Visão Panorâmica

SARNEY, SENADO E SAFADEZAS.

 

 

Senado e Safadeza

 

Finalmente alguém se mexeu e um pedido formal de julgamento foi posto na mesa do “Conselho de Ética” (isso mesmo, entre aspas. Afinal de contas ética é algo quase desconhecido no Senado Federal). Depois da situação chegar a níveis insustentáveis e que beiram ao colapso institucional (sem nenhum alarmismo); o senador Arthur Virgílio entrou com o pedido de investigação após ter sido denunciado como beneficiário das maracutaias dos ex-diretores Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi, por meio de uma reportagem publicada neste final de semana.

A verdade é que a tentativa de calar ou de intimidar os senadores descontentes, com a comum prática de divulgar o “rabo preso” de todo mundo, não deu certo. E, com as provas esmagadoras dos desvios cometidos por Sarney e (segundo palavras de Arthur Virgílio) dos bandidos que ele indicou para a diretoria do senado; a situação de Sarney está muito pior do que o “inocente” presidente Lula pode pensar. Mesmo com os insistentes comandos vindos do Planalto para que o PT apóie Sarney “até a morte” (quem te viu e quem te vê), Sarney vive um momento extremamente delicado.

Em paralelo a isso, cresce pelo país a indignação do eleitorado mais consciente e manifestações de repúdio começam a se avolumar e a espalharem-se pela Internet. No Twitter já há a tag (#forasarney) que é colocada em cada mensagem enviada e que fará com que a frase fique estampada nos “Trending Topics”. Já há também um site onde o internauta pode comentar e extravasar a sua raiva contra o bigode mais odiado da nação e solicitar que esse velho coronel peça o seu boné e retire-se do senado; enquanto ainda pode esperar fazê-lo com alguma dignidade.

 

Sarney e Seus Funcionários

 

Como não podia deixar de ser o site já diz ao que veio até no nome: FORA SARNEY! Também há um perfil no Twitter especial para o FORA SARNEY e um fórum do FORA SARNEY onde se pode conseguir informações sobre protestos e passeatas. Basta agora que você faça a sua parte e mostre sua indignação e seu protesto contra esse senhor que age como se ainda vivêssemos no século XIX ou nos tempos do feudalismo.

No entanto, é importante salientar que a figura de José Sarney é apenas um ícone desse mal e da perversidade com que os cofres públicos são tratados por esses senhores. Afinal de contas, é impossível conceber que dois meros funcionários (mesmo tendo cargos poderosos) tenham feito tudo o que fizeram (durante quinze anos) sem o conhecimento e o apoio complacente de nenhum senador ou de nenhum membro das mesas diretoras que se sucederam durante todo esse período.

Também é importante lembrar que o cargo de Senador da República é majoritário. Ou seja, para ser um senador é preciso ter uma votação expressiva em seu estado. Por isso, é uma ilusão culpar apenas Sarney, seus amigos e parentes (assim como qualquer outro senador envolvido). O principal culpado somos nós. Pois, ao votar sem considerar o comportamento do político em sua vida privada ou pública, damos a eles a ideia de que tudo podem e de que não nos importamos quando nos roubam. Sarney foi eleito e reeleito e seu modo de agir (como o de muitos outros) não é algo novo ou inusitado; é frequente e corriqueiro para a maioria dos senadores que lá estão. Por isso, se desejamos um Senado melhor e mais capaz, temos de ser um eleitorado melhor e mais capaz. Cobrando ética e respeito a coisa pública e punindo com o “não voto” aqueles políticos que se desviem do que desejamos. Enquanto senadores, deputados e demais políticos se sentirem livres e “absolvidos pelas urnas”, o Brasil nunca mudará.

 

Sarney Michael Jackson     

 

O simples fato do diretor Agaciel Maia fornecer “socorro financeiro” para alguns senadores e ser tratado, por muitos, como “senador”; dá ao caso a sua real abrangência e a sua potencial virulência e gravidade. Paira sobre o Senado Federal uma suspeição nunca vista na nossa história e, desse sentimento, nada de bom pode advir. Os últimos acontecimentos em Honduras poderão até dar o tom do que se esperar por aqui se as coisas continuarem rumando para o abismo sem fundo de agora. Uma crise de confiança generalizada e instituições paralisadas pela corrupção e pela inércia, poderá acender a chama que (todos esperamos que não) parece ainda estar presente sobre as jovens democracias de nosso continente.

Esperemos que esse seja o momento em que os partidos políticos brasileiros percebam que, com a Internet e a liberdade de expressão, é praticamente impossível esconder-se qualquer informação ou escândalo por muito tempo. Assim sendo, desejamos que comecem a estudar melhor os candidatos postulantes a cargos eletivos e que não entreguem suas legendas a qualquer marginal que esteja disposto a pagar por ela.

Ao mesmo tempo, exigir a punição exemplar de funcionários e senadores envolvidos deve ser a tônica de todos nós, a cada minuto do dia. Os gastos do Senado, e dos demais poderes, ultrapassam o absurdo. Dinheiro público é jogado fora em altíssimos salários (um segurança do senado pode ganhar mais do que um general do exército; um motorista mais do que um piloto de jato comercial; um ascensorista ganha mais do que o presidente Lula e o copeiro – serve café e água – ganha mais do que um maître de um restaurante cinco estrelas em São Paulo); em mordomias injustificáveis e em gastos meramente particulares. (Fonte: Veja (01/07) nº 26; pág. 79)

A mudança do cidadão, provocará a mudança nos partidos e acabará provocando a mudança na qualidade dos políticos. Infelizmente esse é um processo demorado, sendo capaz de provocar muitos efeitos colaterais ao longo do tempo e de causar enormes dores de cabeça para todos nós.

Mas deve começar algum dia. Que seja agora então.

Pense nisso.

PROSTITUIÇÃO INFANTIL, VERGONHA E A JUSTIÇA QUE NÃO PENSA.

 

 

Exploração Infantil

Você, caro leitor do sexo masculino, anda entediado? As gatinhas não te dão bola? Sua namorada te deu um fora e a vida está ruim para você?

Não se preocupe. Coloque uma bela roupa, saia de casa e vá até uma zona de prostituição. Chegando lá, despreze as prostitutas maiores e “pegue” uma garotinha. Sim, quanto mais novinha e “brotinho” melhor. De preferência, “pegue” uma em que as características sexuais ainda estejam despontando. Aliás, fazer sexo com crianças é “tudo de bom”.

PARE! Antes que você corra para me denunciar ou me amaldiçoe, até a última geração da minha família, eu explico.

Esse conselho, totalmente elaborado com o propósito de te chocar, foi dado para milhões de tarados, pedófilos, fracassados que adoram prostitutas e escroques que curtem e fomentam a prostituição infantil não foi dado por mim. Foi proposto por uma das Supremas Cortes Brasileiras.

Você pode pensar que eu estou louco, os jornalistas podem pensar que é a falta do diploma, os juristas rirão na minha cara e me chamarão de louco… mas… podem acreditar… é verdade.

A prostituição infantil acaba de ser liberada no Brasil e ganhou status de profissão (sem diploma). Vamos então sair às ruas e prostituir menores com o aval da justiça e dos sábios juízes do STJ. Vamos criar o programa “Jovem Aprendiz do Sexo”. Pois, segundo uma sentença proferida pelo “egrégio” tribunal, se eu não for o primeiro a pagar pelo sexo com a prostituta mirim; “está liberado”.

 

Pedofilia e Abuso Sexual de Menores

O mais incrível é que, apesar da prostituição não ser crime no Brasil; é crime pagar por sexo. Afinal de contas, a mulher é livre para fazer o que quiser com a sua sexualidade. Mas, ao pagar pelo sexo, o homem contribui para uma situação degradante e perigosa. Por isso a lei entende que pagar por sexo é crime e prostituir-se não.

No entanto, graças a decisão “brilhante” dos juízes do STJ, a partir de agora se você for pego com uma prostituta maior de idade você pode ser condenado a prisão (na prática isso já não ocorre). Mas, se a prostituta for menor de idade “tá limpo”. Isso mesmo, contrariando o próprio código penal, os juízes do STF sentenciaram pelo não cometimento de crime “por entender que cliente ou usuário de serviço oferecido por prostituta não se enquadra no crime previsto no artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”. Na prática, pagar por sexo com menores no Brasil deixou de ser crime.

A decisão foi provocada pela absolvição de dois canalhas pelo tribunal do Mato Grosso do Sul, cuja sentença foi ainda pior e revelou um enorme preconceito por parte do juiz local. Segundo ele "as prostitutas esperam o cliente na rua e já não são mais pessoas que gozam de uma boa imagem perante a sociedade". O magistrado afirma ainda que a "prostituição é uma profissão tão antiga que é considerada no meio social apenas um desregramento moral, mas jamais uma ilegalidade penal".

O mais inacreditável de tudo é que essa sentença seria ótima se essas menores fossem como tantos outros infratores que vagam pelas grandes cidades brasileiras, cometendo crimes terríveis e servindo de marionetes para os criminosos maiores. Para esses facínoras mirins, nosso Judiciário estende a proteção do ECA e os torna (praticamente) impunes. Mas, para quem mais precisa da proteção do estatuto, ele vira as costas e tenta encobrí-las com suas lindas togas farfalhantes.  

O caso assume ares de surreal quando os réus ainda foram condenados por posse de material pornográfico. Além de fazerem sexo com as menores, os imbecis as fotografaram nuas e foi apenas isso que os condenou. A promotora do caso ainda foi incisiva ao criticar a decisão falando que foi muito clara ao demonstrar que as meninas não tinham alternativa à prostituição e que não controlavam o destino de seus próprios corpos. (leia a notícia aqui)

 

Prostituição Infantil

 

A decisão estranha e completamente equivocada, além de banhada por um imenso preconceito, joga por terra todo o enorme trabalho que é feito por entidades e pessoas contra a pedofilia e a exploração de menores. A prostituição infantil é um câncer e uma vergonha que deve ser eliminada de nosso seio e ter, os indivíduos que a fomentam, rigorosamente punidos. Penas longas, cumpridas integralmente e julgamentos rápidos seriam a solução para esse problema.

Como pai de duas meninas e como cidadão, não posso entender como juízes que devem ser escolhidos por seu “elevado saber” proferem uma sentença ridícula e praticamente legalizam um crime previsto em lei. Ao desconsiderarem o fato de serem duas menores (uma de 12 e outra de 13 anos), nossos “nobres” juízes se ativeram apenas ao código penal que classifica a prostituição como “mal social” e esqueceram do caráter hediondo e cruel do ato.

Resta apenas a mudança da sentença pelo STF (e esperamos que ela ocorra). O que, se não ocorrer, nos jogará diretamente nos braços do turismo sexual; transformando nosso país na Meca dos pedófilos e tarados do mundo todo. Isso sem contar com a possibilidade de sermos expostos e condenados nos tribunais internacionais mundo a fora (mais uma vez).

Quanto mais penso que não podemos baixar o nível e invertermos nossos valores como nação ainda mais; as instituições desse país estranho e surreal, em que nosso amado Brasil se transformou, aparecem com “surpresas criativas” para chocar a mim e a seus habitantes.

Os tribunais, os juízes e as leis servem para proteger os indefesos da selvageria  e da barbárie. É assim que o homem aprendeu, ao longo da sua evolução, que viver em grupos organizados era melhor do que viver isolado e a mercê da “lei do mais forte”. Mas, e se a sociedade a qual você pertence não cumpre mais esse papel protetor? Valerá a pena continuar vivendo nela?

Pense nisso.

RATOS, BARATAS, SENADORES E COISAS INCRÍVEIS.

 

Kit Boquinha do Sarney

 

Quem já teve problemas com ratos e baratas em casa sabe que, quando achamos o centro da infestação (o ninho) e jogamos luz sobre essas criaturas nojentas, elas começam a correr em todas as direções e se apressam a esconderem-se onde der. Qualquer frestinha escura ou cantinho inacessível a nós é a salvação para um desses animais.

Pois é, o Senado da República parece exatamente uma dessas casas. Bastou jogar uma luz sobre os tais “atos secretos” que logo uma quantidade enorme de ratos, baratas e outros bichos nojentos começaram a correr para todos os lados. Um acusando o outro tentando, com sua atitude, enfurnar-se numa fresta escura e escapar da possível degola que se aproxima.

São funcionários que recebem quatro contra-cheques, com pagamentos superiores a 29 mil reais (portanto, acima do teto máximo legal); funcionários que moram no exterior e recebem “horas extras” pelo seu incrível trabalho envolvendo os milagrosos poderes mediúnicos da viagem astral; funcionários que são lotados no senado, mas que trabalham, na verdade, como empregados particulares de senadores e de seus familiares; contratação de parentes, amigos e amigos dos amigos e tudo mais que a criatividade dos corruptos brasileiros puder imaginar. Afinal de contas, como todo bom livro de auto-ajuda diz: “tudo que existe começou na imaginação de alguém”.

E, no senado, não é diferente. Tudo o que existe de ruim ali, começou na imaginação de três homens: José Sarney, Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi. Seja por ação ou omissão o ex-presidente do Brasil e do senado, José Sarney, é diretamente responsável por esses acontecimentos pelo simples fato de que partiu dele a nomeação desses senhores e cabia a ele a fiscalização de seus atos.

Legalmente não se pode afirmar que Sarney tenha “culpa no cartório” (nem que seja só para o blogueiro escapar de um processo). Mas, é no mínimo curioso como seu nome está tão intrinsecamente ligado a esses escândalos. É o mordomo da filha; é a sobrinha que mora no exterior; é o netinho que precisa trabalhar e por aí vai…

 

Lula e as Pessoas Comuns

 

Como um dos principais representantes do velho jeito de fazer política e do coronelismo “beija-mão”; Sarney cumpre o papel que se esperava dele. E tratar a “coisa pública” como propriedade destinada a engordar os seus é (e sempre foi) o objetivo de todo coronel.

O que não devia acontecer e, infelizmente, está acontecendo; é o próprio corregedor da casa (Senador Romeu Tuma) se curvar diante de toda essa verdadeira lambança e afirmar a plenos pulmões que não investigará Sarney porque não há indícios suficientes para isso (veja aqui). Isso é muito mais inacreditável quando parte de um delegado da Polícia Federal que está “careca” de saber que há muito mais do que “indícios”.

Na verdade, há muito mais do que simples elementos que justifiquem a abertura de um inquérito contra Sarney. Vários dos atos secretos (que são inconstitucionais e criminosos) tiveram como objetivo beneficiar a ele e a seus familiares. Como se trata de uma irregularidade clara e de uma violação da constituição; não há defesa e as provas estão aí para quem quiser ver.

Tuma ainda diz: “Ele (Sarney) está determinando a apuração dos fatos”. Que validade legal isso pode ter. Como o suspeito pode se “autoinvestigar” e ser responsável pelo controle de todo aparato investigativo, testemunhas, provas, etc…? Como se não bastasse, o corregedor continua: “Houve uma disputa política pela Presidência do Senado e ela dividiu os funcionários que tinham responsabilidade moral de fiscalizar os atos. Agora, eles estão denunciando para desmoralizar um ao outro”. (veja aqui)

E daí? Simplesmente pelo fato de que há uma disputa política são desprezadas denúncias gravíssimas e de fácil comprovação? E o crime de violação da constituição? Esse já é tácito e patente pelo simples fato de terem existido atos secretos. Toda mesa diretora (desde a emissão do primeiro ato) deveria não só ser investigada como punida.

 

Congressistas brasileiros

Tudo leva a crer que há um imenso, grosso e cabeludo “rabo preso” em toda essa história. Algo que o senador Arthur Virgílio veio a público denunciar, com veemência e seriedade assustadoras. Colocando em xeque toda a direção do senado e a capacidade de muitos senadores de manterem o seu mandato. Imaginar que dois homens possam, graças as suas informações, chantagear todo um grupo de senadores e colocar uma das mais importantes instituições brasileiras de joelhos é algo que coloca todo o Senado Federal sob suspeição e desconfiança; indo muito mais além do que a “mera” corrupção e pairando pelo gravíssimo crime de traição.

Afinal de contas, se controlam os senadores; controlam o senado e seus atos. Incorrendo em graves riscos para a estabilidade institucional e para a manutenção da legalidade em nosso país. (veja aqui)

É importante perceber o delicado momento em que vivemos, porque em 1964, fatos muito menos graves do que esses acenderam o estopim que levou ao golpe militar e jogou nosso país num dos momentos mais negros de sua história.

Mesmo achando que os tempos são outros e que não há lideranças militares dispostas ou corajosas o suficiente para repetir a “façanha”; cabe a nós brasileiros sérios pressionar para que tudo seja apurado e que esses ratos sejam retirados do senado.

É uma pena perceber que, mesmo tendo custado tão caro, a nossa liberdade é violentada e despreza a cada instante e a cada ato desses canalhas aproveitadores que tomaram conta da nossa política com a ajuda e o empenho de uma massa de eleitores desatentos e irresponsáveis. A democracia é mais do que isso. Vemos, nos países que não a veneram, como ela faz falta. Sentimos na pele como é viver sob o tacão de um ditador e muitos de nós pereceram para que pudéssemos ter o direito de escolher nossos representantes e de nos expressarmos livremente.

É nosso dever ter o mínimo de responsabilidade, compreensão e empenho para que nada tenha sido em vão.

Pense nisso.

JORNALISTAS, O JORNALISMO E A DIFERENÇA QUE UM DIPLOMA FAZ.

 

 

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Finalmente o STF decidiu pelo fim da exigência de diplomas para o exercício do jornalismo. Em minha opinião um ato acertado pelo simples fato de que, a tal exigência, ia de encontro a acordos internacionais e tratados assinados pelo Brasil; sendo apenas um dos ranços da ditadura militar.

Na época da ditadura o jornalismo brasileiro era composto por homens de grande inteligência e idealismo. Rapidamente expunham as mazelas dos militares e agiam como se fossem feitos de aço ou seres imortais. Tudo faziam e arriscavam na luta constante para mostrar ao povo brasileiro a verdade, que era constantemente jogada para baixo do tapete pelas botas reluzentes. (Bem, pelo menos a maioria. Porque uma parte acobertou e ganhou muito com o regime)

Sabe de uma coisa muito interessante, caro leitor? Quase a totalidade desses homens não era formada em jornalismo ou mesmo tinha algum curso superior. Isso mesmo; inúmeros profissionais que hoje são deuses do jornalismo brasileiro e criaram as técnicas e bases que são ensinadas nas faculdades de jornalismo; nunca possuíram um diploma de nada. Assim, o jornalismo nacional produziu seres divinos como Hélio Fernandes, Carlos Lacerda, Carlos Castelo Branco, Alceu de amoroso Lima e Vladimir Herzog e tantos outros. (Para não falar na turma do Pasquim e de outros jornais, emissoras de rádio e de televisão; o que formaria uma lista enorme de pessoas).

Tentando impedir que esse pessoal criativo trabalhasse contra a “revolução”, os militares resolveram limitar o acesso a profissão através dessa exigência ridícula. Assim, poderiam impedir, numa tacada só, que elementos provenientes de camadas menos abastadas da sociedade chegassem aos meios de comunicação para derramarem seus talentos e, ao mesmo tempo, podiam doutrinar e vigiar de perto todos os que tinham recursos para custear uma universidade. Atuando diretamente na formação e na qualificação desse pessoal.

 

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Muitos dos que abriram cursos de jornalismo eram elementos que, de uma forma ou de outra, se aproveitaram do regime e compactuaram com ele; colhendo assim suas benesses e favores. Muitos deles posam hoje de defensores da liberdade; mas comeram durante muitos anos nas mãos do regime ou adoravam agradar “os generais”.

É lógico que, quarenta anos depois, a cultura do diploma já estava estabelecida e tida como central e estatutária para a carreira jornalística. Afinal de contas, em cima desta exigência, criou-se toda uma indústria de cursos, faculdades, pós-graduação, sindicatos desejando reserva de mercado e federações ansiosas para se tornarem as próximas OAB’s e arrecadarem fortunas dizendo quem pode ou não trabalhar.

A fala de que a profissão de jornalismo está em risco e que “foi um duro golpe” nos cursos e nos sindicatos é uma idiotice porque reflete apenas a falta de visão e a falta de transparência que muitas pessoas desejam impor.

A necessidade de curso superior para ser jornalista é descabida porque impede o talento real de aflorar, se exprimir e ser reconhecido. Trata o fora de série como imbecil e coloca a importância de uma profissão num pedaço de papel.

Os cursos superiores podem muito bem cumprir o seu papel de ensinar as técnicas a profissionais que desejem evoluir na carreira: um editor, um diretor ou outro profissional do meio que deseje cargo de chefia ou a ele se candidate. Mas, que mal há do repórter “pé-no-chão” ter apenas um segundo grau? Isso o transforma num imbecil? Em vista da qualidade de muitos jornalistas formados que vemos por aí; eu acho até que trata-se do contrário.

A mesma norma se aplica a inúmeras outras profissões que podem muito bem dispensar a presença de um diploma e serem exercidas da mesma forma. Você sabia que para ser caixa, escriturário, atendente ou até office-boy em alguns bancos você necessita de curso superior? A pergunta de dez milhões de dólares é: Para que?

 

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A profissão não vai se degenerar e nem acabar. Ou muito menos como disse o presidente da FENAJ: “Éramos uma categoria e agora somos um bando”. Essa declaração é uma prova de que um diploma não atesta a inteligência de ninguém. Afinal de contas, vivemos hoje uma enxurrada de jornalistas medíocres e sem qualquer expressão. Essa liberalização poderá promover uma renovação no “baixo-escalão” do jornalismo que, conforme se desenvolver, buscará naturalmente a realização de cursos superiores para se especializar, se aprimorar e galgar postos mais elevados.

O jornalista ruim e sem talento será banido pela seleção natural (exatamente como era feito no passado) e inúmeros novos talentos (que estavam afastados por absoluta insuficiência financeira) poderão aparecer e florescer; sendo lapidados e aproveitados como for conveniente.

A celeuma em torno da eliminação da exigência do diploma só favorece aos empresários donos de cursos e faculdades e a toda essa indústria que gira em torno desses altos valores cobrados. A maior prova disso é que, durante o período de exigência do diploma, nenhum desses grandes vultos do jornalismo brasileiro já citados, poderia sequer ter a oportunidade de despontar. O ensino superior deve ser exigido sim. Mas para as áreas do jornalismo que dependem de técnicas apuradas e especializadas e que envolvam liderança e administração.

Fora esse caso, a diferença que um diploma faz é simplesmente afastar possíveis talentos e encobrir uma mentira descarada que é o mercantilismo travestido de regulamentação.

E você leitor, o que pensa disso?

SARNEY, LULA, O SENADO, O POVO E O CERCO QUE SE APERTA.

 

 

Sarney Não Quer Ver

A enxurrada de denúncias envolvendo senadores, funcionários e empresas terceirizadas no Senado Federal já dá ares de que se tornará uma enorme dor de cabeça para José Sarney. Muito mais do que se indignar e de discursar a mesma lenga-lenga que todo político apanhado com as calças na mão; Sarney terá de analisar um “pedido” (na prática quase uma ordem) que foi protocolado por um grupo de senadores que não engoliu a balela de família e de história política.

Muito mais tomados de um espírito público e praticidade próprias de quem adora chutar um cachorro morto, esse grupo de senadores (composto por Cristóvam Buarque, Tasso Jereissati e outros de diversos partidos como o PSDB, PT, PMDB, PSB, PDT). Como se pode perceber é uma frente multipartidária que, se for ignorada, poderá provocar grandes problemas para Sarney, Renan e seu grupo.

A exigência de investigação externa e de participação da Polícia Federal é o ponto mais polêmico. Contudo é primordial que assim seja; já que qualquer investigação realizada apenas pelo Senado já nascerá morta pelo simples fato de que é impossível garantir-se qualquer isenção e idoneidade numa investigação assim.

 

 

Sarney é Limpeza

 

Muito mais suspeição e gravidade, tem a questão de quem ficará responsável pela investigação, quando o próprio presidente da nação vem a público e diz que José Sarney “está acima do bem e do mal”. Em suas exatas palavras, o presidente Lula disse: “Eu penso que o Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”.

O problema é que ele é exatamente isso: Uma pessoa como outra qualquer. Pelo menos é o que determina a Constituição Federal.

Nós brasileiros temos que combater com firmeza essa ideia atrasada de que algumas pessoas podem mais do que as outras ou que, por ocuparem cargos importantes, estão acima da lei e podem ser poupadas de suspeitas e investigações. A verdade é que deve-se pensar justamente ao contrário. Quanto mais importante e poderoso; mais deve ser fiscalizado e punido em caso de deslizes. É assim em qualquer nação evoluída e civilizada. A corrupção é um mau inerente ao ser humano. Não podemos achar que o simples fato de alguém ocupar (ou ter ocupado) um cargo importante ou uma posição de destaque transformará esse alguém em um santo.

Sarney pode ter sido presidente, pode ter sido presidente do senado por três vezes e ser senador dezenas de vezes. Mas também é reconhecidamente um dos maiores fisiologistas políticos e um coronel à moda antiga; fazendo do senado quase uma sucursal de uma de suas vastíssimas propriedades.

Ao defendê-lo abertamente e a declarar que “um denuncismo” tomou conta da nação (quando existem provas cabais e gritantes das irregularidades cometidas); Lula mostra claramente a sua opção a favor dos corruptos e sua visão equivocada de que os poderosos não precisam responder por seus crimes e deslizes.

Cabe a nós como cidadãos, eleitores e brasileiros conscientes fazer com que o presidente e os senadores entendam, de uma vez por todas, que queremos um senado limpo e sem coronéis. Queremos que as irregularidades sejam apuradas e os culpados punidos realmente. Queremos o que querem esse grupo de senadores: apuração pela PF e punição exemplar para todos; funcionários e políticos.

Mas, para que isso ocorra é necessário que você faça a sua parte e mostre o seu desejo. Ao assistir a uma entrevista do senador Cristóvam Buarque onde ele confirmou o fato de que um senador se move, mais rapidamente, ao receber centenas ou milhares de e-mails e cartas em sua caixa postal; vamos “mandar ver” e pegar uma carona na ideia da Thaís e aderir a uma nova campanha de e-mails.

Desta vez a ideia e enviar uma série de e-mails com uma mensagem de texto e uma imagem (ambas estão abaixo); mostrando claramente muito mais do que a nossa indignação: a nossa revolta e a nossa exigência por apurações e punições. As partes a seguir foram copiadas na íntegra do Blog O Mundo By Thaís, deste artigo.

Participe!

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Imagem:

Pessoas comuns - Recado Para Lula

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Mensagem:

Texto:

“Exmo. Sr.,
Esta é a quarta campanha de mobilização política que promovemos pela internet. Somos um grupo de brasileiros, conectados pela rede e pelo nosso patriotismo. Menosprezados pelo Deputado Sérgio Moraes, somos conhecidos também como Opinião Pública.
Gostaríamos de saber como as “pessoas comuns” desse país devem ser tratadas?

Atenciosamente,

Opinião Pública”

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Destinatários:

Sen. Aloizio Mercadante (Líder de Bancada)

Sen. Alvaro Dias (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Antônio Carlos Valadares (Líder de Bancada)

Sen. Arthur Virgílio (Propôs a reforma administrativa do Senado e líder de Bancada)

Sen. Cristovam Buarque (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Gim Argello (Líder de Bancada)

Sen. João Ribeiro (Líder de Bancada)

Sen. José Agripino (Líder de Bancada)

Sen. José Nery (Líder de Bancada)

Sen. José Sarney (Presidente do Senado)

Sen. Jarbas Vasconcelos (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Inácio Arruda (Líder de Bancada)

Sen. Francisco Dornelles (Líder de Bancada)

Sen. Mercelo Crivella (Líder de Bancada)

Sen. Osmar Dias (Líder de Bancada)

Sen. Pedro Simon (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Renan Calheiros (Líder de Bancada)

Sen. Renato Casagrande (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Romero Jucá (Líder do Governo no Senado)

Sen. Sérgio Guerra (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Tasso Jereissati (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Tião Viana (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Dep. Michel Temer (Presidente da Câmara dos Deputados)

Presidente Lula

E-mail geral do Senado

PS: Aglutinei os e-mails para facilitar!

mercadante@senador.gov.br, alvarodias@senador.gov.br, antval@senador.gov.br, arthur.virgilio@senador.gov.br, cristovam@senador.gov.br, gim.argello@senador.gov.br, joaoribeiro@senador.gov.br, jose.agripino@senador.gov.br, josenery@senador.gov.br, sarney@senador.gov.br, jarbas.vasconcelos@senador.gov.br, inacioarruda@senador.gov.br, francisco.dornelles@senador.gov.br, crivella@senador.gov.br, osmardias@senador.gov.br, simon@senador.gov.br, renan.calheiros@senador.gov.br, renatoc@senador.gov.br, romero.juca@senador.gov.br, sergio.guerra@senador.gov.br, tasso.jereissati@senador.gov.br, tiao.viana@senador.gov.br, dep.micheltemer@camara.gov.br, protocolo@planalto.gov.br, webmaster.secs@senado.gov.br

SARNEY, O JEITINHO E A CONVERSA PRA BOI DORMIR.

 

 

José Sarney

 

Nesta terça-feira (16/06/09) assistimos a mais uma cena ridícula no plenário do Senado Federal. Depois do teatro digno de uma peça de William Shakespeare protagonizado pelo ex-senador Joaquim Roriz que chorou e esperneou na tribuna com uma representação perfeita do personagem Odorico Paraguaçu (O Bem Amado de Dias Gomes). Aos prantos o senador se dizia injustiçado e que sempre deu de comer aos pobres. faltou apenas explicar as gravações onde sua voz era ouvida, a alto e bom som, negociando a partilha de uma fortuna em propinas pagas pelo empresário Nenê Constantino. Veja o Vídeo; é simplesmente hilário e uma demonstração clássica de como é um cara-de-pau em seu habitat natural.

 

 

Assim como Roriz e todo político apanhado em calças curtas, Sarney apela para a “família” e para “sua história” como homem público. Além disso, clama aos céus que a imprensa o persegue e que “o Senado é maior do que tudo”. (Leia o discurso na íntegra)

Dizem as “más línguas” que esse discurso é vendido pré-pronto nas bancas de jornais em Brasília e que o político precisa apenas preencher algumas lacunas para tê-lo completo e pronto para uso.

Eles sempre apelam para “tremeliques”, para problemas de saúde e para a “sua história política” porque sabem que o povo não tem memória. Afinal de contas, poucos se lembram que Sarney já foi presidente do Senado diversas vezes e que a maior parte da diretoria, execrada agora por ele, subiu ao posto em que se encontra por suas próprias mãos. Os diretores com participação central nas últimas denúncias foram nomeados por Sarney. E, mesmo que não fossem, é pueril imaginar que qualquer cidadão esclarecido se convencerá de que um reles funcionário ou chefe de setor resolveu (por sua própria conta e risco) contrariar a Constituição e um número enorme de leis para contratar pessoas e empresas (que nem estão ligadas a ele em muitos casos) através de atos secretos e ilegais. Sem que nenhuma outra autoridade do Senado ou da mesa diretora tivesse qualquer conhecimento disso.

Ao se dizer vítima da inveja por ter, entre outras coisas, “uma família bem composta, que tem prezado a sua vida para a dignidade”; Sarney conta, mais uma vez, com a falta de memória do brasileiro que nem deve se lembrar que seus filhos foram investigados e estão sendo processados por inúmeros delitos como: lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro e contra a ordem tributária. Além do que foi, na administração de Roseana Sarney que a SUDAM foi extinta e uma enorme quantia em dinheiro (R$ 44 milhões) sumiu do órgão e se “materializou” no cofre do genro de Sarney.  (Veja outros escândalos envolvendo a ativa governadora)

O trecho “ (…) Então, vê-se agora a pessoa sendo julgada, porque uma neta minha e um neto meu…E, por isso, querem me julgar perante a opinião pública deste País? É de certo modo a gente ter uma falta de respeito pelos homens públicos que nós temos. Se temos erros? Eu não devo deixar de ter erros, mas, esses, eu acho que constituem extrema injustiça (…)”; é especialmente emblemático porque mostra a mentalidade de que o homem público está acima de tudo. Se há uma lei proibindo a contratação de parentes; violá-la é um crime e deve ser punido.

 

Sarney e o Coronelismo

 

Quando se refere a fatos ocorridos na Inglaterra e na reunião que teve com membros do parlamento francês, envolvendo denúncias e privilégios dados a parlamentares, é triste assistir a um senador da envergadura de José Sarney (um ex-presidente) achar que desvios de conduta e de caráter podem ser desprezados e justificados simplesmente porque acontecem em outros países. A diferença, caro senador, é que em países mais evoluídos e com uma população mais politicamente ativa que o nosso, a punição não tarda e não falha. Políticos com ideias nada republicanas sobre seus mandatos e o dinheiro público, normalmente, costumam ser banidos da vida política ou mesmo presos dependendo da gravidade de seus atos. Por lá não existem recursos protelatórios infindáveis e, muito menos, juízes e promotores que tenham medo de processar autoridades ou que chamem criminosos de “vossas excelências”. E é justamente isso que nos falta.

Como cidadão e como brasileiro preocupado com os rumos do meu país; encarei o discurso do senador Jose Sarney como algo constrangedor e uma verdadeira ode a nulidade ética e ao coronelismo ultrapassado.

Uma única palavra seria suficiente para resumir todo discurso de Sarney: vergonha.

E você leitor, o que pensa disso?

JOAQUIM BARBOSA, O MEDO E AS COISAS ENGRAÇADAS.

 

 

Nota do Editor: Esse é o artigo que foi publicado ontem com erros e que agora está devidamente redigido. Mais uma vez, agradeço a compreensão de todos e os “afagos” recebidos depois da minha “derrapada”.

 

 

Justiça Infantil

 

Lendo as revistas políticas nesse final de semana, me deparei com a seguinte notinha escondida “num canto de página” numa delas: ”Políticos se articulam para limitar o poder do Tribunal Superior Eleitoral”.

Imediatamente me vieram a lembrança as declarações do ministro Carlos Ayres Britto sobre os candidatos “ficha suja” e sua luta, diante do Supremo Tribunal Federal, para que esses candidatos fossem impedidos de concorrer a qualquer cargo eletivo.

Se fosse apenas esse episódio, acredito que muitos políticos sequer se coçariam para tentar impedir qualquer outra coisa em relação ao TSE. Até porque a vontade de Carlos Ayres Britto (e de muitos de nós) fora esmagada diante da compreensão equivocada dada a matéria no Supremo. Talvez “nossos representantes” estivessem ciosos das inúmeras cassações promovidas pelo TSE e pela exposição de figuras famosas da política nacional ao ridículo da perda de mandato (e consequente inelegibilidade) por todo tipo de irregularidades apresentadas em suas campanhas eleitorais.   

Mas, mesmo diante do brilhante papel representado pelo ministro Ayres Britto, a preocupação dos parlamentares ainda me pareceu exagerada e “fora de contexto”. Afinal de contas, inúmeros outros casos graves de corrupção e de desmandos passaram quase incólumes pelo TSE por algum detalhe técnico, falta de agenda ou mesmo graças a manobras dos réus que dificultaram o julgamento ou a tomada de decisão por parte dos ministros.

O motivo de todo o alarde e de toda preocupação com o poder que uma corte suprema tem não se deve, em absoluto, as decisões “estranhas” ou draconianas tomadas pelo ministro Ayres Britto. A luta pela redução do poder do Tribunal Superior Eleitoral também não é motivada pela suspeição lançada sobre o tribunal. Nem mesmo os gastos elevados e as despesas supérfluas foram a justificativa para a preocupação “cívica” dos nobres parlamentares.

A verdadeira causa da luta por “melhor fiscalização” e “menor poder” para o TSE; tem uma justificativa bem plausível e que pode ser resumida numa única imagem aterrorizante para a maioria dos políticos brasileiros:

 

Joaquim Barbosa

 

Isso mesmo. É este homem de ar compenetrado e que foi empossado no STF muito mais com a intenção de ser “o primeiro negro” na corte suprema brasileira e uma figura meramente ilustrativa para marcar “os avanços” da “raça”. Numa dessas visões de importância que “líderes” dos “movimentos raciais” dão a cor da pele das pessoas. Mas que acabou se convertendo no maior pesadelo dos corruptos e dos influentes e abastados.

Muito mais importante do que ser negro, branco ou verde; Joaquim Barbosa é um homem honesto e que “entende do riscado”. Tanto é que a animosidade demonstrada por Gilmar Mendes em relação à ele é muito mais antiga e calcada na mais pura inveja. Joaquim Barbosa sempre foi considerado mais capaz do que Mendes, sendo inclusive seu superior hierárquico nos tempos de Procuradoria da República.

Um homem “de peito” e que não se preocupa em agradar figuras influentes da política e da sociedade. Responsável pela “elevação” a condição de réus de vários políticos tarimbados e influentes, Joaquim Barbosa, converteu-se no verdadeiro terror dos corruptos e dos sangue-sugas que adoram uma boa e velha mamata.

Mas, afinal de contas, por que esse pessoal está tão preocupado com esse ministro carrancudo? Na realidade é bem simples, caro leitor: em 2010 Joaquim Barbosa será presidente do TSE e sucederá o ministro Ayres Britto.

 

O Poder da Justiça

 

Mais uma vez, basta aparecer um homem honesto e de honra, disposto a expor publicamente as mazelas das elites que dominam nossa política e nossa sociedade e que, ainda por cima, tem o poder e a coragem para usá-lo em prol da justiça verdadeira e do bem comum, para que as forças do atraso e do mal entrem em maquinações e em planejamentos mil para tentarem impedir que essas mazelas e seus autores sejam punidos.

O ministro Joaquim Barbosa será um verdadeiro “pé no saco” desse pessoal. Ele já vem tirando o sono de “muita gente boa” e que adora ser chamada de “vossa excelência”, enquanto mete a mão em gordas propinas e grandes comissões. É sempre ele que pega os casos mais “cabeludos” e complexos e o único que teve a coragem de enquadrar as figuras influentes no caso do mensalão.

Já passou da hora de nossa corte suprema recuperar a Hombridade (assim mesmo; com maiúscula) e a coragem de impor-se além e acima dos interesses de uma pequena elite e de ricaços pegos “de calças arriadas” pela lei. Capitaneando o TSE, Joaquim Barbosa, será um verdadeiro pesadelo para os corruptos e políticos que adoram comprar votos e enganar os eleitores. Implacável em suas decisões, a perspectiva de ter de encarar o único ministro que teve coragem suficiente para desafiar Gilmar Mendes já põe muita gente “de cabelo em pé” em Brasília.

Negro, branco ou verde; Joaquim Barbosa tem algo que anda meio sumido da vida pública brasileira. Algo que encanta e comove os corações mais céticos e mais endurecidos pela violência sem caráter da impunidade e da parcialidade que alguns juízes demonstram. Algo que todos deveríamos ter; mas que, ultimamente, se transformou num objeto raro e numa qualidade quase inatingível para a quase totalidade dos homens públicos brasileiros: Caráter e competência.

E isso, caro leitor, pode provocar arrepios de terror em muita gente boa.

Pense nisso.

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