Visão Panorâmica

SARNEY, SENADO E SAFADEZAS.

 

 

Senado e Safadeza

 

Finalmente alguém se mexeu e um pedido formal de julgamento foi posto na mesa do “Conselho de Ética” (isso mesmo, entre aspas. Afinal de contas ética é algo quase desconhecido no Senado Federal). Depois da situação chegar a níveis insustentáveis e que beiram ao colapso institucional (sem nenhum alarmismo); o senador Arthur Virgílio entrou com o pedido de investigação após ter sido denunciado como beneficiário das maracutaias dos ex-diretores Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi, por meio de uma reportagem publicada neste final de semana.

A verdade é que a tentativa de calar ou de intimidar os senadores descontentes, com a comum prática de divulgar o “rabo preso” de todo mundo, não deu certo. E, com as provas esmagadoras dos desvios cometidos por Sarney e (segundo palavras de Arthur Virgílio) dos bandidos que ele indicou para a diretoria do senado; a situação de Sarney está muito pior do que o “inocente” presidente Lula pode pensar. Mesmo com os insistentes comandos vindos do Planalto para que o PT apóie Sarney “até a morte” (quem te viu e quem te vê), Sarney vive um momento extremamente delicado.

Em paralelo a isso, cresce pelo país a indignação do eleitorado mais consciente e manifestações de repúdio começam a se avolumar e a espalharem-se pela Internet. No Twitter já há a tag (#forasarney) que é colocada em cada mensagem enviada e que fará com que a frase fique estampada nos “Trending Topics”. Já há também um site onde o internauta pode comentar e extravasar a sua raiva contra o bigode mais odiado da nação e solicitar que esse velho coronel peça o seu boné e retire-se do senado; enquanto ainda pode esperar fazê-lo com alguma dignidade.

 

Sarney e Seus Funcionários

 

Como não podia deixar de ser o site já diz ao que veio até no nome: FORA SARNEY! Também há um perfil no Twitter especial para o FORA SARNEY e um fórum do FORA SARNEY onde se pode conseguir informações sobre protestos e passeatas. Basta agora que você faça a sua parte e mostre sua indignação e seu protesto contra esse senhor que age como se ainda vivêssemos no século XIX ou nos tempos do feudalismo.

No entanto, é importante salientar que a figura de José Sarney é apenas um ícone desse mal e da perversidade com que os cofres públicos são tratados por esses senhores. Afinal de contas, é impossível conceber que dois meros funcionários (mesmo tendo cargos poderosos) tenham feito tudo o que fizeram (durante quinze anos) sem o conhecimento e o apoio complacente de nenhum senador ou de nenhum membro das mesas diretoras que se sucederam durante todo esse período.

Também é importante lembrar que o cargo de Senador da República é majoritário. Ou seja, para ser um senador é preciso ter uma votação expressiva em seu estado. Por isso, é uma ilusão culpar apenas Sarney, seus amigos e parentes (assim como qualquer outro senador envolvido). O principal culpado somos nós. Pois, ao votar sem considerar o comportamento do político em sua vida privada ou pública, damos a eles a ideia de que tudo podem e de que não nos importamos quando nos roubam. Sarney foi eleito e reeleito e seu modo de agir (como o de muitos outros) não é algo novo ou inusitado; é frequente e corriqueiro para a maioria dos senadores que lá estão. Por isso, se desejamos um Senado melhor e mais capaz, temos de ser um eleitorado melhor e mais capaz. Cobrando ética e respeito a coisa pública e punindo com o “não voto” aqueles políticos que se desviem do que desejamos. Enquanto senadores, deputados e demais políticos se sentirem livres e “absolvidos pelas urnas”, o Brasil nunca mudará.

 

Sarney Michael Jackson     

 

O simples fato do diretor Agaciel Maia fornecer “socorro financeiro” para alguns senadores e ser tratado, por muitos, como “senador”; dá ao caso a sua real abrangência e a sua potencial virulência e gravidade. Paira sobre o Senado Federal uma suspeição nunca vista na nossa história e, desse sentimento, nada de bom pode advir. Os últimos acontecimentos em Honduras poderão até dar o tom do que se esperar por aqui se as coisas continuarem rumando para o abismo sem fundo de agora. Uma crise de confiança generalizada e instituições paralisadas pela corrupção e pela inércia, poderá acender a chama que (todos esperamos que não) parece ainda estar presente sobre as jovens democracias de nosso continente.

Esperemos que esse seja o momento em que os partidos políticos brasileiros percebam que, com a Internet e a liberdade de expressão, é praticamente impossível esconder-se qualquer informação ou escândalo por muito tempo. Assim sendo, desejamos que comecem a estudar melhor os candidatos postulantes a cargos eletivos e que não entreguem suas legendas a qualquer marginal que esteja disposto a pagar por ela.

Ao mesmo tempo, exigir a punição exemplar de funcionários e senadores envolvidos deve ser a tônica de todos nós, a cada minuto do dia. Os gastos do Senado, e dos demais poderes, ultrapassam o absurdo. Dinheiro público é jogado fora em altíssimos salários (um segurança do senado pode ganhar mais do que um general do exército; um motorista mais do que um piloto de jato comercial; um ascensorista ganha mais do que o presidente Lula e o copeiro – serve café e água – ganha mais do que um maître de um restaurante cinco estrelas em São Paulo); em mordomias injustificáveis e em gastos meramente particulares. (Fonte: Veja (01/07) nº 26; pág. 79)

A mudança do cidadão, provocará a mudança nos partidos e acabará provocando a mudança na qualidade dos políticos. Infelizmente esse é um processo demorado, sendo capaz de provocar muitos efeitos colaterais ao longo do tempo e de causar enormes dores de cabeça para todos nós.

Mas deve começar algum dia. Que seja agora então.

Pense nisso.

MICHAEL JACKSON, O ÍDOLO, O FENÔMENO E O ATORMENTADO.

 

 

Michael Jackson

Quem lê o Visão Panorâmica sabe que ele não é um blog de celebridades e nem voltado para a música. Muito menos me dedico a capturar audiência através dos hypes que andam pela Internet e podem levar milhares de leitores para um blog. Justamente por isso escolhi publicar este artigo hoje, porque a “onda hype” já deve ter diminuído e gostaria de compartilhar com os leitores do Visão Panorâmica a minha opinião sobre o acontecido.

Como todo adolescente que viveu o fim dos anos de 1970 e início da década de 1980; Michael Jackson foi fonte de alegrias, entretenimento e momentos de pura libidinagem ao lado de algumas namoradas.

Observar, ao longo de minha vida, a forma quase dantesca com a qual ele transformou o seu corpo e todas as mazelas emocionais, legais e de toda ordem que pululavam em sua vida, foi uma experiência que só pode ser compreendida agora; já na minha maturidade.

A grande verdade, em minha opinião, é que Michael Jackson só era ele mesmo nos palcos. Apenas sob os holofotes e aplausos do público ele era feliz e vivo. Lá, ele estava acima dos preconceitos e das cobranças; das mentiras e das verdades; de tudo que não era a sua verdadeira paixão: a música.

Independente de pesarem sobre ele sérias denúncias de pedofilia e abusos contra menores, a verdade mesmo é que nada foi provado. Até porque, numa sociedade como a americana, os acordos extrajudiciais calavam a boca de testemunhas e familiares e, por sua vez, não podiam eximir o cantor do ataque de oportunistas.

Verdade ou mentira, seus problemas pessoais eram esquecidos ou ofuscados quando a sua genialidade musical tinha espaço para aflorar e se manifestar. Nos palcos, o atormentado e frágil menino explorado e maltratado se transformava num deus brilhante e benévolo. Pronto a compartilhar de sua grandeza com os pobres mortais que o adoravam. A dança, a música, a técnica e a criatividade perdem muito com a morte de M. Jackson.

Deixo claro que julgo aqui o artista. O gênio inquieto e atormentado por fantasmas de seu passado. O ídolo que esbanjava graça, simplicidade e simpatia. Um ser humano que, com defeitos e virtudes, contribuiu para o avanço das artes musicais e para o surgimento de uma identidade musical em seu país totalmente diferente de tudo o que havia antes dele.

 

 

A Morte de Michael Jackson

 

Como alguns outros grandes gênios musicais da humanidade, Michael Jackson morre jovem. Como Hendrix, Joplin, Elvis, Lennon e tantos outros; ele sai da vida e se transforma num tipo de ser diferente. Um semideus alçado a categoria de divindade por milhões de admiradores e fãs ao redor do planeta. Alguém que daqui a cinquenta, cem ou mais anos talvez continue a ser lembrado como gênio inovador e mestre no que fazia.

Alguém disse que, para ser um gênio, é preciso antes de tudo ser um atormentado e um inconformado com o mundo que o cerca. E vemos isso com total clareza na figura do menino negro franzino e de fala macia que apanhava do pai para ensaiar; saído do gueto do racismo estúpido americano e que acabou fazendo até os mais reticentes engolirem o seu talento e a sua força artística gigantesca.    

Antes de erigirmos estátuas oportunistas e cantarmos hinos, devemos entender o que ele tinha na alma de artista. Ver com seus olhos sonhadores e pensar suas ideias de um mundo melhor, sem preconceitos, sem ódio, sem crianças espancadas, mortas ou lutando nas guerras, um mundo onde o ser humano fosse apenas isso… humano.

O homem teve defeitos e deixa dúvidas. Atormentado pela mídia, por seu passado e por seu presente, o artista conseguiu superar isso tudo e passar para a história como alguém irrepreensível no que fazia e um mago das multidões.

Para o homem, o pano desceu e o show acabou. Mas, para a lenda, a eternidade apenas começou.

 

 

Adeus a Michael Jackson

MILÍCIAS, MILICIANOS E O MAL INFILTRADO.

 

 

Milícias Cariocas

Nas últimas eleições municipais, uma realidade dramática veio à tona no Rio de Janeiro. Grupos armados, conhecidos como milícias, estavam obrigando comunidades inteiras a votar em determinados candidatos a vereador, como forma de consolidar sua atuação e de garantir um poder político que lhes desse respaldo.

Os candidatos dos milicianos e traficantes foram expostos, identificados e cassados. Mas, devido a mentalidade tacanha do STF, foram reconduzidos para a posição de candidatos e acabaram eleitos.

A visão de que bastaria uma ação pontual das autoridades eleitorais, para evitar que esses candidatos ganhassem as eleições, mostrou-se errada porque simplesmente era uma burrice imaginar a ideia de habitantes de comunidades conflagradas e abandonadas pelo poder público arriscando suas vidas ao confiarem na palavra de juízes eleitorais que, após as eleições, retornariam às suas mansões e os deixariam a mercê da sanha de vingança do pessoal derrotado.

Quem tem de viver com a violência, quase a sua porta todos os dias, despreza argumentos que não sejam violentos e definitivos. Pois sabem que, enquanto as autoridades e juízes vão embora, os milicianos e traficantes retornam para “fazer justiça” e “punir” os “traidores”.

O resultado prático foi a eleição fácil de quase todos eles. E, desses candidatos, Carminha Jerominho (PT do B) era a principal e a mais emblemática. Considerada a herdeira de seu pai (o ex-vereador Jerônimo Guimarães  (PMDB), o Jerominho), e sobrinha do ex-deputado estadual Natalino Guimarães (ex-DEM), ambos presos acusados de liderar a milícia Liga da Justiça.

Somente agora o TRE conseguiu cassar o seu mandato, baseando-se em ilícitos cometidos pela vereadora na arrecadação de fundos para a sua campanha. O problema é que todos os atos efetuados por ela continuarão valendo normalmente e mesmo a decisão, ordenando a sua destituição de imediato, bastará um simples recurso a instância superior para mantê-la no cargo até o julgamento final da ação. O que, na prática, não deverá ser feito até que seu mandato termine.

 

 

Milícias no Rio de Janeiro

 

É preciso que a nossa justiça eleitoral e os senhores ministros do STF (como última instância da justiça brasileira), entendam que o exercício de um cargo público deve ser reservado apenas a pessoas idôneas. Colocar os direitos individuais de um único cidadão acima dos direitos coletivos de toda uma cidade, estado ou nação é um erro de julgamento imperdoável.

Também é importante que os partidos políticos compreendam que não podem entregar suas legendas para qualquer escroque ou canalha concorrer a um cargo no executivo ou no legislativo. E, aqui, não falamos apenas de partidos nanicos e de aluguel. Falamos de partidos grandes como o DEM e o PMDB. Somente quando os partidos forem responsabilizados pelos atos de seus integrantes, sendo obrigados a indenizar os cofres públicos em caso de desvios de verbas e corrupção, essa inconveniente falta de critério acabará. (afinal de contas, o mandato não é do partido?)

Mas, o principal mesmo, é resolver a fonte primordial de toda a fraqueza desse sistema podre: Nós.

Os eleitores brasileiros têm que entender a sua responsabilidade nisso tudo. Afinal de contas, candidatos corruptos, escroques e bandidos não forçam e usurpam a sua entrada na política e o seu acesso aos cofres públicos. Somos nós, os eleitores, que lhes entregamos as chaves. Somos nós, que depois morreremos nas filas dos hospitais sucateados e abandonados; nas favelas violentas; nos assaltos nas ruas e casas; na educação que torna os pobres escravos e de todas as injustiças que vivemos criticando, mas sempre aceitamos calados e mansos. Somos nós os nossos algozes e os nossos próprios torturadores.

Ao votar, pesquise o passado do seu candidato. Veja se ele já esteve envolvido em falcatruas, mamatas e afins. Não vote no mais bonito, no mais engraçado, no mais esquisito ou no que te deu alguma coisa. Não absolva ninguém nas urnas. Valorize o seu voto e a sua opinião. Pare de só reclamar e faça a sua parte. Você é obrigado a votar; então, vote consciente.

Pense nisso.

RATOS, BARATAS, SENADORES E COISAS INCRÍVEIS.

 

Kit Boquinha do Sarney

 

Quem já teve problemas com ratos e baratas em casa sabe que, quando achamos o centro da infestação (o ninho) e jogamos luz sobre essas criaturas nojentas, elas começam a correr em todas as direções e se apressam a esconderem-se onde der. Qualquer frestinha escura ou cantinho inacessível a nós é a salvação para um desses animais.

Pois é, o Senado da República parece exatamente uma dessas casas. Bastou jogar uma luz sobre os tais “atos secretos” que logo uma quantidade enorme de ratos, baratas e outros bichos nojentos começaram a correr para todos os lados. Um acusando o outro tentando, com sua atitude, enfurnar-se numa fresta escura e escapar da possível degola que se aproxima.

São funcionários que recebem quatro contra-cheques, com pagamentos superiores a 29 mil reais (portanto, acima do teto máximo legal); funcionários que moram no exterior e recebem “horas extras” pelo seu incrível trabalho envolvendo os milagrosos poderes mediúnicos da viagem astral; funcionários que são lotados no senado, mas que trabalham, na verdade, como empregados particulares de senadores e de seus familiares; contratação de parentes, amigos e amigos dos amigos e tudo mais que a criatividade dos corruptos brasileiros puder imaginar. Afinal de contas, como todo bom livro de auto-ajuda diz: “tudo que existe começou na imaginação de alguém”.

E, no senado, não é diferente. Tudo o que existe de ruim ali, começou na imaginação de três homens: José Sarney, Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi. Seja por ação ou omissão o ex-presidente do Brasil e do senado, José Sarney, é diretamente responsável por esses acontecimentos pelo simples fato de que partiu dele a nomeação desses senhores e cabia a ele a fiscalização de seus atos.

Legalmente não se pode afirmar que Sarney tenha “culpa no cartório” (nem que seja só para o blogueiro escapar de um processo). Mas, é no mínimo curioso como seu nome está tão intrinsecamente ligado a esses escândalos. É o mordomo da filha; é a sobrinha que mora no exterior; é o netinho que precisa trabalhar e por aí vai…

 

Lula e as Pessoas Comuns

 

Como um dos principais representantes do velho jeito de fazer política e do coronelismo “beija-mão”; Sarney cumpre o papel que se esperava dele. E tratar a “coisa pública” como propriedade destinada a engordar os seus é (e sempre foi) o objetivo de todo coronel.

O que não devia acontecer e, infelizmente, está acontecendo; é o próprio corregedor da casa (Senador Romeu Tuma) se curvar diante de toda essa verdadeira lambança e afirmar a plenos pulmões que não investigará Sarney porque não há indícios suficientes para isso (veja aqui). Isso é muito mais inacreditável quando parte de um delegado da Polícia Federal que está “careca” de saber que há muito mais do que “indícios”.

Na verdade, há muito mais do que simples elementos que justifiquem a abertura de um inquérito contra Sarney. Vários dos atos secretos (que são inconstitucionais e criminosos) tiveram como objetivo beneficiar a ele e a seus familiares. Como se trata de uma irregularidade clara e de uma violação da constituição; não há defesa e as provas estão aí para quem quiser ver.

Tuma ainda diz: “Ele (Sarney) está determinando a apuração dos fatos”. Que validade legal isso pode ter. Como o suspeito pode se “autoinvestigar” e ser responsável pelo controle de todo aparato investigativo, testemunhas, provas, etc…? Como se não bastasse, o corregedor continua: “Houve uma disputa política pela Presidência do Senado e ela dividiu os funcionários que tinham responsabilidade moral de fiscalizar os atos. Agora, eles estão denunciando para desmoralizar um ao outro”. (veja aqui)

E daí? Simplesmente pelo fato de que há uma disputa política são desprezadas denúncias gravíssimas e de fácil comprovação? E o crime de violação da constituição? Esse já é tácito e patente pelo simples fato de terem existido atos secretos. Toda mesa diretora (desde a emissão do primeiro ato) deveria não só ser investigada como punida.

 

Congressistas brasileiros

Tudo leva a crer que há um imenso, grosso e cabeludo “rabo preso” em toda essa história. Algo que o senador Arthur Virgílio veio a público denunciar, com veemência e seriedade assustadoras. Colocando em xeque toda a direção do senado e a capacidade de muitos senadores de manterem o seu mandato. Imaginar que dois homens possam, graças as suas informações, chantagear todo um grupo de senadores e colocar uma das mais importantes instituições brasileiras de joelhos é algo que coloca todo o Senado Federal sob suspeição e desconfiança; indo muito mais além do que a “mera” corrupção e pairando pelo gravíssimo crime de traição.

Afinal de contas, se controlam os senadores; controlam o senado e seus atos. Incorrendo em graves riscos para a estabilidade institucional e para a manutenção da legalidade em nosso país. (veja aqui)

É importante perceber o delicado momento em que vivemos, porque em 1964, fatos muito menos graves do que esses acenderam o estopim que levou ao golpe militar e jogou nosso país num dos momentos mais negros de sua história.

Mesmo achando que os tempos são outros e que não há lideranças militares dispostas ou corajosas o suficiente para repetir a “façanha”; cabe a nós brasileiros sérios pressionar para que tudo seja apurado e que esses ratos sejam retirados do senado.

É uma pena perceber que, mesmo tendo custado tão caro, a nossa liberdade é violentada e despreza a cada instante e a cada ato desses canalhas aproveitadores que tomaram conta da nossa política com a ajuda e o empenho de uma massa de eleitores desatentos e irresponsáveis. A democracia é mais do que isso. Vemos, nos países que não a veneram, como ela faz falta. Sentimos na pele como é viver sob o tacão de um ditador e muitos de nós pereceram para que pudéssemos ter o direito de escolher nossos representantes e de nos expressarmos livremente.

É nosso dever ter o mínimo de responsabilidade, compreensão e empenho para que nada tenha sido em vão.

Pense nisso.

SARNEY, LULA, O SENADO, O POVO E O CERCO QUE SE APERTA.

 

 

Sarney Não Quer Ver

A enxurrada de denúncias envolvendo senadores, funcionários e empresas terceirizadas no Senado Federal já dá ares de que se tornará uma enorme dor de cabeça para José Sarney. Muito mais do que se indignar e de discursar a mesma lenga-lenga que todo político apanhado com as calças na mão; Sarney terá de analisar um “pedido” (na prática quase uma ordem) que foi protocolado por um grupo de senadores que não engoliu a balela de família e de história política.

Muito mais tomados de um espírito público e praticidade próprias de quem adora chutar um cachorro morto, esse grupo de senadores (composto por Cristóvam Buarque, Tasso Jereissati e outros de diversos partidos como o PSDB, PT, PMDB, PSB, PDT). Como se pode perceber é uma frente multipartidária que, se for ignorada, poderá provocar grandes problemas para Sarney, Renan e seu grupo.

A exigência de investigação externa e de participação da Polícia Federal é o ponto mais polêmico. Contudo é primordial que assim seja; já que qualquer investigação realizada apenas pelo Senado já nascerá morta pelo simples fato de que é impossível garantir-se qualquer isenção e idoneidade numa investigação assim.

 

 

Sarney é Limpeza

 

Muito mais suspeição e gravidade, tem a questão de quem ficará responsável pela investigação, quando o próprio presidente da nação vem a público e diz que José Sarney “está acima do bem e do mal”. Em suas exatas palavras, o presidente Lula disse: “Eu penso que o Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”.

O problema é que ele é exatamente isso: Uma pessoa como outra qualquer. Pelo menos é o que determina a Constituição Federal.

Nós brasileiros temos que combater com firmeza essa ideia atrasada de que algumas pessoas podem mais do que as outras ou que, por ocuparem cargos importantes, estão acima da lei e podem ser poupadas de suspeitas e investigações. A verdade é que deve-se pensar justamente ao contrário. Quanto mais importante e poderoso; mais deve ser fiscalizado e punido em caso de deslizes. É assim em qualquer nação evoluída e civilizada. A corrupção é um mau inerente ao ser humano. Não podemos achar que o simples fato de alguém ocupar (ou ter ocupado) um cargo importante ou uma posição de destaque transformará esse alguém em um santo.

Sarney pode ter sido presidente, pode ter sido presidente do senado por três vezes e ser senador dezenas de vezes. Mas também é reconhecidamente um dos maiores fisiologistas políticos e um coronel à moda antiga; fazendo do senado quase uma sucursal de uma de suas vastíssimas propriedades.

Ao defendê-lo abertamente e a declarar que “um denuncismo” tomou conta da nação (quando existem provas cabais e gritantes das irregularidades cometidas); Lula mostra claramente a sua opção a favor dos corruptos e sua visão equivocada de que os poderosos não precisam responder por seus crimes e deslizes.

Cabe a nós como cidadãos, eleitores e brasileiros conscientes fazer com que o presidente e os senadores entendam, de uma vez por todas, que queremos um senado limpo e sem coronéis. Queremos que as irregularidades sejam apuradas e os culpados punidos realmente. Queremos o que querem esse grupo de senadores: apuração pela PF e punição exemplar para todos; funcionários e políticos.

Mas, para que isso ocorra é necessário que você faça a sua parte e mostre o seu desejo. Ao assistir a uma entrevista do senador Cristóvam Buarque onde ele confirmou o fato de que um senador se move, mais rapidamente, ao receber centenas ou milhares de e-mails e cartas em sua caixa postal; vamos “mandar ver” e pegar uma carona na ideia da Thaís e aderir a uma nova campanha de e-mails.

Desta vez a ideia e enviar uma série de e-mails com uma mensagem de texto e uma imagem (ambas estão abaixo); mostrando claramente muito mais do que a nossa indignação: a nossa revolta e a nossa exigência por apurações e punições. As partes a seguir foram copiadas na íntegra do Blog O Mundo By Thaís, deste artigo.

Participe!

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Imagem:

Pessoas comuns - Recado Para Lula

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Mensagem:

Texto:

“Exmo. Sr.,
Esta é a quarta campanha de mobilização política que promovemos pela internet. Somos um grupo de brasileiros, conectados pela rede e pelo nosso patriotismo. Menosprezados pelo Deputado Sérgio Moraes, somos conhecidos também como Opinião Pública.
Gostaríamos de saber como as “pessoas comuns” desse país devem ser tratadas?

Atenciosamente,

Opinião Pública”

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Destinatários:

Sen. Aloizio Mercadante (Líder de Bancada)

Sen. Alvaro Dias (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Antônio Carlos Valadares (Líder de Bancada)

Sen. Arthur Virgílio (Propôs a reforma administrativa do Senado e líder de Bancada)

Sen. Cristovam Buarque (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Gim Argello (Líder de Bancada)

Sen. João Ribeiro (Líder de Bancada)

Sen. José Agripino (Líder de Bancada)

Sen. José Nery (Líder de Bancada)

Sen. José Sarney (Presidente do Senado)

Sen. Jarbas Vasconcelos (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Inácio Arruda (Líder de Bancada)

Sen. Francisco Dornelles (Líder de Bancada)

Sen. Mercelo Crivella (Líder de Bancada)

Sen. Osmar Dias (Líder de Bancada)

Sen. Pedro Simon (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Renan Calheiros (Líder de Bancada)

Sen. Renato Casagrande (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Romero Jucá (Líder do Governo no Senado)

Sen. Sérgio Guerra (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Tasso Jereissati (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Sen. Tião Viana (Propôs a reforma administrativa do Senado)

Dep. Michel Temer (Presidente da Câmara dos Deputados)

Presidente Lula

E-mail geral do Senado

PS: Aglutinei os e-mails para facilitar!

mercadante@senador.gov.br, alvarodias@senador.gov.br, antval@senador.gov.br, arthur.virgilio@senador.gov.br, cristovam@senador.gov.br, gim.argello@senador.gov.br, joaoribeiro@senador.gov.br, jose.agripino@senador.gov.br, josenery@senador.gov.br, sarney@senador.gov.br, jarbas.vasconcelos@senador.gov.br, inacioarruda@senador.gov.br, francisco.dornelles@senador.gov.br, crivella@senador.gov.br, osmardias@senador.gov.br, simon@senador.gov.br, renan.calheiros@senador.gov.br, renatoc@senador.gov.br, romero.juca@senador.gov.br, sergio.guerra@senador.gov.br, tasso.jereissati@senador.gov.br, tiao.viana@senador.gov.br, dep.micheltemer@camara.gov.br, protocolo@planalto.gov.br, webmaster.secs@senado.gov.br

SARNEY, O JEITINHO E A CONVERSA PRA BOI DORMIR.

 

 

José Sarney

 

Nesta terça-feira (16/06/09) assistimos a mais uma cena ridícula no plenário do Senado Federal. Depois do teatro digno de uma peça de William Shakespeare protagonizado pelo ex-senador Joaquim Roriz que chorou e esperneou na tribuna com uma representação perfeita do personagem Odorico Paraguaçu (O Bem Amado de Dias Gomes). Aos prantos o senador se dizia injustiçado e que sempre deu de comer aos pobres. faltou apenas explicar as gravações onde sua voz era ouvida, a alto e bom som, negociando a partilha de uma fortuna em propinas pagas pelo empresário Nenê Constantino. Veja o Vídeo; é simplesmente hilário e uma demonstração clássica de como é um cara-de-pau em seu habitat natural.

 

 

Assim como Roriz e todo político apanhado em calças curtas, Sarney apela para a “família” e para “sua história” como homem público. Além disso, clama aos céus que a imprensa o persegue e que “o Senado é maior do que tudo”. (Leia o discurso na íntegra)

Dizem as “más línguas” que esse discurso é vendido pré-pronto nas bancas de jornais em Brasília e que o político precisa apenas preencher algumas lacunas para tê-lo completo e pronto para uso.

Eles sempre apelam para “tremeliques”, para problemas de saúde e para a “sua história política” porque sabem que o povo não tem memória. Afinal de contas, poucos se lembram que Sarney já foi presidente do Senado diversas vezes e que a maior parte da diretoria, execrada agora por ele, subiu ao posto em que se encontra por suas próprias mãos. Os diretores com participação central nas últimas denúncias foram nomeados por Sarney. E, mesmo que não fossem, é pueril imaginar que qualquer cidadão esclarecido se convencerá de que um reles funcionário ou chefe de setor resolveu (por sua própria conta e risco) contrariar a Constituição e um número enorme de leis para contratar pessoas e empresas (que nem estão ligadas a ele em muitos casos) através de atos secretos e ilegais. Sem que nenhuma outra autoridade do Senado ou da mesa diretora tivesse qualquer conhecimento disso.

Ao se dizer vítima da inveja por ter, entre outras coisas, “uma família bem composta, que tem prezado a sua vida para a dignidade”; Sarney conta, mais uma vez, com a falta de memória do brasileiro que nem deve se lembrar que seus filhos foram investigados e estão sendo processados por inúmeros delitos como: lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro e contra a ordem tributária. Além do que foi, na administração de Roseana Sarney que a SUDAM foi extinta e uma enorme quantia em dinheiro (R$ 44 milhões) sumiu do órgão e se “materializou” no cofre do genro de Sarney.  (Veja outros escândalos envolvendo a ativa governadora)

O trecho “ (…) Então, vê-se agora a pessoa sendo julgada, porque uma neta minha e um neto meu…E, por isso, querem me julgar perante a opinião pública deste País? É de certo modo a gente ter uma falta de respeito pelos homens públicos que nós temos. Se temos erros? Eu não devo deixar de ter erros, mas, esses, eu acho que constituem extrema injustiça (…)”; é especialmente emblemático porque mostra a mentalidade de que o homem público está acima de tudo. Se há uma lei proibindo a contratação de parentes; violá-la é um crime e deve ser punido.

 

Sarney e o Coronelismo

 

Quando se refere a fatos ocorridos na Inglaterra e na reunião que teve com membros do parlamento francês, envolvendo denúncias e privilégios dados a parlamentares, é triste assistir a um senador da envergadura de José Sarney (um ex-presidente) achar que desvios de conduta e de caráter podem ser desprezados e justificados simplesmente porque acontecem em outros países. A diferença, caro senador, é que em países mais evoluídos e com uma população mais politicamente ativa que o nosso, a punição não tarda e não falha. Políticos com ideias nada republicanas sobre seus mandatos e o dinheiro público, normalmente, costumam ser banidos da vida política ou mesmo presos dependendo da gravidade de seus atos. Por lá não existem recursos protelatórios infindáveis e, muito menos, juízes e promotores que tenham medo de processar autoridades ou que chamem criminosos de “vossas excelências”. E é justamente isso que nos falta.

Como cidadão e como brasileiro preocupado com os rumos do meu país; encarei o discurso do senador Jose Sarney como algo constrangedor e uma verdadeira ode a nulidade ética e ao coronelismo ultrapassado.

Uma única palavra seria suficiente para resumir todo discurso de Sarney: vergonha.

E você leitor, o que pensa disso?

JOAQUIM BARBOSA, O MEDO E AS COISAS ENGRAÇADAS.

 

 

Nota do Editor: Esse é o artigo que foi publicado ontem com erros e que agora está devidamente redigido. Mais uma vez, agradeço a compreensão de todos e os “afagos” recebidos depois da minha “derrapada”.

 

 

Justiça Infantil

 

Lendo as revistas políticas nesse final de semana, me deparei com a seguinte notinha escondida “num canto de página” numa delas: ”Políticos se articulam para limitar o poder do Tribunal Superior Eleitoral”.

Imediatamente me vieram a lembrança as declarações do ministro Carlos Ayres Britto sobre os candidatos “ficha suja” e sua luta, diante do Supremo Tribunal Federal, para que esses candidatos fossem impedidos de concorrer a qualquer cargo eletivo.

Se fosse apenas esse episódio, acredito que muitos políticos sequer se coçariam para tentar impedir qualquer outra coisa em relação ao TSE. Até porque a vontade de Carlos Ayres Britto (e de muitos de nós) fora esmagada diante da compreensão equivocada dada a matéria no Supremo. Talvez “nossos representantes” estivessem ciosos das inúmeras cassações promovidas pelo TSE e pela exposição de figuras famosas da política nacional ao ridículo da perda de mandato (e consequente inelegibilidade) por todo tipo de irregularidades apresentadas em suas campanhas eleitorais.   

Mas, mesmo diante do brilhante papel representado pelo ministro Ayres Britto, a preocupação dos parlamentares ainda me pareceu exagerada e “fora de contexto”. Afinal de contas, inúmeros outros casos graves de corrupção e de desmandos passaram quase incólumes pelo TSE por algum detalhe técnico, falta de agenda ou mesmo graças a manobras dos réus que dificultaram o julgamento ou a tomada de decisão por parte dos ministros.

O motivo de todo o alarde e de toda preocupação com o poder que uma corte suprema tem não se deve, em absoluto, as decisões “estranhas” ou draconianas tomadas pelo ministro Ayres Britto. A luta pela redução do poder do Tribunal Superior Eleitoral também não é motivada pela suspeição lançada sobre o tribunal. Nem mesmo os gastos elevados e as despesas supérfluas foram a justificativa para a preocupação “cívica” dos nobres parlamentares.

A verdadeira causa da luta por “melhor fiscalização” e “menor poder” para o TSE; tem uma justificativa bem plausível e que pode ser resumida numa única imagem aterrorizante para a maioria dos políticos brasileiros:

 

Joaquim Barbosa

 

Isso mesmo. É este homem de ar compenetrado e que foi empossado no STF muito mais com a intenção de ser “o primeiro negro” na corte suprema brasileira e uma figura meramente ilustrativa para marcar “os avanços” da “raça”. Numa dessas visões de importância que “líderes” dos “movimentos raciais” dão a cor da pele das pessoas. Mas que acabou se convertendo no maior pesadelo dos corruptos e dos influentes e abastados.

Muito mais importante do que ser negro, branco ou verde; Joaquim Barbosa é um homem honesto e que “entende do riscado”. Tanto é que a animosidade demonstrada por Gilmar Mendes em relação à ele é muito mais antiga e calcada na mais pura inveja. Joaquim Barbosa sempre foi considerado mais capaz do que Mendes, sendo inclusive seu superior hierárquico nos tempos de Procuradoria da República.

Um homem “de peito” e que não se preocupa em agradar figuras influentes da política e da sociedade. Responsável pela “elevação” a condição de réus de vários políticos tarimbados e influentes, Joaquim Barbosa, converteu-se no verdadeiro terror dos corruptos e dos sangue-sugas que adoram uma boa e velha mamata.

Mas, afinal de contas, por que esse pessoal está tão preocupado com esse ministro carrancudo? Na realidade é bem simples, caro leitor: em 2010 Joaquim Barbosa será presidente do TSE e sucederá o ministro Ayres Britto.

 

O Poder da Justiça

 

Mais uma vez, basta aparecer um homem honesto e de honra, disposto a expor publicamente as mazelas das elites que dominam nossa política e nossa sociedade e que, ainda por cima, tem o poder e a coragem para usá-lo em prol da justiça verdadeira e do bem comum, para que as forças do atraso e do mal entrem em maquinações e em planejamentos mil para tentarem impedir que essas mazelas e seus autores sejam punidos.

O ministro Joaquim Barbosa será um verdadeiro “pé no saco” desse pessoal. Ele já vem tirando o sono de “muita gente boa” e que adora ser chamada de “vossa excelência”, enquanto mete a mão em gordas propinas e grandes comissões. É sempre ele que pega os casos mais “cabeludos” e complexos e o único que teve a coragem de enquadrar as figuras influentes no caso do mensalão.

Já passou da hora de nossa corte suprema recuperar a Hombridade (assim mesmo; com maiúscula) e a coragem de impor-se além e acima dos interesses de uma pequena elite e de ricaços pegos “de calças arriadas” pela lei. Capitaneando o TSE, Joaquim Barbosa, será um verdadeiro pesadelo para os corruptos e políticos que adoram comprar votos e enganar os eleitores. Implacável em suas decisões, a perspectiva de ter de encarar o único ministro que teve coragem suficiente para desafiar Gilmar Mendes já põe muita gente “de cabelo em pé” em Brasília.

Negro, branco ou verde; Joaquim Barbosa tem algo que anda meio sumido da vida pública brasileira. Algo que encanta e comove os corações mais céticos e mais endurecidos pela violência sem caráter da impunidade e da parcialidade que alguns juízes demonstram. Algo que todos deveríamos ter; mas que, ultimamente, se transformou num objeto raro e numa qualidade quase inatingível para a quase totalidade dos homens públicos brasileiros: Caráter e competência.

E isso, caro leitor, pode provocar arrepios de terror em muita gente boa.

Pense nisso.

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