Visão Panorâmica

HOMOSSEXUALIDADE, ÍNDIA E UMA LIÇÃO DE BOM SENSO.

 

 

GANESH

 

A Índia é uma país de enormes contrastes e pontilhado por religiões e seitas tão divergentes em suas filosofias que, qualquer tentativa de acordo, sempre esbarra em enorme violência e numa grande confusão. Fanatismo, intolerância e ideias ultrapassadas se embatem violentamente contra pensamentos progressistas, quebras de preconceitos milenares e novas descobertas da ciência que jogam por terra verdades religiosas tidas como dogmas inquebrantáveis. Foi assim em todos os grandes momentos históricos e impossibilidade de conseguir-se um pensamento conciliatório levou até a ruptura territorial do país e sua fragmentação com a criação do Paquistão após a independência indiana em meados do século XX. Essa ruptura foi, inclusive, um dos grandes motivos de desgosto para o grande Mahatma Gandhi e acabou levando ao seu assassinato por um grupo de fanáticos hindus. (A morte de Gandhi foi realizada para “o bem da Índia”. Eles afirmavam que o herói da independência indiana precisava morrer porque traiu os hindus ao apoiar a criação do Paquistão. Para Gopal Godse (o único sobrevivente do grupo) os ideais de Gandhi, como pacifismo, tolerância religiosa e honestidade na vida pública, eram parte de uma conspiração que permitiria que os hindus fossem massacrados pelos muçulmanos. Godse queria uma Índia sem muçulmanos e com controle sobre o território do Paquistão. Fonte BBC -  Brasil)

Esse grau de fanatismo, que não consegue reconhecer sequer alguém como Gandhi, impediu durante anos que a Índia se libertasse da miséria e do atraso que lhe prendia ao século XIX. Somente com a visão de homens e mulheres corajosos, que arriscaram a própria vida (alguns chegaram a pagar esse preço) e de suas famílias; aos poucos o bom senso e a prevalência do Estado e a razão sobre a religião e o fanatismo começa e ser imposta.

 

Gays na Índia

 

Assim como há alguns anos com as leis que proibiam a discriminação por casta e outros avanços sociais, a Suprema Corte Indiana acabou de enterrar a lei de 1860 que dava aos homossexuais indianos a tarja de criminosos e os punia com prisão. O argumento para tal foi a simples aplicação da ciência e do bom senso: A AIDS vem avançando na Índia e com a criminalização do homossexualismo, vários portadores do vírus e indianos que adoeciam, escondiam sua doença ou mascaravam dados sobre o seu contágio com medo de serem presos ou de sofrerem retaliações pesadas por parte do Estado e de indivíduos.

Mesmo ainda tendo um efeito local (Nova Deli), essa decisão cria jurisprudência e determina, na prática, uma enorme margem de manobra para a comunidade gay indiana. As forças religiosas (como era de se esperar) ficaram raivosas e ensaiam protestos veementes e manifestações de rua para que Corte Suprema reverta a sua decisão.

Para que haja uma ideia do quanto o homossexualismo é tabu e desperta preconceito na Índia, essa decisão foi uma das poucas coisas que conseguiu unir os fanáticos muçulmanos, cristãos e hindus em prol de uma mesma causa. Ódios de séculos foram esquecidos para que todos lutassem contra “o grande inimigo”.

 

gays, lésbicas e simpatizantes 

 

Pouco importa se milhares morrem de AIDS e de outras doenças ligadas a promiscuidade. O que interessa para essa gente é viver uma mentira e uma enganação num mundo de faz de conta. Assim como em outros países que adotam a religião como fundamento da lei (islâmicos e orientais) que insistem em dizer que por lá “não há impuros” ou em outras sociedades em que o Estado simplesmente criminaliza o homossexualismo e diz que é uma doença ou não existe em seu território. Percebemos que um Estado quando pensa no bem comum e maior de seus cidadãos deve estar acima do pensamento retrógrado de religiosos, seitas e outros grupos sociais que tentam impedir medidas de saúde pública que devem refletir a realidade de um povo e buscar o seu bem maior.

Um tapa na cara de países como o Brasil, em que o homossexualismo não é crime; porém, as pressões religiosas ainda impedem a regularização e o reconhecimento de que homossexuais (e os casais homossexuais) existem e devem ter seus direitos respeitados e bem delimitados legalmente (herança, casamento, separação, adoção, etc…) ou  onde milhares de mulheres morrem todos os anos vítimas de abortos mal feitos e suas consequências; provocando gastos no sistema de saúde (e, portanto, do contribuinte) na casa dos milhões tratando das que sobrevivem a esses abortos. Tudo isso apenas porque as entidades religiosas conseguem, com a força de seu lobby do atraso, evitar o fornecimento de medidas contraceptivas eficientes, educação sexual para jovens e adultos e não permitem o oferecimento de políticas para o controle de natalidade baratas e ao alcance de mulheres de todas as idades e classes sociais.

Mesmo sendo particularmente contrário ao aborto; entendo o procedimento como uma medida de saúde pública que, como tal, deve estar a disposição de quem o procure e o deseja. Os problemas espirituais, por ventura advindos da prática, devem ser de exclusiva responsabilidade de quem optar por ela (é uma decisão de foro íntimo). Eu, como Estado ou como indivíduo, não tenho o direito de proibir que outro indivíduo trate seu corpo como bem entender.

E você leitor, o que pensa disso?

HONDURAS, GOLPE E O PÂNICO VERDE-OLIVA.

 

 

Pânico Verde-Oliva

 

Seção III
Da Responsabilidade do Presidente da República

 

Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:

I – a existência da União;

II – o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;

III – o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;

IV – a segurança interna do País;

V – a probidade na administração;

VI – a lei orçamentária;

VII – o cumprimento das leis e das decisões judiciais.

Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e julgamento.

Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.

§ 1º – O Presidente ficará suspenso de suas funções:

I – nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal;

II – nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.

§ 2º – Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo.

§ 3º – Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o Presidente da República não estará sujeito a prisão.

§ 4º – O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.

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O trecho que você lê acima foi retirado da Constituição da República Federativa do Brasil. Como não consegui um exemplar e nem algum site com a Constituição de Honduras, resolvi colocar essa seção de nossa própria constituição para mostrar a vocês que todas as constituições preveem a hipótese de retirada do presidente do poder. Tudo legalmente e dentro do mais profundo senso democrático que prevê a observância das leis e a defesa da constituição e da normalidade legal dentro de um país.

Portanto, antes de gritarmos com o coro de espavoridos contra o golpe hondurenho; vamos aos fatos de que temos conhecimento até agora:

 

  1. “El Presidente” desejava, à moda Chávez, eternizar-se no poder através de uma alteração na constituição hondurenha. O projeto foi aprovado no Legislativo. Porém, a Corte Suprema hondurenha (o STF de lá) disse que a emenda era ilegal e inválida em sentença judicial regular.
  2. “El Presidente” manda um grande “dane-se” ao supremo e diz que, mesmo tendo havido a condenação constitucional da proposta, ele a levará a cabo.
  3. A Corte Suprema hondurenha, dentro das atribuições constitucionais, determina que “El Presidente” seja afastado do poder para que uma investigação de crime de responsabilidade (ou o termo constitucional apropriado para eles) seja encaminhada.
  4. “El Presidente”, mais uma vez, diz que não vai sair do palácio. Afinal de contas foi eleito e goza de ampla maioria popular; o Judiciário que se dane.
  5. A Corte Suprema, então, convoca a força mais poderosa do país (e que jura defender a constituição e a república) – leia-se militares – e ordena que “El Presidente” seja afastado com o uso da força.

 

Isso é um golpe ou a defesa da constituição e um ato totalmente legal previsto na legislação de qualquer país?

 

Militares e Militarismo

 

 

Transportemos para as terras tupiniquins em nossa hipótese:

Digamos que a PEC do Terceiro Mandato de Lula seja aprovada. Algum oposicionista, usando uma firula legal qualquer, consegue através do STF uma declaração de inconstitucionalidade e invalida a PEC. Lula, bate no peito e diz: “Tenho 200% de popularidade. Quem é o STF para me julgar? A PEC vale e o referendo ocorrerá normalmente. Isso é uma palhaçada”.

Gilmar Mendes, apoiado na seção da constituição que você leu acima (grifados), declara crime de responsabilidade e a Câmara dos Deputados autoriza a abertura do processo. O Senado julga procedente e condena Lula a perder o mandato.

Lula, mais uma vez apoiado em toda a sua popularidade, diz que não sai do palácio e que foi eleito com 100% dos votos.

O que o STF e o Legislativo devem fazer?

 

a) Enfiarem a viola no saco, rasgarem a constituição e submeterem-se aos desejos de Lula?

b) Convocarem uma força policial poderosa o suficiente para ir contra qualquer outra que apóie Lula?

 

Nesse caso a resposta legal e correta é a “b”. E quem é essa “força policial superior”? Constitucionalmente, são as forças armadas.

Agora pergunto mais uma vez: Isso é um golpe ou é apenas a manutenção da normalidade constitucional?

 

Honduras

O que está acontecendo, em quase toda mídia, é que o “pânico verde-oliva” se instalou. Por um erro grave, tanto estratégico como de inteligência, a Suprema Corte hondurenha e o seu tacanho presidente do Congresso (agora presidente do país), não vieram a público logo após o acontecido para expor claramente as causas e todo o trâmite processual que levou a deposição do antigo presidente. E, por um raciocínio simplista, se teve militar “na parada” e não foi no dia da independência; é golpe.

Quer por prepotência, arrogância extrema ou mera burrice, eles deram tempo ao presidente deposto Manuel Zelaya de contar ao mundo apenas a sua versão. Apoiado por Chávez e todos os presidentes do continente, que temem uma retomada da sanha militar pelo poder; o que seria um ato constitucional normal a qualquer país, transformou-se num golpe militar.

Como um mestre da propaganda, Chávez rapidamente uniu forças com todos os presidentes mais chegados a ele e fomentou a ideia do golpe. Por sua vez, o novo governo hondurenho, coroado de total incompetência, cumpriu o excelente papel de idiota ao dar força a essa ideia optando por censurar todos os meios de imprensa possíveis e imagináveis. Aumentando ainda mais o medo e o “Pânico Verde-Oliva” de que os militares estivessem dominando tudo e calando a boca de todos com a sola das botas.

O mal agora foi feito e será muito difícil o governo hondurenho reverter a burrice que fez. Mesmo que resistam a enorme pressão internacional; os imbecis acabaram cirando uma coisa que nem Chávez imaginava: Uma união total do continente Sul, Centro e Norte Americano em prol de sua deposição.

Num mundo onde a informação viaja na velocidade da luz e qualquer “Zé Mané” da esquina, com um celular de terceira, pode transmitir para o mundo a sua visão dos fatos; optar por tentar calar e controlar a informação, quando você agiu aparentemente dentro da legalidade, é uma burrice e um erro estratégico sem tamanho.

Se tivessem vindo a público e esclarecido, ponto a ponto, o que havia ocorrido; reforçando o fato de que agiram dentro dos limites constitucionais e que as forças militares foram usadas apenas a pedido da Corte Suprema, como agentes legais do poder e guardiões da legalidade constitucional, nada disso estaria acontecendo e o pânico criado em torno desse fato jamais teria se firmado.

O “Grande Satã” do “Pânico Verde-Oliva” é justamente o receio de que os militares vejam algo assim ser coroado de sucesso e resolvam “consertar” problemas em outros países do continente, mesmo sem o apoio constitucional, como já tentaram no passado. E isso, caro leitor, causa pesadelos atrozes em muitos políticos populares, populistas e em muita “gente boa” por aí.

E você; o que pensa disso?

 

“ARTICULO 239.- El ciudadano que haya desempeñado la titularidad del Poder Ejecutivo no podrá ser Presidente o Designado. El que quebrante esta disposición o proponga su reforma, así como aquellos que lo apoyen directa o indirectamente, cesarán de inmediato en el desempeño de sus respectivos cargos, y quedarán inhabilitados por diez años para el ejercicio de toda función pública”.

 

Ou, em outra palavras, aquele que exerceu a chefia do Poder Executivo não o poderá ser novamente e se violar esta regra, ou pretender que ela seja alterada, perderá de imediato o mandato, ficando inabilitado para o exercício de qualquer função pública por dez anos.Fonte Blog Direito e Trabalho

 

Nota do Editor: Recomendo a leitura do excelente artigo o Blog Direito e Trabalho do Juiz Jorge Alberto Araujo .

SARNEY, SENADO E SAFADEZAS.

 

 

Senado e Safadeza

 

Finalmente alguém se mexeu e um pedido formal de julgamento foi posto na mesa do “Conselho de Ética” (isso mesmo, entre aspas. Afinal de contas ética é algo quase desconhecido no Senado Federal). Depois da situação chegar a níveis insustentáveis e que beiram ao colapso institucional (sem nenhum alarmismo); o senador Arthur Virgílio entrou com o pedido de investigação após ter sido denunciado como beneficiário das maracutaias dos ex-diretores Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi, por meio de uma reportagem publicada neste final de semana.

A verdade é que a tentativa de calar ou de intimidar os senadores descontentes, com a comum prática de divulgar o “rabo preso” de todo mundo, não deu certo. E, com as provas esmagadoras dos desvios cometidos por Sarney e (segundo palavras de Arthur Virgílio) dos bandidos que ele indicou para a diretoria do senado; a situação de Sarney está muito pior do que o “inocente” presidente Lula pode pensar. Mesmo com os insistentes comandos vindos do Planalto para que o PT apóie Sarney “até a morte” (quem te viu e quem te vê), Sarney vive um momento extremamente delicado.

Em paralelo a isso, cresce pelo país a indignação do eleitorado mais consciente e manifestações de repúdio começam a se avolumar e a espalharem-se pela Internet. No Twitter já há a tag (#forasarney) que é colocada em cada mensagem enviada e que fará com que a frase fique estampada nos “Trending Topics”. Já há também um site onde o internauta pode comentar e extravasar a sua raiva contra o bigode mais odiado da nação e solicitar que esse velho coronel peça o seu boné e retire-se do senado; enquanto ainda pode esperar fazê-lo com alguma dignidade.

 

Sarney e Seus Funcionários

 

Como não podia deixar de ser o site já diz ao que veio até no nome: FORA SARNEY! Também há um perfil no Twitter especial para o FORA SARNEY e um fórum do FORA SARNEY onde se pode conseguir informações sobre protestos e passeatas. Basta agora que você faça a sua parte e mostre sua indignação e seu protesto contra esse senhor que age como se ainda vivêssemos no século XIX ou nos tempos do feudalismo.

No entanto, é importante salientar que a figura de José Sarney é apenas um ícone desse mal e da perversidade com que os cofres públicos são tratados por esses senhores. Afinal de contas, é impossível conceber que dois meros funcionários (mesmo tendo cargos poderosos) tenham feito tudo o que fizeram (durante quinze anos) sem o conhecimento e o apoio complacente de nenhum senador ou de nenhum membro das mesas diretoras que se sucederam durante todo esse período.

Também é importante lembrar que o cargo de Senador da República é majoritário. Ou seja, para ser um senador é preciso ter uma votação expressiva em seu estado. Por isso, é uma ilusão culpar apenas Sarney, seus amigos e parentes (assim como qualquer outro senador envolvido). O principal culpado somos nós. Pois, ao votar sem considerar o comportamento do político em sua vida privada ou pública, damos a eles a ideia de que tudo podem e de que não nos importamos quando nos roubam. Sarney foi eleito e reeleito e seu modo de agir (como o de muitos outros) não é algo novo ou inusitado; é frequente e corriqueiro para a maioria dos senadores que lá estão. Por isso, se desejamos um Senado melhor e mais capaz, temos de ser um eleitorado melhor e mais capaz. Cobrando ética e respeito a coisa pública e punindo com o “não voto” aqueles políticos que se desviem do que desejamos. Enquanto senadores, deputados e demais políticos se sentirem livres e “absolvidos pelas urnas”, o Brasil nunca mudará.

 

Sarney Michael Jackson     

 

O simples fato do diretor Agaciel Maia fornecer “socorro financeiro” para alguns senadores e ser tratado, por muitos, como “senador”; dá ao caso a sua real abrangência e a sua potencial virulência e gravidade. Paira sobre o Senado Federal uma suspeição nunca vista na nossa história e, desse sentimento, nada de bom pode advir. Os últimos acontecimentos em Honduras poderão até dar o tom do que se esperar por aqui se as coisas continuarem rumando para o abismo sem fundo de agora. Uma crise de confiança generalizada e instituições paralisadas pela corrupção e pela inércia, poderá acender a chama que (todos esperamos que não) parece ainda estar presente sobre as jovens democracias de nosso continente.

Esperemos que esse seja o momento em que os partidos políticos brasileiros percebam que, com a Internet e a liberdade de expressão, é praticamente impossível esconder-se qualquer informação ou escândalo por muito tempo. Assim sendo, desejamos que comecem a estudar melhor os candidatos postulantes a cargos eletivos e que não entreguem suas legendas a qualquer marginal que esteja disposto a pagar por ela.

Ao mesmo tempo, exigir a punição exemplar de funcionários e senadores envolvidos deve ser a tônica de todos nós, a cada minuto do dia. Os gastos do Senado, e dos demais poderes, ultrapassam o absurdo. Dinheiro público é jogado fora em altíssimos salários (um segurança do senado pode ganhar mais do que um general do exército; um motorista mais do que um piloto de jato comercial; um ascensorista ganha mais do que o presidente Lula e o copeiro – serve café e água – ganha mais do que um maître de um restaurante cinco estrelas em São Paulo); em mordomias injustificáveis e em gastos meramente particulares. (Fonte: Veja (01/07) nº 26; pág. 79)

A mudança do cidadão, provocará a mudança nos partidos e acabará provocando a mudança na qualidade dos políticos. Infelizmente esse é um processo demorado, sendo capaz de provocar muitos efeitos colaterais ao longo do tempo e de causar enormes dores de cabeça para todos nós.

Mas deve começar algum dia. Que seja agora então.

Pense nisso.

MICHAEL JACKSON, O ÍDOLO, O FENÔMENO E O ATORMENTADO.

 

 

Michael Jackson

Quem lê o Visão Panorâmica sabe que ele não é um blog de celebridades e nem voltado para a música. Muito menos me dedico a capturar audiência através dos hypes que andam pela Internet e podem levar milhares de leitores para um blog. Justamente por isso escolhi publicar este artigo hoje, porque a “onda hype” já deve ter diminuído e gostaria de compartilhar com os leitores do Visão Panorâmica a minha opinião sobre o acontecido.

Como todo adolescente que viveu o fim dos anos de 1970 e início da década de 1980; Michael Jackson foi fonte de alegrias, entretenimento e momentos de pura libidinagem ao lado de algumas namoradas.

Observar, ao longo de minha vida, a forma quase dantesca com a qual ele transformou o seu corpo e todas as mazelas emocionais, legais e de toda ordem que pululavam em sua vida, foi uma experiência que só pode ser compreendida agora; já na minha maturidade.

A grande verdade, em minha opinião, é que Michael Jackson só era ele mesmo nos palcos. Apenas sob os holofotes e aplausos do público ele era feliz e vivo. Lá, ele estava acima dos preconceitos e das cobranças; das mentiras e das verdades; de tudo que não era a sua verdadeira paixão: a música.

Independente de pesarem sobre ele sérias denúncias de pedofilia e abusos contra menores, a verdade mesmo é que nada foi provado. Até porque, numa sociedade como a americana, os acordos extrajudiciais calavam a boca de testemunhas e familiares e, por sua vez, não podiam eximir o cantor do ataque de oportunistas.

Verdade ou mentira, seus problemas pessoais eram esquecidos ou ofuscados quando a sua genialidade musical tinha espaço para aflorar e se manifestar. Nos palcos, o atormentado e frágil menino explorado e maltratado se transformava num deus brilhante e benévolo. Pronto a compartilhar de sua grandeza com os pobres mortais que o adoravam. A dança, a música, a técnica e a criatividade perdem muito com a morte de M. Jackson.

Deixo claro que julgo aqui o artista. O gênio inquieto e atormentado por fantasmas de seu passado. O ídolo que esbanjava graça, simplicidade e simpatia. Um ser humano que, com defeitos e virtudes, contribuiu para o avanço das artes musicais e para o surgimento de uma identidade musical em seu país totalmente diferente de tudo o que havia antes dele.

 

 

A Morte de Michael Jackson

 

Como alguns outros grandes gênios musicais da humanidade, Michael Jackson morre jovem. Como Hendrix, Joplin, Elvis, Lennon e tantos outros; ele sai da vida e se transforma num tipo de ser diferente. Um semideus alçado a categoria de divindade por milhões de admiradores e fãs ao redor do planeta. Alguém que daqui a cinquenta, cem ou mais anos talvez continue a ser lembrado como gênio inovador e mestre no que fazia.

Alguém disse que, para ser um gênio, é preciso antes de tudo ser um atormentado e um inconformado com o mundo que o cerca. E vemos isso com total clareza na figura do menino negro franzino e de fala macia que apanhava do pai para ensaiar; saído do gueto do racismo estúpido americano e que acabou fazendo até os mais reticentes engolirem o seu talento e a sua força artística gigantesca.    

Antes de erigirmos estátuas oportunistas e cantarmos hinos, devemos entender o que ele tinha na alma de artista. Ver com seus olhos sonhadores e pensar suas ideias de um mundo melhor, sem preconceitos, sem ódio, sem crianças espancadas, mortas ou lutando nas guerras, um mundo onde o ser humano fosse apenas isso… humano.

O homem teve defeitos e deixa dúvidas. Atormentado pela mídia, por seu passado e por seu presente, o artista conseguiu superar isso tudo e passar para a história como alguém irrepreensível no que fazia e um mago das multidões.

Para o homem, o pano desceu e o show acabou. Mas, para a lenda, a eternidade apenas começou.

 

 

Adeus a Michael Jackson

DROGAS, ESCRAVIDÃO E A FARSA DA LIBERAÇÃO.

 

 

O Drama das Drogas

 

ESTE ARTIGO FAZ PARTE DA BLOGAGEM COLETIVA CONTRA AS DROGAS.

Hoje (26/06/2009) é o Dia Internacional Contra as Drogas. E o blog Visão Panorâmica faz coro com vários outros blogs na tentativa de lançar uma luz na escuridão que vem se tornando companheira de milhares de brasileiros que, diferentemente do que se diz por aí, sabem que as drogas fazem mal e conhecem os seus efeitos tóxicos; mas continuam mergulhados nesse universo de escravidão consentida.

A busca pelo prazer imediato, a fraqueza de caráter, problemas psicológicos ou meramente vontade de parecer “integrado” ao seu grupo social e a um círculo de amizades levam jovens e adultos para o caminho das drogas e uma grande parte mergulha num processo de autodestruição e escravidão que, inúmeras vezes, só acaba com a morte.

Famílias omissas ou desestruturadas, um Estado que absolutamente não liga para seus jovens e uma sociedade com valores morais decadentes e invertidos (onde você vale mais pelo que tem do que pelo que é; além de ser “esperto” e valorizado o transgressor e não a pessoa de caráter e ética) são os elementos que reforçam o apelo provocado pela sensação de falsa liberdade e prazer que as drogas provocam.

Aliado a tudo isso, vem a política suicida e errada de encarar o usuário de drogas como alguém que não tem culpa de nada. Uma vítima inocente que apenas fuma o seu baseado, queima a sua pedra ou toma o seu pico sem “incomodar ninguém”.

Essa mentalidade, patrocinada por alguns artistas, políticos e pessoas da sociedade reflete apenas a necessidade de evitar que seus próprio atos, filhos, conhecidos ou pessoas ligadas a eles sejam punidos pelo uso de drogas. O convencimento de que o drogado é um doente e que merece apenas tratamento é errado. Ele deve ser responsabilizado por seu atos sem qualquer paternalismo.

Ignorar o mal causado pelos usuários é tentar acabar com o problema sem atacar a principal razão de ser dele. Pois, sem demanda não há comércio que sobreviva. Além disso, “derrubar umas portas” nos condomínios luxuosos e nas mansões de Brasília também seria um duro golpe no tráfico brasileiro. Pois, imaginar que o morador da periferia ou dos morros viaja o mundo negociando carregamentos de drogas e de armas é muito mais do que burrice; é fingir que não se conhece onde está a raiz do problema.

Combater o tráfico de luxo, o tráfico de lazer, o tráfico nas periferias, atuar reprimindo os usuários (internando e tratando os doentes e punindo com serviços comunitários e depois prisão os reincidentes) é a forma correta de tratar um problema que vem apenas crescendo após a equivocada opção de abandonar a sociedade nas mãos dos usuários de drogas.

Mas, na Holanda as drogas leves são liberadas e não há esse problema – você pode dizer – no entanto não é bem assim. A experiência holandesa serviu apenas para mostrar que a liberação das drogas, como forma de combater a violência e o tráfico, é uma farsa e uma falácia. O governo holandês planeja fechar as lojas que vendem sementes de maconha e proibir a plantio e consumo doméstico. Mesmo as famosas Coffee Shops estão ameaçadas de fechamento; a política de liberação tão alardeada e usada como exemplo de sucesso pelo nosso ministro Carlos Minc, políticos favoráveis, admiradores e usuários da maconha não é tão bem sucedida assim. Duvida? Leia aqui.

 

 

 

Uma política séria, voltada para o combate as drogas, deve considerar todos os elementos dessa equação complicada e triste: O Usuário (que financia e capitaliza o traficante e a violência); as famílias (que devem educar e impor limites aos seus filhos sob pena de sofrerem ou se desintegrarem nas mãos de um viciado); o Estado (que reclama mas não cumpre o seu papel de fornecer meios para tratar de quem quer sair do vício e apoiar suas famílias) e a sociedade (que deve cumprir o seu papel de cobrar e fiscalizar o Estado, além de afastar de seu meio o traficante de alta roda.

Enquanto isso não for feito, estaremos fadados a ver nossas crianças dominadas pelo flagelo das drogas e as ruas de nossas cidades tomadas por uma multidão de escravos e zumbis que roubam, matam e cometem qualquer crime para satisfazer a sua ânsia pela próxima dose.

Pense nisso.

 

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Veja alguns depoimentos e vídeos que mostram como é inocente o consumo de drogas:

 

Eu vi minha irmã se acabando… eu tinha 16 anos e ela 17…. mas não desisti dela,,, lutei com tudo que eu tinha… não a abandonei… hoje ela ta casada e feliz… há 7 anos ela está livre… espero que você que falou que ta deixando consiga… não? te julgo cara… eu sei como é por que vi o sofrimento de minha irmã;… abraço a todos. (Fonte)

 

Hoje estou com 37 anos, casado e filhas lindas, minha família é uma benção graças a DEUS, agora que vem a bomba, quando eu tinha 12 anos entrei de cabeça nas drogas, sou de família humilde de pais trabalhadores minha mãe professora e meu pai era construtor, já falecido, tinha uma vida normal como de qualquer um Adolescente até conhecer esse mundo das drogas e do crime, aos quinze anos eu já era viciado em cocaína, como essa droga e muito cara tinha que praticar pequenos furtos e até mesmo dentro da minha casa para poder me drogar, minha família sempre ocupada não prestava muito atenção em mim e eu cada vez me afundando, eu já estava me furando tomando na veia cada dia mais, aos 18 anos não aguentando mais pedi ajuda para minha mãe, que teve um susto muito grande quando eu falei que eu era viciado e que eu achava q não tinha mais jeito, a primeira coisa que ela vez foi me internar numa clínica, mais eu sai da clínica e cai nas drogas com força total, eu já tinha sido detido algumas vez por coisas pequenas, mais eu estava ficando louco a cocaína era sempre meu objetivo, meu alvo de vida era me drogar, não via nenhuma chance de sair daquela situação, ai fui preso por roubo qualificado, assaltos era normal eu cometer, minha família cansada me colocou para fora de casa, fui morar nas ruas, sem ter um teto para dormir. Vivendo como mendigo. (Fonte)

 

Eu comecei o uso de drogas há quase 14 anos, mais precisamente na Copa do Mundo de futebol de 1994. O meu primeiro contato foi com maconha, achei aquele sentimento muito bom. Passei anos fumando diariamente, para tudo o que eu fosse fazer eu usava maconha.
Depois de um tempo conheci outras drogas como a cocaína, eu me sentia o melhor e mais forte homem de todo o mundo. Continuei com o uso da cocaína por certo tempo, foi quando eu conheci a pasta base (Crack).
Nesse momento o uso era freqüente e abusivo, então minha família resolveu me internar e vim para a clínica contra a minha vontade, mas ao participar das atividades aqui oferecidas e com o apoio dos psicólogos tracei um rumo para a minha vida, com o objetivo principal de não usar mais drogas.
Acreditei e acredito no potencial da equipe terapêutica e me entreguei de corpo e alma para este tratamento e sinto que esta sendo muito bom. Tenho certeza de que sairei daqui e vou conseguir me manter limpo. Também vou procurar ajuda em instituições especializadas para manter a minha sanidade mental.
Tenho fé em Deus que tudo se revolva em minha vida a partir do momento em que eu sair daqui. (Fonte)

 

 

Meu uso de drogas de vários anos foi interrompido com uma internação involuntária. Primeiramente gostaria de agradecer os meus familiares por intervirem em um momento em que eu me encontrava com muitas dificuldades.
Como cheguei no CT Viva de forma involuntária na primeira parte do tratamento tinha vontade de ir embora, mas depois que minha família veio me visitar e com as conversas com os terapeutas, abri meu coração para o tratamento.
Minha vida de adicto foi muito problemática, já tive overdose, mas estou vivo devido às ações da minha família que, com ajuda do Viva, me fez ver que a vida pode ser maravilhosa longe das drogas.
Eu comecei usando maconha e cocaína aos 16 anos, quando morava em Brasília, mas foi o crack que me destruiu. Sou formado em Direito, pós-graduado e atuo como policial civil. Essa doença pode atingir a todos e espero que muitas pessoas consigam se recuperar. O tratamento é necessário e no Viva existem excelentes profissionais.
Por fim deixo um errado para que os jovens não se iludam com as drogas e que não deixe sua vida chegar ao ponto que a minha chegou. (Fonte)

 

 

 

MILÍCIAS, MILICIANOS E O MAL INFILTRADO.

 

 

Milícias Cariocas

Nas últimas eleições municipais, uma realidade dramática veio à tona no Rio de Janeiro. Grupos armados, conhecidos como milícias, estavam obrigando comunidades inteiras a votar em determinados candidatos a vereador, como forma de consolidar sua atuação e de garantir um poder político que lhes desse respaldo.

Os candidatos dos milicianos e traficantes foram expostos, identificados e cassados. Mas, devido a mentalidade tacanha do STF, foram reconduzidos para a posição de candidatos e acabaram eleitos.

A visão de que bastaria uma ação pontual das autoridades eleitorais, para evitar que esses candidatos ganhassem as eleições, mostrou-se errada porque simplesmente era uma burrice imaginar a ideia de habitantes de comunidades conflagradas e abandonadas pelo poder público arriscando suas vidas ao confiarem na palavra de juízes eleitorais que, após as eleições, retornariam às suas mansões e os deixariam a mercê da sanha de vingança do pessoal derrotado.

Quem tem de viver com a violência, quase a sua porta todos os dias, despreza argumentos que não sejam violentos e definitivos. Pois sabem que, enquanto as autoridades e juízes vão embora, os milicianos e traficantes retornam para “fazer justiça” e “punir” os “traidores”.

O resultado prático foi a eleição fácil de quase todos eles. E, desses candidatos, Carminha Jerominho (PT do B) era a principal e a mais emblemática. Considerada a herdeira de seu pai (o ex-vereador Jerônimo Guimarães  (PMDB), o Jerominho), e sobrinha do ex-deputado estadual Natalino Guimarães (ex-DEM), ambos presos acusados de liderar a milícia Liga da Justiça.

Somente agora o TRE conseguiu cassar o seu mandato, baseando-se em ilícitos cometidos pela vereadora na arrecadação de fundos para a sua campanha. O problema é que todos os atos efetuados por ela continuarão valendo normalmente e mesmo a decisão, ordenando a sua destituição de imediato, bastará um simples recurso a instância superior para mantê-la no cargo até o julgamento final da ação. O que, na prática, não deverá ser feito até que seu mandato termine.

 

 

Milícias no Rio de Janeiro

 

É preciso que a nossa justiça eleitoral e os senhores ministros do STF (como última instância da justiça brasileira), entendam que o exercício de um cargo público deve ser reservado apenas a pessoas idôneas. Colocar os direitos individuais de um único cidadão acima dos direitos coletivos de toda uma cidade, estado ou nação é um erro de julgamento imperdoável.

Também é importante que os partidos políticos compreendam que não podem entregar suas legendas para qualquer escroque ou canalha concorrer a um cargo no executivo ou no legislativo. E, aqui, não falamos apenas de partidos nanicos e de aluguel. Falamos de partidos grandes como o DEM e o PMDB. Somente quando os partidos forem responsabilizados pelos atos de seus integrantes, sendo obrigados a indenizar os cofres públicos em caso de desvios de verbas e corrupção, essa inconveniente falta de critério acabará. (afinal de contas, o mandato não é do partido?)

Mas, o principal mesmo, é resolver a fonte primordial de toda a fraqueza desse sistema podre: Nós.

Os eleitores brasileiros têm que entender a sua responsabilidade nisso tudo. Afinal de contas, candidatos corruptos, escroques e bandidos não forçam e usurpam a sua entrada na política e o seu acesso aos cofres públicos. Somos nós, os eleitores, que lhes entregamos as chaves. Somos nós, que depois morreremos nas filas dos hospitais sucateados e abandonados; nas favelas violentas; nos assaltos nas ruas e casas; na educação que torna os pobres escravos e de todas as injustiças que vivemos criticando, mas sempre aceitamos calados e mansos. Somos nós os nossos algozes e os nossos próprios torturadores.

Ao votar, pesquise o passado do seu candidato. Veja se ele já esteve envolvido em falcatruas, mamatas e afins. Não vote no mais bonito, no mais engraçado, no mais esquisito ou no que te deu alguma coisa. Não absolva ninguém nas urnas. Valorize o seu voto e a sua opinião. Pare de só reclamar e faça a sua parte. Você é obrigado a votar; então, vote consciente.

Pense nisso.

PROSTITUIÇÃO INFANTIL, VERGONHA E A JUSTIÇA QUE NÃO PENSA.

 

 

Exploração Infantil

Você, caro leitor do sexo masculino, anda entediado? As gatinhas não te dão bola? Sua namorada te deu um fora e a vida está ruim para você?

Não se preocupe. Coloque uma bela roupa, saia de casa e vá até uma zona de prostituição. Chegando lá, despreze as prostitutas maiores e “pegue” uma garotinha. Sim, quanto mais novinha e “brotinho” melhor. De preferência, “pegue” uma em que as características sexuais ainda estejam despontando. Aliás, fazer sexo com crianças é “tudo de bom”.

PARE! Antes que você corra para me denunciar ou me amaldiçoe, até a última geração da minha família, eu explico.

Esse conselho, totalmente elaborado com o propósito de te chocar, foi dado para milhões de tarados, pedófilos, fracassados que adoram prostitutas e escroques que curtem e fomentam a prostituição infantil não foi dado por mim. Foi proposto por uma das Supremas Cortes Brasileiras.

Você pode pensar que eu estou louco, os jornalistas podem pensar que é a falta do diploma, os juristas rirão na minha cara e me chamarão de louco… mas… podem acreditar… é verdade.

A prostituição infantil acaba de ser liberada no Brasil e ganhou status de profissão (sem diploma). Vamos então sair às ruas e prostituir menores com o aval da justiça e dos sábios juízes do STJ. Vamos criar o programa “Jovem Aprendiz do Sexo”. Pois, segundo uma sentença proferida pelo “egrégio” tribunal, se eu não for o primeiro a pagar pelo sexo com a prostituta mirim; “está liberado”.

 

Pedofilia e Abuso Sexual de Menores

O mais incrível é que, apesar da prostituição não ser crime no Brasil; é crime pagar por sexo. Afinal de contas, a mulher é livre para fazer o que quiser com a sua sexualidade. Mas, ao pagar pelo sexo, o homem contribui para uma situação degradante e perigosa. Por isso a lei entende que pagar por sexo é crime e prostituir-se não.

No entanto, graças a decisão “brilhante” dos juízes do STJ, a partir de agora se você for pego com uma prostituta maior de idade você pode ser condenado a prisão (na prática isso já não ocorre). Mas, se a prostituta for menor de idade “tá limpo”. Isso mesmo, contrariando o próprio código penal, os juízes do STF sentenciaram pelo não cometimento de crime “por entender que cliente ou usuário de serviço oferecido por prostituta não se enquadra no crime previsto no artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”. Na prática, pagar por sexo com menores no Brasil deixou de ser crime.

A decisão foi provocada pela absolvição de dois canalhas pelo tribunal do Mato Grosso do Sul, cuja sentença foi ainda pior e revelou um enorme preconceito por parte do juiz local. Segundo ele "as prostitutas esperam o cliente na rua e já não são mais pessoas que gozam de uma boa imagem perante a sociedade". O magistrado afirma ainda que a "prostituição é uma profissão tão antiga que é considerada no meio social apenas um desregramento moral, mas jamais uma ilegalidade penal".

O mais inacreditável de tudo é que essa sentença seria ótima se essas menores fossem como tantos outros infratores que vagam pelas grandes cidades brasileiras, cometendo crimes terríveis e servindo de marionetes para os criminosos maiores. Para esses facínoras mirins, nosso Judiciário estende a proteção do ECA e os torna (praticamente) impunes. Mas, para quem mais precisa da proteção do estatuto, ele vira as costas e tenta encobrí-las com suas lindas togas farfalhantes.  

O caso assume ares de surreal quando os réus ainda foram condenados por posse de material pornográfico. Além de fazerem sexo com as menores, os imbecis as fotografaram nuas e foi apenas isso que os condenou. A promotora do caso ainda foi incisiva ao criticar a decisão falando que foi muito clara ao demonstrar que as meninas não tinham alternativa à prostituição e que não controlavam o destino de seus próprios corpos. (leia a notícia aqui)

 

Prostituição Infantil

 

A decisão estranha e completamente equivocada, além de banhada por um imenso preconceito, joga por terra todo o enorme trabalho que é feito por entidades e pessoas contra a pedofilia e a exploração de menores. A prostituição infantil é um câncer e uma vergonha que deve ser eliminada de nosso seio e ter, os indivíduos que a fomentam, rigorosamente punidos. Penas longas, cumpridas integralmente e julgamentos rápidos seriam a solução para esse problema.

Como pai de duas meninas e como cidadão, não posso entender como juízes que devem ser escolhidos por seu “elevado saber” proferem uma sentença ridícula e praticamente legalizam um crime previsto em lei. Ao desconsiderarem o fato de serem duas menores (uma de 12 e outra de 13 anos), nossos “nobres” juízes se ativeram apenas ao código penal que classifica a prostituição como “mal social” e esqueceram do caráter hediondo e cruel do ato.

Resta apenas a mudança da sentença pelo STF (e esperamos que ela ocorra). O que, se não ocorrer, nos jogará diretamente nos braços do turismo sexual; transformando nosso país na Meca dos pedófilos e tarados do mundo todo. Isso sem contar com a possibilidade de sermos expostos e condenados nos tribunais internacionais mundo a fora (mais uma vez).

Quanto mais penso que não podemos baixar o nível e invertermos nossos valores como nação ainda mais; as instituições desse país estranho e surreal, em que nosso amado Brasil se transformou, aparecem com “surpresas criativas” para chocar a mim e a seus habitantes.

Os tribunais, os juízes e as leis servem para proteger os indefesos da selvageria  e da barbárie. É assim que o homem aprendeu, ao longo da sua evolução, que viver em grupos organizados era melhor do que viver isolado e a mercê da “lei do mais forte”. Mas, e se a sociedade a qual você pertence não cumpre mais esse papel protetor? Valerá a pena continuar vivendo nela?

Pense nisso.

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