso é que às vésperas do aniversário de vinte anos do Massacre da Praça da Paz Celestial, em que manifestantes pediam uma China mais livre e aberta ao mundo e foram reprimidos violentamente pelo governo chinês; o fato parece não ter a menor importância simbólica para o jovem chinês médio de hoje. Segundo entrevistas feitas pela BBC com jovens universitários chineses, eles declararam que preferem “cuidar de suas próprias vidas” a “mudar a China”. A opção por enriquecer, fazer sucesso profissional e aproveitar o que o dinheiro puder comprar é a tônica da maioria dos discursos proferidos pelos jovens de hoje.

Você pode até achar meio estranho; mas eles acham que o ato foi “um erro”. Os universitários chineses pensam que “devem preocupar-se mais com suas próprias vidas” e que “é perigoso lidar com questões políticas”.

 

Mães da Praça Celestial

Essas declarações podem ser muito bem comparadas (guardadas as devidas proporções) com nossa própria situação política. Uma população submetida a uma doutrinação violenta e a anos de domínio ideológico pesado tenderá a abster-se das questões políticas de seu próprio país. Taxar a manifestação dos estudantes, na Praça da Paz Celestial, como um erro é algo estúpido porque lança o movimento, que é sem dúvida um marco nas mudanças ocorridas na China, no desprezo e na vala comum da insignificância.

Se o regime chinês encarasse mesmo o movimento como um erro ou algo inócuo não manteria, até os dias de hoje, cerca de 200 manifestantes presos em suas cadeias e campos de trabalho (aqui). Além disso, não se empenharia em impedir, por todos os meios, que o povo se manifestasse pela Internet ou por qualquer forma de comunicação seu pensamento em relação aquele dia de 1989 .

Os jovens universitários chineses parecem desprezar o ecos do passado que permitiram que eles, hoje, se encantassem pelo brilho hipnótico do ouro e pelas riquezas que as oportunidades construídas, sobre os cadáveres de milhares de pessoas que deram partida nas engrenagens responsáveis por trazer a prosperidade que a China experimenta atualmente, com seus sonhos e seu próprio sangue.

Eles desejam obter o sucesso financeiro e profissional para, talvez em dez ou vinte anos, patrocinarem mudanças em seu país. Mas, então, já não serão jovens; não serão sonhadores e, talvez, já estarão contaminados pelo duro e frio espírito do conformismo ou deslumbrados demais com a própria riqueza (aqui).

E você leitor; que pensa disso?

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