Nas últimas eleições municipais, uma realidade dramática veio à tona no Rio de Janeiro. Grupos armados, conhecidos como milícias, estavam obrigando comunidades inteiras a votar em determinados candidatos a vereador, como forma de consolidar sua atuação e de garantir um poder político que lhes desse respaldo.
Os candidatos dos milicianos e traficantes foram expostos, identificados e cassados. Mas, devido a mentalidade tacanha do STF, foram reconduzidos para a posição de candidatos e acabaram eleitos.
A visão de que bastaria uma ação pontual das autoridades eleitorais, para evitar que esses candidatos ganhassem as eleições, mostrou-se errada porque simplesmente era uma burrice imaginar a ideia de habitantes de comunidades conflagradas e abandonadas pelo poder público arriscando suas vidas ao confiarem na palavra de juízes eleitorais que, após as eleições, retornariam às suas mansões e os deixariam a mercê da sanha de vingança do pessoal derrotado.
Quem tem de viver com a violência, quase a sua porta todos os dias, despreza argumentos que não sejam violentos e definitivos. Pois sabem que, enquanto as autoridades e juízes vão embora, os milicianos e traficantes retornam para “fazer justiça” e “punir” os “traidores”.
O resultado prático foi a eleição fácil de quase todos eles. E, desses candidatos, Carminha Jerominho (PT do B) era a principal e a mais emblemática. Considerada a herdeira de seu pai (o ex-vereador Jerônimo Guimarães (PMDB), o Jerominho), e sobrinha do ex-deputado estadual Natalino Guimarães (ex-DEM), ambos presos acusados de liderar a milícia Liga da Justiça.
Somente agora o TRE conseguiu cassar o seu mandato, baseando-se em ilícitos cometidos pela vereadora na arrecadação de fundos para a sua campanha. O problema é que todos os atos efetuados por ela continuarão valendo normalmente e mesmo a decisão, ordenando a sua destituição de imediato, bastará um simples recurso a instância superior para mantê-la no cargo até o julgamento final da ação. O que, na prática, não deverá ser feito até que seu mandato termine.
É preciso que a nossa justiça eleitoral e os senhores ministros do STF (como última instância da justiça brasileira), entendam que o exercício de um cargo público deve ser reservado apenas a pessoas idôneas. Colocar os direitos individuais de um único cidadão acima dos direitos coletivos de toda uma cidade, estado ou nação é um erro de julgamento imperdoável.
Também é importante que os partidos políticos compreendam que não podem entregar suas legendas para qualquer escroque ou canalha concorrer a um cargo no executivo ou no legislativo. E, aqui, não falamos apenas de partidos nanicos e de aluguel. Falamos de partidos grandes como o DEM e o PMDB. Somente quando os partidos forem responsabilizados pelos atos de seus integrantes, sendo obrigados a indenizar os cofres públicos em caso de desvios de verbas e corrupção, essa inconveniente falta de critério acabará. (afinal de contas, o mandato não é do partido?)
Mas, o principal mesmo, é resolver a fonte primordial de toda a fraqueza desse sistema podre: Nós.
Os eleitores brasileiros têm que entender a sua responsabilidade nisso tudo. Afinal de contas, candidatos corruptos, escroques e bandidos não forçam e usurpam a sua entrada na política e o seu acesso aos cofres públicos. Somos nós, os eleitores, que lhes entregamos as chaves. Somos nós, que depois morreremos nas filas dos hospitais sucateados e abandonados; nas favelas violentas; nos assaltos nas ruas e casas; na educação que torna os pobres escravos e de todas as injustiças que vivemos criticando, mas sempre aceitamos calados e mansos. Somos nós os nossos algozes e os nossos próprios torturadores.
Ao votar, pesquise o passado do seu candidato. Veja se ele já esteve envolvido em falcatruas, mamatas e afins. Não vote no mais bonito, no mais engraçado, no mais esquisito ou no que te deu alguma coisa. Não absolva ninguém nas urnas. Valorize o seu voto e a sua opinião. Pare de só reclamar e faça a sua parte. Você é obrigado a votar; então, vote consciente.
Pense nisso.
















